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Sem antídoto conhecido.

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05
Mar14

A honra dos canalhas

Sérgio Lavos

É certo que o maior canalha, quando confrontado com a sua natureza, desmente energicamente tudo e chega a ficar ofendido com as acusações. Todos nós já passámos por isso na vida - encurralado nas suas próprias mentiras, o canalha ataca com o desespero de quem nada tem a perder, provando com os seus actos que a ética é sempre relativa ou inexistente. 

O que aconteceu hoje na Assembleia da República é a prova destas premissas. Questionado por Catarina Martins sobre a quebra da promessa de que os cortes nos salários e nas pensões seriam provisórios, Passos Coelho sentiu-se ofendido, e invocando a defesa da honra, recusou-se a responder à pergunta da deputada*. Instado pela presidente da Assembleia a responder depois de interpelação de Pedro Filipe Soares, o líder da bancada do BE, Passos volta a recusar-se. Como ousam, de facto? Como ousam colocar em causa a palavra do primeiro-ministro? Inadmissível! É que, vamos lá ver, o universo onde de facto as promessas são quebradas é paralelo àquele onde vivemos, só pode. Pedro Passos Coelho, em campanha para primeiro-ministro, prometeu não cortar o subsídio de Natal, não baixar salários e não cortar pensões. Alçado ao pote, tudo o que tinha prometido não acontecer, aconteceu. E as promessas, repetidas ao longo dos últimos três anos, de que os cortes na Função Pública e nas pensões seriam provisórios, também estão prestes a ser violadas. Mas parece que, para este primeiro-ministro, a violação de promessas e a mentira descarada acontecem num qualquer universo paralelo. Porque só assim se entende que tenha decidido reclamar a defesa da sua honra na recusa a uma pergunta feita por uma deputada da Assembleia da República, eleita democraticamente. Porque neste universo, este onde vivemos, um mentiroso é um mentiroso, e Passos Coelho é um mentiroso. E um mentiroso não tem honra, é um reles canalha. Ainda mais canalha porque invoca a defesa de algo que, manifestamente, não tem. E a honra entre ladrões e canalhas tem um preço: as nossas vidas. O pior de tudo, no meio desta choldra sem nome. 

 

*O BE acabou, e bem, por abandonar o parlamento. Pena é que os restantes partidos da oposição (com a excepção de alguns deputados do PS) não o tenham feito. É que a casa da democracia - como Assunção Esteves não se cansa de repetir - tem de ser respeitada pelo senhor primeiro-ministro. E se este não a respeita, que o façam os deputados que supostamente nos devem servir. 

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«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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