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02
Dez

 

Carta aberta aos meus amigos do PSD

 

Queridos amigos e queridas amigas,

espero sinceramente que a presente missiva vos encontre de boa saúde e em grande forma. Temo, no entanto, que não seja esse o caso. Os sinais são alarmantes e têm aqui um amigo genuinamente preocupado convosco. Caso não tenham reparado, têm um grupo de loucos a dirigir o vosso partido. Não quero que leiam nestas palavras nenhuma forma de ingerência na vida interna da vossa agremiação política. Muito menos qualquer tipo de condescendência para com a vossa capacidade de gerir livre e sabiamente os vossos destinos políticos. Vocês conhecem-me e sabem que sou um idiota condescendente. Mas, neste caso, trata-se mesmo de preocupação genuína.


O grupo de loucos com sede de poder que tomou de assalto primeiro a liderança do vosso partido e depois o governo do país, viveu durante quatro anos embriagado pelo poder (executivo, legislativo, financeiro). Foi festa rija, à boleia de um grupo de bêbedos que julgou estar a viver o sonho húmido do Sá Carneiro. Uma maioria, um governo, um presidente. Uma bela merda. Um pesadelo. Enterraram a social-democracia que, sem razão aparente, resiste na sigla do vosso partido, à laia de fachada, qual neon luminoso à porta de um enclave tenebroso.

 

Agora que perdeu o governo do país, o PSD parece ter perdido a cabeça. E é esta a principal razão por que vos escrevo. Sem a bóia do poder governativo, o vosso partido parece nadar fora de pé, à deriva. Para não me alongar em demasia (sei que vocês são pessoas ocupadas), elenco apenas alguns dos principais sintomas.


(1) Depois de quatro anos a empobrecer o país, o vosso partido fez uma campanha baseada em mentiras e manipulações das estatísticas oficiais do Estado, dos quais o embuste da sobretaxa de IRS é só o mais visível.

(2) Uma vez perdido o apoio parlamentar maioritário, e percebendo que havia reais possibilidades de um governo de esquerda, a estratégia do PSD foi a seguinte:
a) o PS, cujo programa nos conduzirá à bancarrota, pode incluir medidas do seu programa no programa de governo desde que o PSD forme governo;
b) o PS, ao não querer viabilizar o nosso governo, conduzirá o país ao caos e à bancarrota;
c) pode ser que alguns deputados do PS votem pela viabilização de um governo do PSD;
d) um governo do PS com o apoio da maioria de deputados na Assembleia da República é um golpe de Estado, inconstitucional, ilegítimo. Este ponto é especialmente importante para o diagnóstico, uma vez que, quem bradou que um governo do PS era um golpe de Estado inconstitucional sabe - perfeitamente - que isso é mentira. E, se não sabe, ainda é mais grave.
e) cuidado, vêm aí os comunistas.

(3) Quando a estratégia exposta em (2) falhou, após a queda previsível do governo-iogurte, o PSD avisa, garante, promete, que não votará a favor de nenhuma medida do governo PS. Com a maior das leviandades, os loucos que dirigem o vosso partido garantem-nos que, enquanto deputados eleitos pelo povo, votarão, se necessário for, contra as próprias convicções. Só para «não dar a mão ao PS», estão dispostos a votar contra tudo aquilo em que, deduzo, vocês acreditam e lhes confiaram no voto.

(4) Após o debate do programa do XXI Governo Constitucional na Assembleia da República o PSD e o CDS farão votar uma moção de rejeição, mais inútil do que sauna no deserto. Não por ser uma moção derrotada à partida (há amiúde honra nos derrotados à partida), mas porque porá em evidência a fragilidade, quando não o ridículo, do discurso sobre a suposta ilegitimidade do governo. E, acima de tudo, porque é uma moção de se chumba a si própria. Mais do que os argumentos dos partidos da esquerda, a resposta à moção de rejeição será dada pelo resultado da própria votação. 123-107. Está explicada a (i)legitimidade do XXI Governo Constitucional.

