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19
Jul

Sugados para o buraco

por Pedro Figueiredo

ITC2013@


Os jornais sempre foram um das pedras basilares de uma sociedade. Por variadíssimas razões que não vale a pena aqui aprofundar. São o fiel de uma balança que se quer equilibrada, com o papel que lhe cabe no regular funcionamento da vida de um país livre. Ou mesmo com censura, já que a história do jornalismo português tem muitos e felizes casos de jornalistas que conseguiam enganar o lápis azul e informar o que era preciso com uma arte e um engenho só alcance dos mais capazes.


A vida dos órgãos de comunicação social, à semelhança do que se passa, de resto, na quase totalidade do país, não está a passar pelos seus melhores dias. Especificamente nos jornais, cujas vendas decaíram na quase totalidade dos títulos, já por si a braços com um aumento significativo do preço do papel. Cortam-se nas sobras e o número de vendas desce na mesma.


A questão é se isso é suficiente para originar uma quebra na qualidade do produto vendido, designadamente na qualidade do jornalismo que é feito em Portugal.


O Jornal de Notícias já tinha sido, em 2012, o título que maior quebra nas vendas havia registado, em termos percenutais. O Correio da Manhã perdeu mais compradores que o JN, mas a queda mais significativa foi mesmo do jornal com sede no Porto.


As recentes manchetes do JN são um verdadeiro tiro no pé em termos editoriais. São escolhas, como outras quaisquer, mas que não deixam de sofrer as consequências como qualquer outra decisão tomada.


O jornalismo português saiu a perder. Há uma certa vertigem pelo buraco por parte do JN que acaba, quer se queira quer não, por manchar o que muitos consideram ser o quarto poder, a padecer dos mesmos males que os restantes três. Sai a perder o jornalismo português e mais concretamente o Norte. Depois de fechar o Comércio do Porto e do Primeiro de Janeiro estar como está (quem ainda não viu as primeiras páginas do PJ...), o JN era - e ainda continua a ser, vamos é ver por quanto tempo - o porta-estandarte da imprensa escrita a Norte. Sem ninguém atrás.


O mais curioso é que estas manchetes do JN surgem precisamente no momento em que Germano Silva, jornalista do Porto e do JN há mais de 50 anos, ganha o prémio Gazeta de Mérito.


O trabalho nas redacções já é difícil o suficiente para se esbanjar créditos de forma tão brejeira, que afecta inevitavelmente a credibilidade construída ao longo de muitos anos e muitas vezes à custa de enormes sacrifícios.

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