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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

20
Jul13

Under Pressure

David Crisóstomo

Ai que ele cedeu à pressão. Ai que o Seguro cedeu às pressões dos socráticos, dos costistas, dos soaristas, dos alegristas, dos arnauistas, dos galambistas - cedeu aos pressionários que pressionavam o pressionável. Ai que ele ele cedeu àquela corja. Ai que ele o mundo está perdido, a sociedade vilipendiada, os valores destruídos, a democracia condenada. Ai que horror, pois sabemos que quando um líder eleito age conforme a vontade da maioria, a democracia terá os dias contados. Ai que temos organizações partidárias ao 'estilo leninista', como dizia ontem o impressionável Henrique Monteiro na nunca-pressionável SIC Noticias. Ai que houveram pressões, expressas em desejos e manifestações de preocupação por parte de militantes do Partido Socialista, e o seu secretário-geral, cobardolas, ouviu-as. Ai que isto parece a Bucareste de Ceausescu, a Pyongyang de Kim Jong-il, a Pequim de Mao Tse Tung, a Havana de Fidel Castro, a Minsk de Lukashenko, a Caracas de Chavez, o Funchal de Alberto João Jardim. Ai que isto é um terror, que já não há salvação nacional devido a estas demoníacas pressões, como relata o doutor das Anti-Pressões, Ribeiro e Castro, que defende que um líder não faz follow a ninguém. Ai que isto tem que ser denunciado, um líder a ceder à maioria, é uma ditadura, ou o prenúncio de uma, acudam, o Paulo Rangel que se ponha aos berros lá no plenário do Parlamento Europeu, o mundo tem que saber que em Portugal há líderes de partidos que representam a vontade dos seus militantes. Ai que o líder é fraco, 'mostra a falta de coragem que ja se lhe conhecia para enfrentar o o seu partido' como diz bravo deputado da nação Luís Menezes, membro daquele partido onde o presidente se está, aparentemente, a lixar não só para as eleições, como para a vontade dos seus militantes, pois é assim que um líder deve ser, que se foda a vontade da maioria, o líder é que sabe. Ai que o PS tem um líder que não vai salvar nacionalmente o país, que se recusou a fazer um acordo onde se comprometia com gente lunática e incompetente a desmantelar ainda mais o Estado Social português, que temos que ser todos salvos nacionalmente desse sacana que aumentou a qualidade de vida da população portuguesa como nunca na sua história. Ai que o Seguro é pressionável, ao contrário das gentes mui sérias e verdadeiras da direita cá do burgo, que nunca cedem a pressões, nunca ligam a opiniões, estão ali convictas, empossadas pelo Espírito Santo na sua missão messiânica de salvar a pátria, de fazer consensos em seu redor, de nos liderar para o abismo. Ai que o líder do PS mandou a imbecil ideia do 'compromisso de salvação nacional' de volta para o colo do nosso inepto Presidente da República, como dizia a decerto deveras pressionável The Economist. Ai que o anilhador de cagarras, representado pelo justo Justino nesta monumental trapalhada, vai ter que usar os seus poderes constitucionais, vai ter que decidir, ser responsabilizado, presidir. Ai que já o pressionam para ter o mínimo de sanidade e convocar eleições antecipadas. Ai que a democracia não aguenta tanta pressão. Ai que não aguentamos, os agentes políticos não podem ser pressionados pelo povo, nem ter medo do povo, já dizia Assunção Esteves enfadada. Ai que o Seguro cedeu a pressões. Ai que ele cedeu à pressão. Isto era muito melhor no tempo em que ninguém pressionava os governadores da nação, tipo aí há uns 40 anos atrás. Ai.

 

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«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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