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07
Mai

Coelho Profundo

por CRG

"Sou alguém que mede o que diz, que prepara o que decide, que não responde de forma irrefletida, que não é governado por impulsos."

Passos Coelho

 

Nesta semana o Primeiro-Ministro por duas vezes elogiou publicamente Dias Loureiro, um exemplo a seguir de sucesso empresarial, apelidou Paulo Portas de líder do principal partido da oposição, ao mesmo tempo em que era lançada a sua biografia autorizada na qual surgem criticas ao Presidente da República e ao seu parceiro de coligação, formalizada uns dias antes.

 

Ora, se alguém mede o que diz, prepara o que decide, não responde de forma irreflectida o que dizer disto? É sabido que as falsas promessas eleitorais foram bem medidas, não existe qualquer dúvida de que foram realizadas com reserva mental. Deste modo, não é despiciendo perguntar se naquelas afirmações e na biografia está subjacente alguma estratégia? Será que Dias Loureiro seria um isco para depois poder contra-atacar com Sócrates? Será a antagonização de Portas uma forma de assegurar votos dos descontentes com o CDS, que ficariam assegurados que continuam a ser oposição?

 

Ou estaremos tão concentrados a procurar respostas racionais que acabámos a cometer o mesmo erro de Kasparov* e esquecemos do que disse Graham Wallas: "Whoever sets himself to base his political thinking on a re-examination of the working of human nature, must begin by trying to overcome his own tendency to exaggerate the intellectuality of mankind." 

 

*No primeiro jogo do segundo encontro entre Deep Blue e Kasparov, uma jogada antes de desistir, o computador faz uma jogada sem sentido. Kasparov regressou ao Hotel intrigado com esse movimento e passou a noite a tentar perceber como é que aconteceu um erro tão claro se o computador nunca falha. Finalmente descobriu que a opção que em teoria deveria ter sido tomada poderia, vinte movimentos depois, levar ao mate a seu favor. A partir desse momento Kasparov ficou convencido que Deep Blue conseguia visualizar 20 jogadas à frente e, deste modo, com a confiança desfeita - o máximo que ele alguma vez tinha conseguido havia sido 15 jogadas - perdeu o encontro. Na verdade, Deep Blue estava programado caso estivesse pressionado pelo tempo e não conseguisse arranjar uma boa jogada, para movimentar uma peça aleatoriamente e foi o que fez.

 

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1 comentário

De Joe Strummer a 07.05.2015 às 17:50

Shallow Passos

A racionalização do argumento politico, a procura do sentido oculto(ou não), da conspiração e do conflito é uma necessidade do 24/7 mediatico, nomeadamente dos media pundits, para criação de narrativas que alimentem o fluxo noticioso que concitem a atenção. Keep the conversation going and the money flowin'. Business as usual.


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