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31
Jul

A Última Oportunidade

por Frederico Francisco

Por muito que António José Seguro diga o contrário, o resultado das eleições europeias deixou claro que o PS não é, aos olhos dos eleitores, uma alternativa credível ao actual governo PSD/CDS. Para mais, o facto de António José Seguro ter classificado este resultado como “uma grande vitória” dá um preocupante sinal de que um resultado semelhante a este nas legislativas do 2015 seria satisfatório para si. Podemos interrogar-nos se o único objectivo do actual líder do PS é chegar a Primeiro-Ministro, independentemente das circunstâncias.

Não há nenhuma razão para acreditar que este PS possa ter um resultado muito diferente nas próximas eleições legislativas, não sendo sequer claro que as conseguisse ganhar. Nessa situação, qualquer cenário viável de governabilidade teria de incluir o PS e o PSD.

Se imaginarmos um governos de “bloco central”, com ou sem CDS, com este PSD e com um PS que não tem sequer um diagnóstico diferente sobre a actual crise que atravessamos, não é difícil concluir que a governação não poderia ser muito diferente, já que continuaria a assentar no pressuposto que foi o “despotismo do passado” que levou Portugal “à beira da bancarrota”. Esta é a principal razão pela qual o PS não foi capaz, até agora, de se apresentar como alternativa polarizadora ao actual governo: tudo o que tem para oferecer é uma espécie de “austeridade fofinha” que não põe em causa a “narrativa” vigente.

É por esta razão que se tornou imprescindível uma clarificação no PS, que só poderia ser obtida com uma disputa pela liderança. Não quero agora discutir se o modelo em que essa disputa se está a realizar é o mais adequado, mas estou convencido que estamos perante uma das últimas oportunidades para o actual sistema partidário, em particular, para os dois grandes partidos portugueses.

O único factor que pode desbloquear a actual situação política e permitir que se abra um novo ciclo significativamente diferente do actual é um PS que se apresente a eleições com a possibilidade credível de obter uma maioria absoluta. A equipa de António José Seguro não mostrou até agora estar em condições de conseguir isso. Pode-se argumentar que António Costa pode também não o conseguir, mas todos os dados (sondagens, opinião publicada, etc.) levam a crer que estará em muito melhores condições para tal.

Não restarão muitas oportunidades para travar o declínio dos dois grandes partidos do nosso regime. Apenas um resultado forte do PS permitirá, não só mudanças significativas na governação, mas também a negociação de acordos à sua esquerda. Só assim poderá o PSD ir para a oposição e iniciar um processo, que será doloroso, de regeneração do partido após esta passagem pelo governo. Mas apenas um PS que seja, de uma forma clara,  programaticamente distinto do PSD poderá conseguir um resultado forte.

Se estas condições falharem, estou convencido que continuarão a crescer as condições que favorecem o aparecimento e crescimento de movimentos políticos de natureza populista ou de franja e ficaremos mais próximos de ter um sistema partidário irreconhecível.

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