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Eu bem sei que está um calor tórrido e que já entrámos na silly season, mas o que acabou há minutos foi o remate perfeito para uma semana estapafurdiamente surreal. Na igreja do Mosteiro dos Jerónimos decorreu hoje a missa da entrada solene de Manuel Clemente como Cardeal Patriarca da Diocese Católica de Lisboa. Nesta cerimónia de duas horas, que a RTP transmitiu em directo (?!), onde o 'jornalista' ia apelando à "certeza de que Deus está sempre presente" (?!!), estavam também presentes inúmeras figuras públicas. E, à revelia do nº2 do artigo 4º da Lei da Liberdade Religiosa, estavam presentes o Presidente da República, a Presidente da Assembleia da República, o Primeiro-ministro, o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, o Presidente do Tribunal de Contas, o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros irrevogavelmente demissionário/Vice-Primeiro-Ministro indigitado e o Ministro da Segurança Social. 

Podem as pessoas que ocupam altos cargos da hierarquia da República ir a missas ou outros eventos religiosos? Claro.

Podem as pessoas que ocupam altos cargos da hierarquia da República ir a missas ou outros eventos religiosos nessa qualidade, representando as instituiçoes que presidem? Não.

 

 

 

E estavam estas figuras presentes nos Jerónimos enquanto altos dignitários do Estado? Parece que sim, pois havia meia dúzia de filas especialmente reservadas para suas excelências, tendo a disposição de lugares respeitado o protocolo de Estado, com a Presidente da Assembleia da República, o Primeiro-Ministro, o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e o Presidente do Tribunal de Contas na 1ª fila e os ministros Paulo Portas e Pedro Mota Soares na 2ª fila. E o Presidente da República? Pois bem, tinha dois cadeirões, dois tronos, especialmente reservados para ele e para a sua mulher...

 

 

Estamos em tempos bizarros, onde parecem ser poucos os princípios republicanos respeitados, onde parece não se compreender a importância de os preservar, de por eles batalhar. O governo (e o subserviente presidente) que abole os feriados da restauração da independência e da implantação da República, que viola repetidamente a Constituição e que aparenta desprezar a legitimidade popular é o mesmo que faz questão de estar representado ao mais alto nível na missa inaugural da principal figura da Igreja Católica em Portugal. E isto diz tanto meus senhores.

 

(*oração proferida durante a missa)


 

Adenda: para desmitificar qualquer dúvida, a Presidência da República já publicou no seu site as fotos da cerimónia

 

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9 comentários

De AntiJacobinos a 07.07.2013 às 21:43

"E, à revelia do nº2 do artigo 4º da Lei da Liberdade Religiosa, estavam presentes o Presidente da República, a Presidente da Assembleia da República, o Primeiro-ministro, o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, o Presidente do Tribunal de Contas, o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros irrevogavelmente demissionário/Vice-Primeiro-Ministro indigitado e o Ministro da Segurança Social"

Artigo 4.º
Princípio da não confessionalidade do Estado
....
2 - Nos actos oficiais e no protocolo de Estado será respeitado o princípio da não confessionalidade
....

Mas desde quando é que a uma cerimónia religiosa se aplica algo que diz respeito a actos oficiais e ao protocolo de Estado?! Será que ao menos sabe interpretar a lei?! Isto é cretinice ou é o jacobinismo que lhe tolda o entendimento?

De David Crisóstomo a 07.07.2013 às 22:02

ehehe, você está ai com problemas. ah isto não foi um 'acto oficial'? ora espreite o site da presidência sff.

De AntiJacobinos a 08.07.2013 às 12:30

Leia o comentário do Amador Ribas

De Regina de Morais a 08.07.2013 às 01:05

O PR assume os poderes de chefe de estado e religioso????????????!!!!!!!!!!!!!!!! E faz-se acompanhar pela comitiva real????!!!!!!!!!!!!! Estão presentes como bobos da corte?????!!!!!!!Que palhaçada é esta. Está tudo doido????????????

De Amador Ribas a 08.07.2013 às 11:56

O
"Artigo 4.º
Princípio da não confessionalidade do Estado

2 - Nos actos oficiais e no protocolo de Estado será respeitado o princípio da não confessionalidade."

Refere-se a actos oficiais organizados pelo próprio Estado o que não era o caso. Nec sutor ultra crepidam "

Cumprimentos


A. Ribas

De David Crisóstomo a 08.07.2013 às 12:53

essa é a sua interceptação camarada. valida, mas sua, 'tá a ver?
mas enfim, eheheh, eu não percebo nada disto não é? Vá, vá com Deus.

De Pedro Figueiredo a 08.07.2013 às 17:29

Actos oficiais organizados pelo próprio Estado? Isso quer dizer que quando não são organizados pelo Estado não há representações oficiais? Era o cidadão Aníbal e a cidadã Maria no Mosteiro dos Jerónimos? E o cidadão Pedro com Paulo logo atrás?

De Amador Ribas a 08.07.2013 às 18:24

Boa Tarde,

Vai aí muita confusão entre não confessionalidade e representações oficiais a convite.

Cumprimentod

De David Crisóstomo a 09.07.2013 às 13:47

tu também não percebes nada disto, o principio da não confessionalidade do Estado só se aplica quando este é o party planner, ya? fora isso, é na boa, cruzes, água benta & ámen com os órgãos políticos e judiciais. dah.

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