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Eu tendo a concordar com a opinião expressa, entre outros, por Pedro Adão e Silva, de que se os partidos que sustentam o governo forem responsáveis pela sua queda sofrerão perdas eleitorais consideráveis, independentemente das razões que possam ter para isso. Isso é o principal argumento que fornece alguma estabilidade ao actual arranjo governativo.

Da mesma forma, em última análise é também isso que permite um mínimo de confiança de que as propostas do governo, em abstracto, passarão no parlamento. Afinal, qualquer chumbo maioritário de propostas governamentais será sempre como o prelúdio para a queda do governo e realização de eleições. Isso não significa, como vimos no caso do Banif, que BE/PCP/PEV não possam votar contra propostas que se saiba que serão viabilizadas pelo PSD. O importante é sempre que as esquerdas não sejam vistas como bloqueando a acção governativa.

Dito isto, haverá sempre um cálculo permanente nos partidos de esquerda sobre o que perderão em termos de eleitorado com o apoio a medidas impopulares do governo do PS versus o que perdem em termos de votos se forem vistos como responsáveis pela queda do governo. Enquanto o saldo desse cálculo continuar a ser visto como positivo, o apoio ao governo PS continuará, com mais ou menos discursos positivos. Se o saldo se tornar negativo, não tenhamos dúvidas que o apoio ao governo subitamente desaparecerá.

E para esses cálculos, o PCP/PEV tem uma posição mais débil que o Bloco. Algo que o PS, e em particular António Costa, terá de gerir com muito cuidado. 

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2 comentários

De Jaime Santos a 14.02.2016 às 19:50

Daí o facto de Costa ter desde logo vincado na AR que eventuais novas medidas de Austeridade (e nós sabemos que elas não serão eventuais, mas sim impostas pela UE em versão PPE, que quer que o Governo caia, ai os malandros que se atreveram a propor outro caminho que não aquele que já falhou repetidamente, como constatou por último o Tribunal de Contas Europeu) serão desenhadas em Portugal. E serão certamente desenhadas com o BE e com o PCP, mesmo se o PCP acabar por se abster e a passagem ficar garantida pelos votos do PEV+PAN. Isto dito, so what? Já sabíamos que a Geringonça (a Esquerda devia adotar com orgulho um nome que foi atribuído a esta solução governativa com intenção pejorativa pelo muito inteligente, muito engraçado e muito espirituoso Paulo Irrevogável Portas, afinal 'Whig' e 'Tory' também eram títulos pejorativos a princípio) era uma solução de alto risco. Mas se a Direita voltar ao Poder, será pela mão dos eleitores, não do PS (e a sondagem desta semana no Expresso dá 52% à Esquerda e 40% à Direita pelo que podemos para já ir para a cama descansados).

De Joe Strummer a 16.02.2016 às 21:58

O tacticismo e a morte da política. Ninguém sabe o que Costa quer para o pais, o que se sabe e discute e o geoposicionamento e a triangulaçoes. Costa ainda não disse se aquilo que tem no bolso e um desejo permanente pela esquerda ou uma vontade de ir para a cama com o psd. Nas entrevistas da para os foi lados. O texto é acritico, ou pior, assume q a única coisa possível é o clubismo, ie, nada. Ninguém percebe o q se defende, discutem-se simplesmente posições. Ao Pedro Adao e Silva pagam-lhe para escrever assim, ie, dentro de um campo limitado de visão e ambição, identificador de uma suposta gravitas e senso comum q só da merda e vende merda. E entre textos lidos, requentados e regurgitados e pensados com muita gravitas não sai qqer puta de uma ideia sobre nada. O q é q o Costa tem de gerir com muito cuidado Moreira? O nada? Foda-se!

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