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As idiossincracias do país e sobretudo dos políticos a que temos direito não deixarão nunca de surpreender. Parecemos andar em contramão ao que vai acontecendo no resto do mundo, por vezes pelas melhores razões, quase sempre pelas piores.

Enquanto alguns países europeus enveredam por leis cada vez mais restritivas no que diz respeito à entrada de imigrantes, este Governo tem optado por uma política de protecção a imigrantes verdadeiramente inovadora. Aconselham os portugueses emigrar, a sair da zona de conforto e criam uma tempestade perfeita na economia que apenas poderá de facto levar à actual dose maciça de emigração - de entre os países sob resgate, Portugal é mesmo aquele onde o maior número de pessoas "escolheu" emigrar -, ao mesmo tempo que escancaram as portas do país ao chamado "investimento estrangeiro" - novilíngua para umas centenas de membros das tríades chinesas e oligarcas russos (e até empreendedores colombianos, imagine-se) -, criando vistos gold que concedem benefícios fiscais a que poucos portugueses têm direito e liberdade de circulação dentro do espaço europeu. Este empreendedores russos, chineses, angolanos, colombianos, certamente por amor a este verdadeiro óasis de sol e campos de golfe, escolhem fazer negócio em Portugal - 500 milhões em 2014, segundo o irrevogável -, ou, por outras palavras, compram as casas que o mercado interno deixou de comprar e depositam dinheiro a juros invejáveis e sem pagar impostos. Têm o sol, as praias, o golfe e têm sobretudo o dinheiro impecavelmente limpo depois da sujidade adquirida nos seus países de origem. Negócio perfeito.

Por outro lado, Pedro Lomba - de regresso depois do fiasco dos briefings - quer atrair cérebros do exterior, e por isso decidiu extinguir o Alto Comissariado para a Imigração e o Diálogo Cultural (ACIDI), criando o ACM, Alto Comissariado para as Emigrações. Porquê? Para chamar a Portugal os imigrantes de "elevado potencial". Portanto, a ideia será esta: mandar embora os investigadores nacionais, cortando o apoio à ciência de forma brutal, e chamar os investigadores estrangeiros. Expulsar os bons portugueses para arranjar lugar para os bons estrangeiros. Ou então os portugueses não serão suficientemente bons - e, pelo que disse o primeiro-ministro sobre os resultados da investigação em Portugal, deverá ser mais isto que está em causa.

Mas, não bastasse este zelo progressista do Governo, também o líder do maior partido da oposição tem ideias inovadoras para tratar estes "investidores estrangeiros". Pretende ele que sejam criados tribunais que agilizem os negócios de estrangeiros. Maravilhosa ideia. Enquanto a ralé lusa tem de lidar com os habituais atrasos processuais, a incompetência e a burocracia instalada - e agora, também, com o encerramento de 49 tribunais por todo o país - os estrangeiros poderão usufruir de uma verdadeira via verde da justiça. Justiça de primeira para estrangeiros e de segunda para portugueses, parece ser esse o objectivo de Seguro. É um génio.

Vivemos assim tempos de excepcional progresso, e não seria surpreendente se um qualquer organismo da ONU viesse premiar o esforço de Portugal na integração de imigrantes. E quem sabe se, substituindo os cinco milhões de portugueses que ainda não conseguem descortinar o génio das políticas governamentais nem o milagre económico por estrangeiros agradecidos por terem um porto de refúgio para o seu dinheiro ou um centro de saber "virado para as empresas", o país não entraria definitivamente no rumo da modernidade. O melhor povo do mundo é bom, mas pode ser sempre recalibrado. Basta ter vontade.

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5 comentários

De Sérgio a 10.02.2014 às 16:17

Fogo... que distopia. Mas que se poderia esperar de um bando de sabujos que desde sempre viveu à custa das "migalhas" dos donos?

Continuam a tradição, bem portuguesa diga-se, de "dar um jeitinho" à espera que caia algum.

Mas, já agora Sérgio, não nos podemos esquecer os politicos são portugueses na mesma, não foram paridos por alienigenas. Isso também explica porque os tugas não se revoltam apesar de estarem a ser sodomizados social e económicamente desde 2007 (bom, ainda mais sodomizados)...

De Joe Strummer a 10.02.2014 às 16:39


Gostava de perceber o q o Sandokan está a cantar...pelo final parece q o video
é uma campanha de angariação de sócios indianos para o glorioso:)

Esta onda de incentivo à emigração lá para fora e cá dentro, e o tratamento de refugiados dado aos poortugueses, é um apoio subliminar à candidatura de Guterres.;) Por favor, não! Dois panhonhas, não.

De Sérgio Lavos a 11.02.2014 às 10:27

Seguro no Governo e Guterres na presidência: perspectiva nada animadora, apesar do duo Passos/Cavaco estar a ser um pesadelo.

De Joe Strummer a 11.02.2014 às 11:24


Penso q esse ticket está fora de questão. Por motivos diferentes não acredito que Guterres, Socrates ou mesmo Costa sejam candidatos. Pensando bem, nem tenho acerteza q Seguro vá a PM.

Gostaria de uma candidatura de Guilherme de Oliveira Martins (acho que tem o perfil exacto para PR, tanto intelectual como cultural) mas ainda mais de uma candidatura feminina oriunda do centro-esquerda. As mulheres têm menos problemas em dizer não. Mas quem?

De Joe Strummer a 11.02.2014 às 08:10


O George Monbiot coloca bem a questão. Hoje Orwell seria preso por apoiar e combater ao lado de um grupo terrorista.

http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/feb/10/orwell-hero-terrorism-syria-british-fighters-damned

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