 

(Ex)posto isto, e porque sei que vocês são melhores do que este grupo de loucos que dirige o vosso partido, porque conheço as vossas convicções e intenções, porque um partido verdadeiramente social democrata é essencial à vida política ao Portugal contemporâneo, porque este PSD dos últimos anos é uma deriva neoliberalóide que parece dar-se melhor com os mercados do que com o regular funcionamento das instituições democrática e porque uma boa oposição é fundamental para que um bom governo governe melhor e para que o sistema de democracia representativa seja devidamente valorizado, é com enorme estima e amizade, apesar das nossas inalienáveis diferenças políticas e ideológicas, que vos peço: façam qualquer coisa. Marquem um congresso, elejam uma nova direcção, telefonem ao Rui Rio, sei lá, façam qualquer coisa. Está um louco ao volante e não vos queria ver num acidente. Livrem-se dele enquanto é tempo. A última vez que vocês deixaram alguém deste calibre pegar no volante, a fingir não ter ideologia, sempre mais preocupado com a estatística e os mercados do que com a vida das pessoas, o carro era um Citröen, ia só fazer a rodagem à Figueira e ainda hoje estamos a sofrer com o sinistro. Vejam lá isso.

 

2 de Dezembro de 2015.

Sempre vosso,

João.

 

 

 

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43 comentários

De Carlos a 02.12.2015 às 11:36

Sem surpresa todos o que considera ilegítimos ganharam eleições, sendo que o sr. do citroen as ganhou 4 vezes com clara maioria absoluta.Também sem surpresa , para se alcançar a legitimidade há que ser um bom esquerdista.Sou de esquerda, logo sou legitimo , mesmo perdendo, e perdi porque o povo ainda tem o privilégio de votar, mas isso agora não interessa para nada.

De João Gaspar a 02.12.2015 às 12:09


Carlos,

não considero ninguém ilegítimo (é mais ao contrário), muito menos escrevi, insinuei ou deixei entrever que a legitimidade tem a ver com a esquerda, a direita ou o volver. Lamento que tenha chegado à parte do Citröen sem ter percebido isso.

Vão ser dois anos e tal desse discurso do «ganhámos as eleições, o governo do PS perdeu as eleições.» e pretendia precisamente ser esse o ponto do texto. O comentário do Carlos, ironicamente, prova o ponto. O PSD está de cabeça perdida, repetirá ad nauseum (ou até deixar de ser útil para consumo interno) o falso argumento de que de umas eleições legislativas resulta um governo vencedor e um vencido. É uma estratégia arriscada porque infrutífera e descredibilizadora. Mas vocês é que sabem. Eu é que não gosto de ver os meus amigos no meio deste acidente, só isso.

De Carlos a 02.12.2015 às 12:48

Há quem repita ad nauseum que não se elegem primeiros ministros e que a maioria parlamentar cozinhada na bimbi é que decide quem governa.Neste momento até parece que quem governa são os dois partidos dos 10%, em especial o PCP,tal a quantidade de revogações que são apresentadas diariamente na assembleia,só lhes falta mesmo é revogarem a saida da "troika". Em breve vão acabar os foguetes e terá de se começar a governar, depois se verá o resultado das estratégias de cada um,esperando-se que seja daqui a 4 anos e não menos.Em todo o caso e com todas as ironias , não me parece que tenha sido a coligação a não aceitar os resultados das eleições e se por mero acaso algum dia o cenário se inverter PS ganhador de eleições e em separado PSD+CDS reunirem a maioria dos deputados veremos quantos dos de hoje tecerão elogios às virtudes da maioria parlamentar.

De João Gaspar a 02.12.2015 às 15:49


Correndo o risco de o ad nausear, a verdade é que não se elegem primeiro-ministros, por muito que a praxis político-partidária o apregoe.
A maioria parlamentar suporta o governo que lhe apetecer, que raio. Se um dia o PS (ou outro partido qualquer) tiver mais deputados mas não encontrar uma maioria parlamentar que lhe queira viabilizar o governo, o governo cai. Enquanto a lei não for alterada, manda sempre a Assembleia. Eu sei que parecem tempos excepcionais, porque nunca tinham acontecido antes. Mas a excepção não tem nada de extraordinário. Na verdade, é bastante simples.

De Carlos a 02.12.2015 às 16:16

Não me ad nauseia de maneira nenhuma.Já ficamos a saber que a partir de 4 de Outubro de 2015 deixaram de se eleger primeiros ministros.Acho que percebeu o meu comentário,não está em causa se o governo cai ou não,ou a legitimidade do mesmo,está em causa sim, é ver a esquerda defender esse mesmo critério se a maioria for psd+cds,e posso afirmar sem grande receio de me enganar, que este é mais um dos critérios que só são válidos quando a esquerda reunir a maioria.

