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08
Jul

"American exceptionalism is the proposition that the United States is different from other countries in that it has a specific world mission to spread liberty and democracy"

 

Chamem-lhe Presidente dos Estados Unidos, land of the free, home of the brave:

 

“American-style Stasi”:

A few days later, based on documents from Snowden, the German magazine Der Spiegel revealed that the NSA was spying on European citizens and diplomats en masse. The German response then became more unanimous, calling the spying an “American-style Stasi” and harshly criticizing – in unison – these activities. Finally having something to discuss other than Snowden’s current host nation, Obama attempted to deflect the issue of his government’s surveillance on European diplomats by saying that basically, everyone is spying on each other.


A dialog dependent on irony is a sign of lost control over a narrative. One can find the same tactic exemplified by Mahmoud Ahmadinejad when he deflected questions concerning human rights abuses in Iran, by focusing on actions by the US Government against journalists as well as US prison policy. It is telling when leaders of western democracies rely on the same rhetorical style.


E agora vão lá. Vão lá dizer que os países dispostos a receber Snowden têm, eles próprios, uma relação difícil com a liberdade de expressão. Isso é facto. Vão, digam que Putin mandou prender as Pussy Riot e que a liberdade russa é, no mínimo, exótica. Isso também é facto. Vão, digam que a China é condenada por atropelamento dos direitos humanos. Outro facto. E França também lida com o seu escândalo. Mas lembrem-se de outros factos também. Lembrem-se de Guantanamo e da inversão do ónus da prova, lembrem-se de waterboarding. Lembrem-se dos voos ilegais da CIA. E memorizem este Obama, Prémio Nobel da Paz, mestre de oratória e narrativa, apanhado em falso na explicitude dos comportamentos. Eu repito: "A dialog dependent on irony is a sign of lost control over a narrative" e a única razão por que toleramos isto mais do que toleraríamos caso outro país estivesse envolvido, é tão somente porque engolimos a tese da expepcionalidade americana desde pequeninos e agora dá preguiça. 

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3 comentários

De CRG a 09.07.2013 às 14:51

Boa tarde,

Permita-me que transcreva aqui um texto com alguns meses, que me parece descrever o actual zeitgeist:

"O uso excessivo de ironia fez com que esta, em vez de servir como forma de desmascarar as hipocrisias da realidade, se transformasse num instrumento de defesa sofisticado destinada a justificar compromissos, a desculpabilizar a realidade, permitindo que os seus utilizadores planassem sobre esta. No fundo passou a ser um artificio utilizado pelo "prisioneiro que ficou a adorar a sua cela".

A tirania da ironia revela-se não só na realpolitik mas na submissão resignada do sujeito ao mundo que o rodeia: a aceitação consciente do estado das coisas actuais e futuras e correspondente aproveitamento sob o manto de "todos assim o fazem".

A discordância dessa imutabilidade, a esperança numa verdadeira mudança é visto com sobranceria: um desejo simplista e anacrónico, defendido por demagógicos e populistas.

Intelectualizou-se tanto que os truísmos, as verdades evidentes por si mesmas, e todos os resquícios de moralidade são considerados datados, uma ingenuidade de outros tempos, mais simples, inaplicáveis aos tempos complexos de hoje. Um tempo de difusão de responsabilidade (http://en.wikipedia.org/wiki/Diffusion_of_responsibility) da qual o sujeito abdica em nome da liberdade para nada fazer."

Sobre a ironia/cultura, gostaria de sugiro a leitura deste magnífico ensaio do genial David Foster Wallace: http://jsomers.net/DFW_TV.pdf

Cumprimentos,

CRG

De mariana pessoa a 09.07.2013 às 22:23

Excelente comentário, obrigada pelas referências. Vou aprofundá-las. A prova de como comentários podem levar os posts mais além. Volte mais vezes, CRG.

De CRG a 10.07.2013 às 11:32

Bom dia,

Obrigado pelos seus amáveis elogios.

Costumo passar os olhos por aqui, mas como sou do tempo da web 1.0 raramente comento.

Aproveito, igualmente, a oportunidade para a convidar a visitar o http://doisolhares.blogs.sapo.pt, no qual participo e escrevi, entre outros, o texto acima transcrito.

Aviso, porém, que estes são redigidos sempre num primeiro impulso, o que a confiar nas palavras de Hemingway - e quem sou eu para discordar - , serão sempre uma porcaria.

Cumprimentos,

CRG

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