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10
Out

Parece que alguns comentadores e actores políticos se espantam por acontecer o anunciado. Imaginem algo tão surpreendente quanto a actuação do Secretário-Geral do PS corresponder à sua intervenção no último congresso do Partido Socialista. Como bem diz o Ferreira Fernandes: "quando as coisas se passam de forma tão insólita (porque esperada), é natural que descambem em situações cada vez mais naturais. Ou, se quiserem, surpreendentes."

 

Ora avaliem o que disse António Costa e pasmem-se com o que está a acontecer. Vejam como é totalmente surpreendente a  presente iniciativa política:

 

Não quero alimentar tabus, nem quero deixar qualquer tipo de equívoco. Em primeiro lugar, nós recusamos o conceito de “arco da governação” como delimitando quem são os partidos representados na AR que têm acesso e têm a legitimidade a partilhar a responsabilidade governativa. Em democracia, quem decide quem representa o povo é o povo, ninguém se pode substituir ao povo a excluir parte dos seus representantes das plenas responsabilidades.

 

Portanto, que fique claro: nós não excluiremos os partidos à nossa esquerda da responsabilidade que também têm de não serem só partidos de protesto mas de serem também partidos de solução para os problemas nacionais. A vida e a minha própria experiência em Lisboa ensinou-me a não ter excessivas ilusões, já percebi que é mesmo mais comodo estar do lado do protesto do que estar do lado da solução, mas meus amigos, não contarão com o PS para vos ajudar a manterem-se na posição cómoda de ficarem só no protesto e não virem também trabalhar para a solução.

 

[...] E há um segundo equivoco que não podemos também alimentar: o que é que os portugueses nos pedem e o que nós nos propomos fazer. O que os portugueses nos pedem é algo muito claro: que sejamos alternativa ao actual governo e às actuais politicas. O que é que nós propomos aos portugueses? Ser uma alternativa ao actual governo e às actuais políticas. E portanto, não é possível ser alternativa às actuais politicas com quem quer precisamente seguir as actuais políticas. É fundamental para a democracia que em democracia existam alternativas no campo democrático, o pior que pode acontecer a uma democracia é quando se gera um enorme empastelamento, quando existe um pântano no qual ninguém se diferencia, tudo é farinha do mesmo saco e em que não conseguimos distinguir o que uns propõem do que os outros propõem fazer. Quando há esta confusão o que nós alimentamos não é a democracia, o que nós alimentamos são os extremismos, os radicalismos que são esses sim uma ameaça à democracia.

 

 

 

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editado por David Crisóstomo às 16:00


3 comentários

De Carlos a 11.10.2015 às 00:31

E o que os Portugueses disseram e de forma muito clara é que não queriam António Costa como primeiro ministro.Tirando isso , o PS, neste caso mais o seu secretário geral em busca de salvamento da sua carreira política, pode falar e combinar e acordar com quem bem lhe apetecer, o que não pode, é dizer que foi ele que ganhou as eleições ou comportar-se como tal.

De Marcelo Caetano a 11.10.2015 às 09:07

Vamos fugir para o Brasil, amigo, que vem aí uma ditadura do proletariado! Rápido! Mas se quiser vir comigo carrega as malas, que esse é o lugar do lumpemproletariado.

De Carlos a 11.10.2015 às 16:08

Ó menino Marcelo,então ?!!! não seja parvinho, agora quer-me escravizar a carregar malas ?.. Francamente...

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