Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



28
Mai

Da lealdade

por Nuno Oliveira

Se há coisa que parece por vezes perturbar a mensagem do Partido Socialista é a insistência em características pessoais que distraem da mensagem política. Tivemos já a política dos afectos e temos amiúde a seriedade e a moral como argumentos centrais do discurso político. E temos agora, de algumas figuras próximas do secretário-geral, a lealdade ensaiada num combate que se pretende político. 


Ninguém questiona que as qualidades pessoais são importantes particularmente quando se discutem perfis de liderança. Mas centrar uma mensagem política em mensagens de conteúdo essencialmente moral é errado até numa teocracia. Os partidos políticos devem focar a sua mensagem em soluções dos problemas das pessoas, tem de ser esse o seu compromisso, sendo isto tanto mais relevante quanto mais precária for a situação socio-económica no país.


Quando o compromisso de um partido político é com propostas e soluções políticas, a lealdade que se impõe, ou melhor, a única lealdade é com o país. A lealdade de apresentar as melhores propostas e os melhores protagonistas. A única e verdadeira lealdade em apreciação é a lealdade, para com o país, de apresentar o melhor programa político e o melhor candidato a Primeiro-Ministro. É isso que o país espera do Partido Socialista. É isso que o país exige do Partido Socialista.


Autoria e outros dados (tags, etc)


2 comentários

De Tiago Cabral a 28.05.2014 às 10:20

Quando um líder partidário se refugia nos estatutos como forma de evitar um combate político, estamos perante alguém que não crê em si e também que teme não ter o partido consigo. Ele lá saberá porquê.
A um líder pede-se que respeite o passado do seu partido e que o assuma. Seguro nunca o fez. Foi durante os governos de Sócrates a cara da oposição interna, sempre quis ter a imagem de distância em relação ao consulado de Sócrates, embora este nunca o tenha afastado das listas de deputados à AR. Fica célebre a sua declaração, tão vazia como despropositada, quando Sócrates anunciou a sua saída e Seguro avisa os media que vai prestar uma declaração e depois tem cinco minutos tão patéticos como confrangedores. Mas nessa altura o trabalho de casa já estava todo feito. À semelhança de Passos Coelho no PSD, Seguro teve durante os anos de governo de Sócrates a oportunidade de percorrer concelhias e secções, preparando, há quem diga minando, apoios para a sua mais que certa candidatura.
Agora chegou a hora da mudança.

De Joe Strummer a 28.05.2014 às 13:11


Quem fala em falta de lealdade em questões de poder é a prova imediata que se está impreparado para o exercer. Talvez seja altura de se reler "O Poder" de B.Russel.

Comentar post




Sitemeter



Comentários recentes

  • Zzzzz

    Qualquer comparação, equiparação, ao nazismo, abso...

  • Sérgio Lavos

    Concordo, devemos respeitar quem é diferente de nó...

  • Bruno

    Muito sinceramente, isto é tudo muito lindo, mas h...

  • alvaro silva

    Só vejo dores de cotovelo e premonições de catástr...

  • J P C

    Se é isso o que o meu comentário lhe faz lembrar, ...







«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.» Ortega y Gasset