De João Gaspar a 02.12.2015 às 16:34

e antes de outubro de 2015 também não. as eleições chamam-se eleições para a Assembleia da República. o semi-presidencialismo, o discurso repetitivo de candidatos a primeiro-ministro e a aritmética linear podem fazer-nos crer o contrário, mas em nenhum boletim de voto há candidatos a primeiro-ministro. o resto é ruído.

então para que fique bem claro, sem qualquer reserva mental:
se PSD+CDS tiverem maioria dos deputados e quiserem suportar um governo, esse governo deve governar. vê como é simples.

De Carlos a 02.12.2015 às 17:12

É a retórica de momento, António Costa não pensava isso quando Sócrates foi eleito a 2ª vez, à altura seria um golpe partidário. Esgotada a esperança , primeiro às 20.00 h de ganhar as eleições, depois a meio da noite de ter mais deputados que o psd, viu a salvação da pele nos eternos inimigos.Pela argumentação e adjectivos do seu primeiro texto reserva mental é algo que não lhe falta.A situação está consumada, o PS é governo e como minoritário que é , governará com o apoio de quem o tornou governo, não estará por certo à espera que seja o psd e o cds a manterem o governo.

De Batemuma a 02.12.2015 às 16:40

O CDS?
O PP?
O PPD?
O PSD?

Definam-se por favor, e já agora definam se há ou não fusão partidária, ou então a merda, durante estes 4 anos, foi grossa e é necessário esconder as cagadas, ou defender, ou fotocopiar alguma coisita, sei lá talvez uns 60 000 documentos de suporte...
Pena é que já não hajam lugares de presidente da comissão europeia...

De Teodoro a 02.12.2015 às 14:19

Lindoooooo!!

De Nelson a 02.12.2015 às 14:32

Não voto porque nenhum dos políticos merece a minha confiança.

Em todo o falatório em torno destas eleições há uma falácia, ninguém venceu as eleições. Vencer as eleições é ter mais de 50% dos votos, nessa situação sim há um vencedor. O Que existiu foi um partido mais votado que foi o PSD, mais votado não é o mesmo que vencedor e por isso não se aguentou no governo. Parem de se chamar vencedores e digam antes mais votados.

De João Gaspar a 02.12.2015 às 15:38

Nelson,

"vencer as eleições é ter mais de 50% dos votos" nas presidenciais.

Nas eleições para a Assembleia da República são eleitos deputados para representar o povo - quem ganha é sempre o povo.

De André Nóbrega a 02.12.2015 às 15:02

Tenho um comentário apenas: "telefonem ao Rui Rio, sei lá"?! Tu vai beber água. Não telefonem ao Rui Rio. Esqueçam que o Rui Rio existe. Há de certeza absoluta gente no PSD com capacidade para ser líder de um centro-direita decente.

De João Gaspar a 02.12.2015 às 15:41


Não tendo qualquer espécie de simpatia nem afinidade política com o Rui Rio, reconheço-lhe a dignidade de não embarcar na deriva ruidosa e alarmista. Politicamente seria alguém de quem daria imenso gozo discordar, ao contrário do Passos e restante trupe, cujo nível de desonestidade não aceita sequer um diálogo sincero. Só isso. De resto, também preferia o Pacheco Pereira. :)

De André Nóbrega a 02.12.2015 às 18:48

Depois do seu papel autoritário à frente da câmara municipal do Porto, não consigo sequer pensar em olhar para o Rui Rio a liderar o que quer que seja. Ele foi péssimo, e como presidente do PSD e candidato a PM seria assustador, precisamente porque as pessoas simpatizam com ele sem perceberem o que ele é. Horrendo.

De João Gaspar a 02.12.2015 às 18:57


Uma pessoa autoritária, sem respeito pelas diferenças e pela cultura, parece-me ser um adversário político que vale a pena combater. Duvido que hoje estivesse na Assembleia da República a fazer o papel triste do PSD, a repetir a ladaínha do vencer as eleições e afins.

E pronto, agora para de me fazer elogiar tenuemente o Rui Rio, porque não gosto nem um bocadinho dele. A referência deve-se ao facto de parecer a alternativa mais ou menos próxima no PSD. Espero estar a ver mal.

De André Nóbrega a 02.12.2015 às 23:02

Eu percebo, só não consigo deixar passar ténues elogios ao Rui Rio, são muitos anos a combater a ideia que ficou por esse Portugal fora de que o homem foi um bom presidente da câmara. Mas pronto, vou-te deixar em paz, bem sei que não gostas da criatura.

