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15
Out

Choque e pavor

por CRG

Desde os tempos de preparação da Guerra do Iraque que não se assistia a uma tal intoxicação da opinião pública - só que agora os mercados são as novas armas de destruição maciça.

 

É possível num contexto europeu que funciona como um espartilho ideológico de direita existir políticas de esquerda? Este que era o único ponto que poderia ser objecto de discussão sobre uma coligação de esquerda - e numa visão mais alargada numa discussão sobre o estado da democracia - é transformado numa batalha cujo desfecho só pode terminar em rendição incondicional: ou há um programa de governo do BE e do PCP ou há um do PS. 

 

Esta visão de tudo ou nada e a sua impossibilidade prática resulta mais da forma como é percepcionada a coligação de direita e o papel do CDS e do seu líder - capaz de dizer tudo e o seu contrário - na sua formação do que uma visão democrática. Por outras palavras, acreditam que uma coligação de governo estável só poderá resultar se o parceiro com menor peso estiver disposto a abdicar de tudo. 

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5 comentários

De Makiavel a 15.10.2015 às 17:52

Recentemente, Portugal "foi" aos mercados e os juros contratados baixaram. Isto, apesar da incerteza na formação do próximo governo e depois das declarações de Catarina Martins acerca do fim do governo Passos Coelho/Paulo Portas, consideradas pelo correio da manha como causadoras de instabilidade nos mercados. A campanha de intoxicação prossegue mas, a usar as mesmas fórmulas não vão lá.

De Jaime Santos a 16.10.2015 às 00:24

Paulo Portas, quando era jornalista tinha dúvidas fundadas sobre o Processo de Construção Europeia dada a sua costela anglófila (não é incomum encontrar pessoas da Esquerda e da Direita no RU ou nos EUA que dizem há muito que o Euro foi uma má ideia porque a UE é tudo menos uma zona monetária óptima). A sua conversão ao Poder levou-o a renegar a tudo o que dizia antes. Eu espero sinceramente que tal sorte não calhe ao BE ou ao PCP, mas creio que estes Partidos são teimosos demais para tal. A Esquerda precisa da sua costela keynesiana e eurocéptica, desde que estes Partidos aceitem igualmente que não temos condições para seguir uma via maximalista. É que a questão é que não sabemos se a UEM e mesmo a UE são eternas, as suas contradições internas, como a questão dos refugiados bem mostrou, podem fazer com que caia a prazo. Em particular, devemos perguntar à Alemanha o que valoriza mais, o neo-liberalismo económico (que os Países de Leste parecem seguir entusiasticamente), ou o Liberalismo Político e a abertura ao mundo (que a tornam bem mais parecida com o Sul e o Ocidente)? Se bem conheço os Alemães, acho que mais tarde ou mais cedo, eles reconhecerão que têm bem mais a ver com Portugueses, Gregos, Franceses Italianos e Britânicos (dos Nórdicos já não digo nada, dado o crescimento da Direita Populista nesses Países) do que com Húngaros, Polacos, Eslovacos e por aí a fora...

De Carlos a 16.10.2015 às 09:42

Lendo ou ouvindo com atenção se constata que o discurso dos populistas de direita é em muitos pontos idêntico ao discurso dos populistas de esquerda, ambos são contra a UM contra a UE contra a "austeridade", contra Bruxelas, a favor do reforço das soberanias nacionais, etc, etc.
Por alguma coisa o aliado de Tsipras na Grécia (populista de esquerda) são os populistas de direita.
O que falta à união europeia é uma união política factual, onde as obrigações e os direitos sejam comuns aos estado membros.Temos uma união monetária parcial e nada mais.
Muitos países olham para a união europeia apenas como fonte de divisas, uma forma de obterem dinheiro através dos variados programas de coesão e de apoio.O caso dos refugiados é bem disso um exemplo, o país do satanás (Merkel) é o único que até hoje recebe os refugiados de forma permanente, nos restantes , incluindo as grandes democracias esquerdistas vê-se , é o deixa passar que eles vão para a Alemanha.

De Jaime Santos a 16.10.2015 às 13:21

A sua posição é, de maneira intelectualmente desonesta, meter a Esquerda Eurocética, a Direita Eurocética e a Extrema-Direita no mesmo saco. Para si, duvidar da bondade do projeto do Euro (porque estrangula a Economia dos Países com estruturas produtivas como a nossa, porque dá a Países como a Alemanha uma vantagem competitiva que estes não teriam fora de uma união monetária, já que a sua moeda se valorizaria, porque favoreceu em Portugal um modelo de desenvolvimento baseado exclusivamente no consumo interno com juros artificialmente baixos, porque a Europa não é uma zona monetária ótima) é equivalente a estar ao lado de fascistas como a Sra Le Pen. Resumindo, lá porque Hitler praticou políticas keynesianas, Keynes era fascista, é esta a 'lógica' por detrás de argumentos como o seu (de novo, estabelece uma falsa equivalência). O meu caro já mostrou que ou não sabe pensar, ou torce a lógica para acusar os adversários de algo que eles não são. Deixe lá, está bem acompanhado, o ínclito jornalista José Manuel Fernandes diz o mesmo. Mas esse pelo menos tem coragem de assinar o que diz, o que faz de si além de tudo um cobarde. Já agora, a respeito dos refugiados, respeito e aplaudo a posição da Sra Merkel, mas antes dela foi a Suécia Social-Democrata que se predispôs a receber 80.000 refugiados. Portugal, com a mesma população, sob Passos e Portas, não quis o ano passado receber 34 (!). E foi a Europa toda, Alemanha incluída, que arrastou os pés e cortou financiamento ao programa da ACNUR que teria permitido que os refugiados permanecessem nos Países limítrofes, em vez de terem que fazer a perigosa viagem em direção à Europa. E é a Grécia, esse País cheio de preguiçosos e vigaristas, José Rodrigues dos Santos dixit, que está na linha da frente do acolhimento a refugiados, mesmo depois de ser esmifrada pelo resto da Europa. Por isso, Fascista era a sua tiazinha e casou-se, ok?

De Carlos a 16.10.2015 às 16:19

Não surpreende a sua suposta superioridade moral e intelectual , para si quem defende ideias diferentes da sua é desonesto intelectualmente, não pensa pela sua cabeça e é fascista, não esquecendo que tem de casar a tia.Esse modelo económico Português de que fala, é o modelo económico Guterres e Sócrates elegeram para o país, vivendo as pessoas de crédito fácil e empresas pífias à sombra dos favores do estado.É precisamente esse modelo que nos trouxe a falência que agora o PS apoiado por PCP e BE pretendem retomar.Até parece que as teorias de Kaynes são o santo graal para salvar o mundo, o problema é que no ocidente os líderes são todos burros e não conseguem ver isso.
A ACNUR não é uma organização europeia é da ONU, não me diga que dependem do dinheiro dos fascistas alemães e americanos ? Onde anda china e a rússia esses países bandeiras da igualdade e da democracia, também reduziram o financiamento ?
Você tal como alguns dos camaradas que aqui postam comentários , não necessita de insultar os outros para defender as suas opiniões, eu assino o que escrevo se quiser digo-lhe qual é a minha morada e o número de tlm para ficar mais esclarecido.

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