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24
Abr

Calar Sócrates

por Sérgio Lavos

Ainda por aí um alvoroço por causa de um editorial do Público que supostamente mandou calar Sócrates. O editorial em causa, apesar de citar a frase que o rei Juan Carlos atirou a Chávez numa cimeira, não é mais do que uma crítica (não especialmente virulenta) ao que Sócrates disse numa entrevista, sobre diversos assuntos. Afirma o editorial que melhor faria Sócrates em não emitir a sua opinião, dada a situação em que se encontra. Podemos discordar da crítica do Público, é certo. Mas é incompreensível tanta gente clamar pela liberdade de expressão de Sócrates. Logo este, que, mesmo sob investigação, não tem feito outra coisa senão exercer a sua liberdade de expressão, em diversos palanques e formatos. Já Passos (e muita gente de direita), recorrendo a um já habitual cinismo oportunista, aproveitou para candidamente defender o uso da palavra de Sócrates. Claro que, como não somos todos parvos, sabemos por que razão Passos fez isto: na entrevista em questão, Sócrates afirma que não teria aceitado ser primeiro-ministro caso tivesse perdido as eleições. Não interessa que Sócrates tenha dito isto em resposta a uma questão muito concreta sobre as eleições de 2011 (e qualquer um naquela situação não aceitaria ser PM). Passos chega-se à frente porque, na cabeça dele, ainda é primeiro-ministro. Tudo normal. Menos a reacção de muita gente de esquerda, indignando-se contra o editorial do Público. Ameaça à liberdade de expressão? Tenham juízo.

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7 comentários

De Jaime Santos a 24.04.2016 às 17:04

Deixem Sócrates falar. Ninguém o leva a sério. Ele pode achar que é injusto, mas enquanto pesar sobre ele a suspeita de corrupção, as suas palavras serão sempre entendidas como estando ao serviço do seu interesse pessoal. Como bem dizia o editorial do Público, Sócrates não é simplesmente um ex-PM que opina sobre política. Aliás, a sua estratégia de comunicação tem sido desastrosa. Sócrates deveria responder às violações periódicas do segredo de Justiça através dos seus advogados, em vez de se multiplicar em entrevistas e acusações (algumas com razão, note-se) ao MP. Assim, só dá a aparência de desespero e de vir constantemente gritar 'Por favor, não se esqueçam de mim!'. Rei Morto, Rei Posto, meu caro Sócrates. Pode ser injusto, mas como dizia alguém que o precedeu na cadeira de PM, é a vida...

De jose neves a 24.04.2016 às 17:21

O Caro chuta ao lado da questão e, precisamente por isso, produziu um embrulhanço de opinião que no fim nem dá para perceber bem qual a ideia do post.
Todos sabemos que Sócrates tem tido oportunidade de dar publicamente suas opiniões publicamente mas repare, primeiro, se as tem podido dar foi porque lutou duramente por ter esse direito que lhe quiseram sonegar com a prisão, depois, se ele próprio travou uma luta dura pelo direito à palavra para se poder defender de injustiças e atropelos à Lei pelos que têm o dever de defender essa Lei porque razão alguém quer que se cale?
E terceiro e mais estúpido é que são os jornalistas que, falam diariamente nos jornais e revistas e depois nas tv quase ininterruptamente a zucrinar os nossos ouvidos com suas patetices de fretistas que se fazem passar por independentes, que mandam calar quem foi PM, foi Ex-PM preso sem culpa formada e continua a ser desonestamente ofendido e humilhado diariamente por jornalistas.
É aqui, caro, que bate o fundo da questão; é alguém que exige para si total liberdade de expressão e, inclusivamente, usa abusivamente dela como neste caso para pedir a outrem que se cale.
E porque quer o "público" que Sócrates se cale? Este seria um bom ponto de partida para o caro pensar e dizer. Até porque Sócrates fala bastante espaçadamente, muito, muito menos que os jornalistas acerca dele, já reparou?
O problema dos jornais é que Sócrates, embora falando espaçadamente fá-lo nos momentos precisos ( A Flor fala de uma entrevista solicitada há muito tempo) e vai directo e direito ao fundo das questões e diz franca e abertamente sem medo ou tergeversar, o contrário do que fazem os jornaleiros de serviço.
No fundo, caro, o "público" tem medo do que Sócrates possa dizer acerca da opa da PT e do belmiro, o "expresso" tem medo do que possa dizer sobre o balsemão e assim sucessivamente, porque esses sim e que aparecem em todas as "jogatanas" financeiras e só os franco-atiradores conseguem furar a opacidade e cortinas de fumo que lamçam sobre o zé-pagode.
E o caro parece querer inclui-se nesse pagode que nem chega à arraia miúda do tempo de João das Regras.

De Manojas a 24.04.2016 às 17:52

Eis um editorial não assinado que responsabiliza, pois, todo o jornal, que não ameaça a liberdade de expressão mas a contesta e condena alguém que é intrevistado. O que é de admirar é que só alguma esquerda, e não toda a esquerda e também a direita consciente, se indigne. Ou andamos todos dfistraidos com o que se está a passar?

De André a 24.04.2016 às 18:13

não tem feito outra coisa senão exercer a sua liberdade de expressão..

Fora o facto de que esteve o útimo ano e tal enfiado numa penitenciária em Évora a 200 kms de Lisboa sem saber do que é acusado, detenção ilegal em que até o tentaram impedir de escrever cartas para o exterior(!).

Segundo o Sérgio Lavos isto é tudo normal e JS teve durante esse periodo imensas oportunidades de exercer a sua liberdade de expressão.

Mas o que para mim é mesmo incompreensível é o porquê de tanta gente clamar pela liberdade de expressão de Sócrates... só agora. Estiveram todos a dormir?

E ainda mais incompreensível é o Sérgio Lavos não saber distinguir critica de apenas mais um vil ataque ad hominen acompanhado da manipulação de frases truncadas retiradas da entrevista amplificado pela totalidade dos media durante 24 horas, enquanto se esconde a entrevista a altas horas na RTP2.

Enfim se não fosse triste até tinha piada...

De Manojas a 25.04.2016 às 01:05

Peço desculpa pelo erro involuntário. Claro que é: entrevista e não intrevista.

De António a 25.04.2016 às 15:04

"Tanta gente de esquerda"? Será que agora o Passos é de esquerda?

De Jorge Cid a 28.04.2016 às 17:58

A reacção de Passos é normal, concordo. Discordo é de se considerar normal que se possa aplaudir o silenciamento de alguém. Mesmo "dada a situação em que se encontra"...em que situação é que se encontra?
A cumplicidade cobarde e a resignação são um cancro que mina a sociedade...

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