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24
Abr

Cenários

por CRG

"O que é um homem rebelde? Um homem que diz não"

Albert Camus

 

O relatório "cenário macroeconómico" é a prova, como se tal ainda fosse necessário, que o PS, apesar da retórica utilizada, não é rebelde. É incapaz de dizer não à austeridade. Com efeito, o documento defende a manutenção da sobretaxa no IRS por mais dois anos, a reposição dos salários na função pública após o limite do concedido pelo Tribunal Constitucional, a queda do consumo público real, o congelamento do número de funcionários públicos, o estudo de novas privatizações, e infere-se a estagnação do Salário Mínimo Nacional.

 

No entanto, este documento apresenta duas virtudes.

 

Em primeiro lugar, demonstra que existe e sempre existiu - ao contrário do que a propaganda governamental defendeu - no caminho estreito da austeridade alternativa à política do actual Governo, que possibilite, por um lado, reduzir a desigualdade crescente (reforço do abono de família, do complemento solidário para idosos e do RSI, contrapondo à mais dispendiosa e menos digna aposta nas cantinas sociais), e, por outro, evitar a destruição em curso do mercado interno.

 

Em segundo lugar, permite questionar se no espartilho ideológico criado pela arquitectura institucional da UE é exequível a aplicação de políticas keynesianas, isto é, seria possível o PS apresentar outro tipo de propostas de forma a serem compatíveis com o seu património de partido pró-europeu? A forma como os parceiros europeus têm vindo a responder às reivindicações gregas parece indiciar uma resposta negativa. Nem é provável que nos próximo tempos ocorra, mesmo com a economia europeia estagnada e em deflação, qualquer alteração, uma vez que do lado da Alemanha, para salvaguarda dos seus interesses a curto-prazo, insiste, imune à realidade, na austeridade - parece decidida a desafiar o aforismo do Lincoln "a house divided against itself cannot stand". Ora, a tomada de consciência destas limitações é fundamental para que os eleitores possam realizar uma escolha informada.

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1 comentário

De cristof a 24.04.2015 às 20:28

Não bate certo agora depois de tanto sacrificio e anunciadas reprovações das avaliações dizer que afinal havia alternativa; haverá talvez no futuro!
O segundo ponto que não bate certo é quesrionar quem precisa dos outros que não pode ser independente.
Pode e deve mas tem que contar com a sua carteira não é com a carteira do vizinho. Que me aperceba nunca ouvi falar de restrições impostas pela UE a Berlim . Helsinquia ou Londres.
Invocar isso é o que fazem os syrizas de lá e de cánuma forma manhosa de provarem que as tretas que vendem têm logica.

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