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23
Mai

Abdicar da democracia

por Sérgio Lavos

Sobre a abstenção e a pureza dos abstencionistas, só me apetece dizer isto: os partidos do poder têm gente que se infiltra nos movimentos e nos grupos que apelam à abstenção. 
Basta parar para pensar um pouco para percebermos quem é mais beneficiado pelo não-voto. A abstenção, os votos brancos e os votos nulos, são excluídos da votação final; não ocupam lugares no parlamento; não legislam, não decidem sobre as nossas vidas; são igual a zero, soma de nada. Quanto mais alta é a abstenção, mas alta a votação nos partidos do poder parece, sobretudo porque quem continua a votar nesses partidos fá-lo fielmente. O verdadeiro voto de protesto não é o de soma nula, é o que é oferecido aos partidos que propõem soluções diferentes para os nossos problemas. A abstenção serve apenas para perpetuar as políticas que nos trouxeram aqui e que estão a destruir o país. Serve a estagnação e a manutenção dos privilégios dos mais ricos. Serve os partidos que ocupam o poder, apenas isso. Abdicar do voto é abdicar da democracia. E apenas com mais democracia, maior participação, podemos combater este estado de coisas. Simples, não é?

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5 comentários

De Joe Strummer a 23.05.2014 às 18:51


Valorizo a proposta do Livre. Lembro-me sempre do "I'm Free" dos Stones e do Tommy dos the Who. A importãncia da musica popular na inspiração politica é demasiadas vezes ignorada e este contributo inestimavel só pode ter o meu apoio. Se duvidas houvesse, votava sempre na papoila. Posso bem abdicar do voto e talvez da democracia, nunca poderei abdicar da musica.Nunca! Obrigado Rui Tavares.

Ps- Anda tudo a indignar-se por causa disto e daquilo e ninguem se indigna com um gajo que tem o principal grupo de media do país andar em comicios do partido q está no governo? Fonix em q outro país isto se passa?!! É q ninguem diz nada (da esquerda à direita)!! e depois fazem apelos ao voto para se salvar a democracia;)) Mas qual democracia, fonix!! Ahahah

De Joe Strummer a 23.05.2014 às 19:03


Bem..pensando melhor, peço desculpa ao dr. balsemão. Nunca se sabe se não poderá surgir um convite para escrever numa das publicações do grupo. Peço imensa desculpa dr. balsemão estava mesmo fora de mim, não pensei na minha vidinha.Olhe...acontece.

De Sérgio Lavos a 23.05.2014 às 23:12

Bem vindo ao clube Joe! :) e sim, não é normal o dono de um império mediático intervir desta maneira na campanha de um partido. Mas neste país passou a ser tudo aceitável desde há algum tempo. Inacreditável.

De Joe Strummer a 24.05.2014 às 14:20


Não sei se será só "one night stand", mas sempre gostei da abordagem do Rui Tavares à esquerda. A esquerda não tem q ser colectivista, nem defender ditaduras. A apropriação do pensamento de esquerda pelas experiências/tendencias asiaticas, ou euro asiaticas, deformou em grande parte o verdadeiro patrimonio e concepção de esquerda. Que não tem dono e é muito mais "velho" que Marx ou Rousseau ou Cristo ou qualquer outro profeta. A esquerda começa quando num longinquo passado alguem se lembrou de questionar a pirâmide primata.
É endireitar os desequilibrios naturais do mundo modelados pelo arquetipo mental que nos rege. É um desasssossego, não um esquema ou uma permanência. Mas não é deitar tudo a perder. É perder e aprender, e sobretudo, não repetir.

De Joao Garcia a 12.04.2015 às 16:56

Se são todos os mesmos voto em quem.
Muda-se o moleiro mas não se muda o ladrão.
Nada vale é certo, mas quando chegar a abstenção a 70 ou 80% logo pensam.

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