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Excelente o trabalho do Dinheiro Vivo, recorrendo ao Observatório da Emigração:

 

 

110 mil emigrantes só em 2013, o que dá nada mais, nada menos que 260 portugueses a saírem, por dia, do país desde 2011.

Aí a representação dos media parece bater certo com a realidade. O que não parece bater certo é o fenómeno da fuga de cérebros, já que emigrantes com a qualificação de ensino superior constituem apenas 10% do total da emigração. É evidente que 11 mil pessoas com ensino superior faz mossa, mas nem de perto nem de longe confirma o cenário descrito da frase "fuga de cérebros".

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2 comentários

De António a 01.08.2014 às 07:07

Não consigo perceber muito bem como é que é quer comprovar ou não a chamada fuga de cérebros com os gráficos e tabelas que apresenta.
A distribuição por nível de formação reflecte a média da população portuguesa e, nesse sentido, não parece haver uma percentagem superior de licenciados ou com com qualificações superiores a abandonar o país.
Mas nem todos os licenciados, mestres ou doutores são "cérebros" e é aqui que reside o mito dessa expressão que, aparentemente, quer muito clarificar.
A realidade é que ainda que possamos ter o país inundado de milhares de pessoas oficialmente muito graduadas, basta que saiam um punhado de pessoas realmente inteligentes e com capacidades de contribuir para o desenvolvimento do país para que essa fuga seja efectiva - e é exactamente estas pessoas que, neste momento, Portugal não consegue fixar.
Se não quisermos ser tão redutores, a não discriminação do tipo de licenciados que partem também não ajuda: seria importante saber se saem, por exemplo, mais licenciados em engenharias, tecnologia e informática ou outras especialidades já de si com pouca massa crítica mas fundamentais para a renovação do panorama empresarial nacional.
Eu também gosto pouco de mistificações e teorias da conspiração, mas onde é que acha que este mito é tão mais prejudicial que outros (ex: as causas da crise, a bondade da austeridade) para o querer desmistificar com dados tão ténues?

De mariana pessoa a 01.08.2014 às 11:48

Caro António,
Obrigada pelo seu comentário que, na realidade, leva a discussão um bocadinho mais à frente, em particular na sobreposição que se tende a fazer entre "cérebros" e elevadas qualificações (para a média portuguesa, claro está, em que apenas 10% da população activa tem qualificação igual ou maior ao 12º ano de escolaridade).
As questões que coloca são bastante pertinentes. No entanto, o único motivo do post é confrontar as representações dos media com os dados estatísticos. Na verdade, entendo que que as reportagens à porta das filas de embarque nos aeroportos entrevistando "enfermeiros, engºs e arquitecos" tem a mesma fiabilidade das reportagens sobre a criminalidade violenta. Isto é: aumentam a percepção subjectiva de um sentimento epidemiológico de insegurança, com a ideia de que são roubos e ataques em barda, levando as pessoas a achar que isto nunca esteve tão mau (ao que se segue "este país precisava era de 1 Salazar"). A mesma coisa acontece com este tópico da emigração de gente qualificada (e sim, a sobreposição com "cérebros" é abusiva, mas continuo a acreditar na proporcionalidade da mesma). Quem se ficar pelas reportagens e pelas manchetes, acredita piamente que há um êxodo massivo de gente altamente qualificada, e esse era o ângulo deste post.
Quanto ao resto, não me passa pela cabeça com isto que mostrei diminuir o impacto da incapacidade crescente de fixar "cérebros", resultante ou não desta austeridade suicidária para o presente e para o futuro do país.

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