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20
Out

"Perhaps in truth wether the camp was declared a parasite on the town or the town a parasite on the camp depended on no more than who made his voice heard loudest"

"Life & Times of Michael K"

 

Na entrevista ao DN Maria Luís Albuquerque afirma que o limite criado para as prestações sociais não contributivas justifica-se por que quer "assegurar que não há desincentivos ao trabalho".

 

Por onde começar.

 

Vamos deixar de lado que a crise acrescido da austeridade destruiu emprego, que milhares de empresas faliram, que houve um aumento de emigração digno dos anos 60 do século passado e que a taxa de desemprego atinge os 14,7% -  o desemprego não é uma questão moral ou de preguiça.

 

Vamos deixar de lado que a concessão de prestações sociais não contributivas é já objecto de um controlo elevado, com requisitos apertados e quem diga com burocracias destinadas a dificultar o acesso, e com efectivo "strip-tease das contas bancárias".

 

Vamos deixar de lado que conforme escreveu neste blog o Frederico  "a percentagem da população em situação de pobreza consistente, isto é, que estão simultaneamente em risco de pobreza e em privação material, subiu de 8,2% em 2012 para 10,4% em 2013. Fazendo as contas, temos 200 000 novos pobres num ano."

 

Vamos deixar de lado que para a grande maioria das pessoas um emprego não é só uma fonte de rendimento, mas constitutivo da sua personalidade, do seu lugar na sociedade.

 

O que tornam as declarações da Ministra das Finanças ignóbeis é facto de Portugal ser "um dos países com maior número de trabalhadores pobres", com efeito "10,5% da população empregada estava em risco de pobreza em 2012 e que 5,5% dos trabalhadores por conta de outrem viviam em privação material severa em 2013".

Deste modo, o que devia preocupar o Governo não deveria ser o valor alegadamente elevado das prestações sociais não contributivas, mas sim que os vencimentos praticados não permitem aos trabalhadores fugirem à pobreza.

 

Maria Luís Albuquerque, uma Benthamite de pacotilha, procura tornar a vida dos desempregados o mais agreste possível para que não lhe restem outra alternativa que não aceitar um emprego quaisquer que sejam as condições, simplesmente inefável.

 

 

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