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05
Jan

 

O meu artido no Diário Económico de hoje: 

 

A proposta de proibir que qualquer cidadão venha a perder a sua casa por dívidas fiscais é uma medida, a um tempo, e apenas como exemplo, socialmente justa e economicamente sensata.

Pela frente, temos eleições presidenciais e um interessante imbróglio para resolver. Aquele que parece ser um melhor Presidente, pelas suas qualidades pessoais, visão da política e do exercício da função presidencial, e tendo em conta o momento que o País atravessa - Sampaio da Nóvoa -, está a revelar -se um candidato menos convincente do que se esperaria.

Por outro lado, Marcelo Rebelo de Sousa é um candidato imbatível nessa função. Um político experiente, comentador há mais de dez anos na televisão, com um grau de notoriedade único e irrepetível, emana energia e dinamismo numa campanha em que aposta tudo em não se comprometer com nada. Por muito que, nas ruas, simpatizem com ele (e, pessoalmente, sou um deles) não acredito que seja o Presidente que o País precisa.

Veremos quem ganha: se o melhor candidato, se o melhor Presidente. As urnas decidirão. Em qualquer caso, o novo Presidente terá de começar por mostrar que sabe lidar com o quadro político que os portugueses desenharam. Essa não é uma escolha do novo Presidente, é um dado com que terá de contar.

O ano de 2016 promete, ao menos, uma oportunidade. A oportunidade de ter um ciclo político sem Cavaco Silva (foram muitos e longos anos), sem uma política austeritária que deixou um legado pesado ao País e sem – até agora – um discurso entre o miserabilista e o passa-culpas que pautou demasiadas vezes sucessivos Governos.

À economia será dado algum espaço para respirar e é preciso que ele seja aproveitado. Temos, é verdade, uma dívida pública maior do que nunca. Temos, é verdade, um défice que continua por controlar, pese embora o enorme aumento de impostos de Vitor Gaspar, que ainda estamos a pagar. Temos, ainda, um Estado menos capaz do que no passado de assegurar políticas sociais mínimas em áreas críticas como a Saúde, a Educação ou a Segurança Social.

Mas temos, por outro lado, a força de trabalho mais qualificada de sempre, mesmo descontando os que emigraram. Temos, também, uma dura aprendizagem feita a expensas próprias sobre a importância de exportar mais. Esse será, talvez, o único legado duradouro dos últimos anos e aquele que importa reter. Temos, por fim, uma Europa um tudo nada menos ortodoxa e intransigente porque, por um lado, a Alemanha está a braços com outras prioridades e porque, por outro, já percebeu que se mata a periferia do seu mercado interno, mais dia menos dia, isso lhe custará também qualquer coisa.

Não é um cenário inteiramente brilhante, decerto, mas é o menos mau desde, pelo menos, 2011. Mas se o País onde nasceu a actual crise mundial em 2008 conseguiu sair dela com relativo sucesso, não podemos exigir a nós próprios menos do que isso. Precisamos de recuperar salários, a par do aumento da produtividade dos factores de produção (e não só do trabalho, como tanto se gosta de insistir), e de voltar a crescer. Pouco, dirão, mas alguma coisa sempre é melhor que sucessivos trimestres de recessão como vivemos recentemente.

Os políticos parecem dispostos a fazer a sua parte. Resta aos empresários, gestores e trabalhadores fazer a sua. Este pode ser um bom ano. 

 

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6 comentários

De Inês a 05.01.2016 às 15:19

A ver vamos...

De "Penso eu de que..." a 05.01.2016 às 16:47

Bierce , Ambrose

A política é a condução dos negócios públicos para proveito dos particulares.

Maistre , Joseph

Todas as nações têm o governo que merecem.

Marx , Groucho

A política é a arte de procurar problemas, encontrá-los em todos os lados, diagnosticá-los incorrectamente e aplicar as piores soluções.

Stevenson , Robert

A política é talvez a única profissão para a qual se pensa que não é precisa nenhuma preparação.

Moravia , Alberto

Curiosamente, os votantes não se sentem responsáveis pelos fracassos do governo em que votaram.

Saramago , José

Nada me chateia mais do que ouvir um político dizer que não devemos criar alarme social. A sociedade tem de estar alarmada, que é a sua forma de estar viva.

Voltaire

Os Reis são para os seus ministros como os cornudos para as esposas: nunca sabem o que se passa.

Pessoa , Fernando

A política é um erro de vaidade daqueles que nascem para cocheiros..