De Batemuma a 02.12.2015 às 16:25

Ó Nóbrega não sejas Aníbal...com o Rio não teria havido o célebre episódio do "irrevogável", "estória" essa que define, sobremaneira, a classe, ou falta dela, da direita que nos (des)governou durante 4 anos, dá cá o cognome de vice e eu dou-te um governo...vão contar a história da ceguinha à Merkel!

De André Nóbrega a 02.12.2015 às 18:50

Esse talvez não, o Rio nunca faria esse filme adolescente que o Portas fez. Mas a avaliar pelos seus discursos e pelo que fez no Porto, talvez tivesse sido uma governação ainda pior que a destes, pelo menos ainda mais autoritária, com ainda mais desprezo pela diferença e pelas dificuldades alheias. E pela cultura. Mas enfim, desse, para já, estamos safos.

De Anónimo a 02.12.2015 às 18:42

Digam lá o que disserem tenham as ideias que tiverem,eu vivi o 25 de Abril e desde então o curral e o gamelo tem sido sempre o mesmo só têm mudado os porcos,Portugal e os Portugueses têm sido sempre enganados

De A.Morgado a 02.12.2015 às 16:52

Loucos? Bêbados? Não será demasiado?

De João Gaspar a 02.12.2015 às 17:04

São metáforas, senhor, são metáforas.

PSD e CDS estão neste momento a sujeitar-se a uma expectável humilhação política em plena Assembleia da República, por levarem a votação uma moção de rejeição baseada num discurso politicamente frágil, sem sustentação na realidade e na lógica. À derrota política decidiram acrescentar uma ridicularização auto infligida. Se não estão loucos ou bêbedos, arranjem-me uma explicação melhor.

De Fernado a 02.12.2015 às 18:00

De tudo o que li de si, fico com a impressão que gostaria de ser lider desse PSD, é entrar em ação, lute e vai ver que capacidades não lhe vão faltar, depois dá a volta aquilo tudo e pode ser que aquele partido até venha ser alguma coisa de jeito, penso que você ficaria contente e os militantes do dito partido também, por mim que sou mais à esquerda, espero que seja eleito presidente desse partido e nas eleições tenha sempre menos de cinquenta por cento dos deputados, de preferência uns 50, assim dava jeito, pelo menos eu ficava feliz, não me meto é na polita partidária de nenhum partido, é um principio democrático, ou já não é?

De João Gaspar a 02.12.2015 às 18:30

eheheh. deixo isso para o Rui Rio.

sem demagogia, apesar de inconciliáveis divergências políticas com o PSD - a esquerdalhice está-me entranhada, mas não é esse o ponto -, acho mesmo que é saudável uma oposição (e um PSD, vá, onde quer que esteja) inteligente e politicamente útil.

De jcm a 02.12.2015 às 17:22

Não percebo porque é que se insiste em que o PSD é um partido social democrata. Nunca foi. Só de nome. O PSD sempre foi um partido conservador de centro direita, à semelhança dos conservadores ingleses, ou dos populares espanhóis. E a sua política sempre correspondeu à da sua base eleitoral, quando foi governo.

Aliás no nosso país as designações dos partidos não têm nada a ver com nada. O PS há muito que é social democrata. O CDS já foi democrata cristão. Já sonhou ser liberal, mas tem vergonha disso. O BE é um rodízio. Há para todos os gostos.

O único, goste-se ou não, que se sabe o que é e não tem vergonha de o ser, é o PCP. Está é um bocado fora de moda. Ou se calhar é um clássico. Intemporal.

De Fernando a 02.12.2015 às 17:45

Percebe-se que é inteligente, sabe escrever, podia ser inteligente e não saber escrever, aqui não fico com dúvidas, sofre de partidarite aguda e falta de respeito democrático, deixe os partidos fazerem o que bem entenderem e as maiorias na Assembleia da República decidirem, aos deputados liberdade de escolha, ao povo o que é do povo!
Ao ler o seu texto dá a impressão que representa a maioria do povo português, numa coisa tem toda a razão, to texto constitucional nada diz sobre eleição de primeiro ministro em Portugal, isso resulta normalmente de quem tem mais deputados na Assembleia da República, claro que os governos do Dr. Mário Soares foram minoritários, um do Cavaco, dois do António Guterres e finalmente um do Sócrates, tão só e apenas porque os seus partidos foram os mais votados, verdade mesmo é, maioria absoluta de deputados suporta um governo, claro que há sempre uns casos estranhos, o Pedro Santana Lopes tinha maioria absoluta no parlamento, o presidente Sampaio não gostava e acabou com a maioria e convocou eleições, coisas da democracia!
Temos os políticos que merecemos e em parte somos o povo que merecemos ser!

