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20
Mai

Um dos recursos cómicos usados por Woody Allen consiste em terminar cada insulto com "with all due respect". Por um lado desconstrói o efeito do insulto; e por outro lado torna a personagem burlesca, uma vez que esta julga que essa simples menção devia fazer com que os alvos deixassem de se sentir insultados.

 

O último texto de Duarte Marques recorre a tal estratagema: após apelidar Assis de preguiçoso, com falta de preparação e empenho na defesa do interesse nacional, termina com um "Não foi fácil escrever este artigo sobre alguém que respeito".

 

Nem vou discutir, até porque não tenho elementos, se Assis foi ou não um bom deputado europeu (sinto-me à vontade porque não irei votar na lista que ele lidera), mas preocupa-me esta visão redutora, meramente quantitativa, do trabalho de um deputado - no limite até será contraproducente atendendo ao número dois da lista da coligação que Duarte Marques apoia.

 

A questão é que o "trabalho para a estatística" - tão bem retratado na mais perfeita obra de cultura popular de sempre "The Wire" - tem invadido todo o funcionamento da administração pública, nomeadamente na justiça. O fecho em catadupa de acções pode ficar bem numa folha de cálculo, porém isso não significa que se tenha feito justiça.

 

 

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