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365 forte

Sem antídoto conhecido.

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29
Mar15

Eleições a caminho

Sérgio Lavos

A central de propaganda do Governo anda de mãos cheias. À medida que se vai aproximando a época eleitoral, o trabalho vai aumentando, e com tantos casos a saltar cá para fora, é preciso acorrer a muitos incêndios, fazer o necessário spin nas redes sociais e nos jornais e lançar diariamente um punhado de boas notícias sobre o extraordinário "milagre económico" que Portugal está a experienciar.  

Como este é, de longe, o Governo com a mais alta taxa de casos por ministério, podendo orgulhar-se de pelo menos uma vez por semana um ministro, ou um secretário de Estado ou um adjunto meter os pés pelas mãos publicamente ou ver ser revelado um qualquer pecadilho cometido algures no passado (neste aspecto, o primeiro-ministro dá o exemplo, sendo a principal fonte de escândalos), é preciso aproveitar cada boa notícia que sai. E antes que a boa notícia chegue, é obrigatório também ir criando na opinião pública expectativas, construindo um crescendo que culminará na novidade que confirmará o desempenho espectacular do Governo. 

Tem sido assim com as notações para a dívida portuguesa. Há umas semanas, deixaram escapar que a Standard's & Poor iria alterar o rating da dívida portuguesa. Infelizmente, a agência acabou por manter o nível de "lixo", chamando a atenção para a possibilidade das metas governamentais para o défice e para o crescimento económico serem demasiado optimistas. Depois, foi sendo criada expectativa sobre a Fitch, e vários colunistas em jornais económicos asseveraram que seria provável que a Fitch alterasse a sua notação. Há dois dias, lá veio o esperado comunicado e afinal a notação da agência mantém-se, nível BB+, equivalente a lixo. Mais: no comunicado, são realçados vários riscos que justificam a nota, entre os quais a descrença no cumprimento da meta do défice, assim como a previsão de que o crescimento económico será inferior ao previsto pelo Governo. De positivo, a agência realça que as eleições não apresentam um risco acrescido, dado que o partido que lidera as sondagens, o PS, é pró-europeu e não apresentará grandes divergências em relação ao rumo seguido.

E como poderá a propaganda dar a volta a isto? Mentindo, descaradamente, uma vez mais. Passos diz que agência não subiu o rating porque espera por eleições, elogiando de passagem as famosas reformas estruturais que estão a ser feitas. Nada disso aparece no comunicado da Fitch; o que lá está é precisamente o contrário do que o primeiro-ministro afirma. Não é a primeira vez, e até o suplício acabar, lá para Outubro, ainda irá acontecer muitas mais vezes. A realidade não se acomoda ao discurso governamental? Adapta-se a realidade, distorcendo números, propagando mentiras, inventando cenários que não vão acontecer. E com o agora explícito apoio do presidente da República, a campanha vai-se fazendo. Vale tudo, mesmo, até às eleições. A vergonha já se perdeu há muito. 

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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