De João Gaspar a 02.12.2015 às 18:38


Fernando,

temia correr esse risco. Leu nas minhas palavras uma ingerência que não queria lá estar. Já a provocação assumo-a toda.
É mesmo uma questão de a) ter amigos do PSD e b) achar que quanto melhor for o PSD melhor será a democracia e a vida parlamentar.
Este discurso da direita nos últimos tempos é confrangedor, mas, em rigor, tem razão: eles é que sabem.

Claro que governos minoritários são normais. Mas decorrerão sempre da falta de uma maioria estável na Assembleia. Não são qualquer entrave à governação. Um governo minoritário negoceia medidas e leis no Parlamento - nada de extraordinário.

Esses governos foram minoritários porque os seus partidos que os sustentaram foram os mais votados E porque não tinham uma maioria contra eles.

De João Gaspar a 02.12.2015 às 18:52

«claro que há sempre uns casos estranhos, o Pedro Santana Lopes tinha maioria absoluta no parlamento, o presidente Sampaio não gostava e acabou com a maioria e convocou eleições, coisas da democracia!»

Exacto. Mesmo "não gostando" de um governo, o presidente devolve o poder ao povo, que elege nova Assembleia da República e é ela que suporta um novo governo. Se o PSD de Santana tivesse a maioria de deputados na AR, o Sampaio dava-lhe posse, claro.

De Rui Pires a 02.12.2015 às 18:21

Caro João,
Será que qd o Presidente Jorge Sampaio indigitou o primeiro ministro Santana Lopes foi assim tão acérrimo defensor dessa indigitação? E tb escreveu cartas a elogiar tão nobre acto de indigitação? É q se n o fez está a dar um tiro no pé de todo o tamanho. Pq o povo escolhe deputados e se a maioria dos deputados e q tem q governar então se saiu o Durao... entra o seguinte pq continua a haver maioria na assembleia... Apoiou a indigitação ou atirou-se ao ar como toda a ala esquerda? Gostava de ter a sua opinião sincera João... :)

De João Gaspar a 02.12.2015 às 18:50


Caro Rui,

as situações não são comparáveis porque:
a) não tinha acabado de haver eleições legislativas.
b) o Sampaio não estava em final de mandato.
c) tinha a possibilidade de dissolver o Parlamento a qualquer momento.
d) o Santana Lopes não se tinha candidatado.

No plano político, qualquer das decisões do Sampaio tinha a mesma legitimidade. Discordei da indigitação do Santana por razões de fundo políticas - era uma solução instável, o governo ficou mais fraco e não servia os interesses do país. Aliás, o próprio Jorge Sampaio discordou da decisão de Jorge Sampaio uns meses depois. Por outro lado, com a indigitação do Santana, a queda do governo tornou-se mais expectável. :)

Agora não me lembro de ver a esquerda em uníssono a gritar que era um golpe de Estado inconstitucional e ilegítimo.

De PM a 02.12.2015 às 19:45

Gostei e subscrevo na integra, também acho que já é tempo dos verdadeiros Sociais-Democratas correrem com o sr . Coelho e o seu staff de artistas manhosos que de forma habilidosa tomaram de "assalto" o partido. Esperamos que no congresso haja um verdadeiro debate, que a loiça seja partida mas que possa emergir de lá um líder que faça uma limpeza geral e que leve o partido a navegar em águas límpidas e que o sr Coelho saia de lá como ex-líder porque o PSD verdadeiro faz falta ao País e à Democracia.

De João Gaspar a 03.12.2015 às 01:17


Espero que as gentes decentes e sociais democratas do PSD sejam uma maioria que, vá-se lá saber por quê, se tem mantido silenciosa. A ver vamos.

De Maria Helena a 02.12.2015 às 21:40

Como simpatizante do PSD e que durante todos estes anos votei no partido foi com muita tristeza que vi o desmoronar do partido e da Social Democracia.E pela primeira vez votei PS. Passos Coelho fez as últimas campanhas com base em monumentais mentiras continuando com o atirar culpas ao governo de Sócrates que não esteve exentos delas mas não assumindo o completo desastre da sua governação que apenas teve como finalidade empobrecer o País e não cumprindo os objectivos a que se propôs.

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