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“Would you be angry with half a century of politics that has seen the place in which you live gently rot? Where governments and parliaments have come and gone with little to show for it except a bypass?”



“What more harm can be done? Wouldn’t you put pride and patriotism ahead of pounds in your pocket?”



O que terá a Europa a ver com a falta de desenvolvimento económico e social de comunidades do Reino Unido? Não será isso culpa do governo britânico? Sem dúvida. Mas não só.



A União Europeia falhou na criação de uma comunidade pan-europeia com legitimidade própria, que assim fosse sentida pelos povos europeus, provavelmente porque muitos dos governos europeus nunca a quiseram verdadeiramente construir. Em vez disso temos cada vez mais uma visão instrumental do projecto europeu. A UE é boa porque nos traz paz e desenvolvimento económico e social. Ou assim rezam as crónicas.



O problema é que para muitos, se não quase todos, essa economia europeia pujante é uma miragem. O declínio económico e social e a pobreza, ou dizendo melhor as percepções do mesmo, mais do que os dados concretos, estão espalhadas pelos países europeus. E fortalecem não só o anti-europeísmo como a xenofobia e o racismo estando a pôr em causa os próprios pilares da democracia. E isso também é culpa da União Europeia, cujas políticas cegas de austeridade levam inevitavelmente a esta lenta tragédia.



Dizem-nos que a UE é fonte de desenvolvimento económico e social. Se não o vemos, a culpa é também da própria UE.

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1 comentário

De Jaime Santos a 21.06.2016 às 23:03

Não podemos esperar o aparecimento de uma espécie de patriotismo europeu tão cedo, quando essa mentalidade demorou séculos a desenvolver-se nos Estados individuais e só se consolidou de facto a partir do sec. XIX com a introdução da instrução pública. Mas, se quiser, eu confesso que aquilo que mais valorizo na minha condição de Português são as oportunidades que tenho tido, a liberdade de que gozo, os serviços públicos de que beneficio e o facto de viver numa sociedade razoavelmente decente em que as pessoas se preocupam com o próximo. O meu patriotismo poderá parecer algo interesseiro, admito-o, mas é sobretudo um patriotismo de Constituição. De onde segue que, para mim, essa visão instrumental do projeto europeu é mesmo uma coisa muito boa. Períodos de paz e prosperidade são, em termos históricos, relativamente raros... Por isso é que desconfio fortemente daqueles que contestam o projeto europeu declarando a priori que a UE é uma construção pouco democrática irreformável, exclusivamente ao serviço do capitalismo, e que deve ser destruída dando lugar não se sabe bem a quê (aos estados-nação mais a respetiva carga chauvinista associada, que hoje vemos relegada para o hooliganismo no futebol?). Mesmo o fim da moeda única, que provavelmente seria desejável, não pode ser discutido de ânimo leve, porque sabemos que episódios anteriores semelhantes conduziram a períodos de hiper-inflação com perdas massivas das poupanças da classe média, o sustentáculo da Democracia...

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