De Joe Strummer a 05.01.2016 às 16:49

O ano de 2016 e um ano complicado. E bisexto, ie, da para os dois lados. E por isso preciso ter muito sentido de estado na defesa dos valores de Abril, mas também dos valores em Maio, Junho, Julho etcc por ai a fora. No Carnaval, perdão, em Fevereiro, empossar-se-houver o novo PR (relacoes publicas em portugues) e so a partir dai se começar-ha verdadeira e mente o novo ciclo politico. Para sermos o Brasil so nos falta a Petrobras que o bacalhau já temos.

De Carlos a 06.01.2016 às 09:05

Sem grande novidade desapareceu deste blog o interesse e a crítica à actividade governativa.As mortes nas urgências dos hospitais, o aumento de 2.000 milhões de dívida publica em Novembro faltando contabilizar o impacto do BANIF, o orçamento rectificativo chumbado pela "maioria que suporta" o governo, as borlas da CP, o virar de página da austeridade ( gargalhadas, aumentos de pensões inferiores a 1 euro ) e o fim do emprobrecimento,etc .. etc.Os convivas , tal como alguns deputados\as do PS com direito a artigo de opinião em vários jornais, continuam a ocupar o tempo e o espaço como se a campanha eleitoral ainda estivesse em vigor e o governo não tivesse mudado. Continuam-se a proclamar generalidades sobre o enfraquecimento dos serviços prestados pelo estado, nomeadamente o SNS, a educação e a segurança social . Uma leitura dos dados das entidades Nacionais e transnacionais que se ocupam dessas coisas, desmentem essa fraqueza , mas o discurso continua . Dizem também que continuamos a pagar o brutal aumento de impostos, é verdade que sim , a falência do país e as suas consequências não desapareceram com o fim do governo Sócrates , essa sim é duradoura, e quem proclama que a falência se resolve por decreto não pode ser levado a sério . De repente as exportações tornaram-se importantes, o empenho de trabalhadores, empresários e gestores fundamental.Vislumbra-se mais uma porta aberta para justificar o eventual fracasso das novas políticas.PCP e BE vão marcando a agenda parlamentar com revogações, recomendações e afins.Espera-se pacientemente pela chegada do dia em que o governo comece a governar e não se limite a andar a reboque destes dois partidos. Os debates dos presidenciáveis parecem mais de concorrentes a primeiro ministro, discutem-se políticas e programas quase de governo, discute-se quem disse o quê há 10 anos atrás, quem é mais independente , quem é mais comentador , quem é que disse mas não disse.Em abono da verdade , tal como aconteceu nas legislativas, os jornalistas ainda são mais fracos que os candidatos, é um tédio assistir ao triste espectáculo que tem sido dado diariamente. Pelo que tenho visto e ouvido , Henrique Neto tem sido o único com um discurso consistente de candidato a PR , os restantes enredam-se em justificações, acusações , críticas ao governo anterior, ao PR actual e a ao candidato Marcelo.Até já li neste blog que MRS era afilhado de MC e que por isso era fascista, fazia-se de democrata, e como tal não podia ser eleito. Não fosse o facto de MRS não ser afilhado de MC e de se tratar de uma eleição para o primeiro magistrado da nação até teria piada.

De não acredito... a 06.01.2016 às 15:48

Era, isso sim, filho de Baltasar Rebelo de Sousa e esse sim, Médico de formação, era licenciado em Medicina e diplomado nos cursos de Medicina Tropical e Medicina Sanitária. Enquanto estudante foi comandante do Centro Universitário de Lisboa da Mocidade Portuguesa, Em 1953 foi eleito deputado à Assembleia Nacional pelo círculo de Évora e, em 1957, foi eleito pelo círculo de Braga. Após o 25 de Abril de 1974 viveu alguns anos no Brasil, onde foi administrador de empresas no estado de São Paulo, leccionou em diversas universidades e pertenceu a várias associações culturais Luso-Brasileiras, tendo sido feito Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.

Como podes ler... até "cavou" para o Brasil não fosse o Diabo....

E por favor pára de dizer disparates fascista - salazaristas e a propósito, ainda tem dinheiro (naturalmente) para andares aqui a postar... Quanto pagam?

De Carlos a 06.01.2016 às 19:01

Pelos vistos não disse nenhum disparate, MC nunca foi padrinho de MRS como aqui escreveram e como você confirma.Já agora pode-se entreter a estudar a árvore genealógica dos outros candidatos e a fazer deles democratas ou fascistas conforme os padrinhos que tiveram. A mim pagam-me quase tanto quanto lhe pagam a si.

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