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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

07
Jul13

'pelos responsáveis pelo governo da nossa pátria, oremos irmãos'*

David Crisóstomo

 

Eu bem sei que está um calor tórrido e que já entrámos na silly season, mas o que acabou há minutos foi o remate perfeito para uma semana estapafurdiamente surreal. Na igreja do Mosteiro dos Jerónimos decorreu hoje a missa da entrada solene de Manuel Clemente como Cardeal Patriarca da Diocese Católica de Lisboa. Nesta cerimónia de duas horas, que a RTP transmitiu em directo (?!), onde o 'jornalista' ia apelando à "certeza de que Deus está sempre presente" (?!!), estavam também presentes inúmeras figuras públicas. E, à revelia do nº2 do artigo 4º da Lei da Liberdade Religiosa, estavam presentes o Presidente da República, a Presidente da Assembleia da República, o Primeiro-ministro, o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, o Presidente do Tribunal de Contas, o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros irrevogavelmente demissionário/Vice-Primeiro-Ministro indigitado e o Ministro da Segurança Social. 

Podem as pessoas que ocupam altos cargos da hierarquia da República ir a missas ou outros eventos religiosos? Claro.

Podem as pessoas que ocupam altos cargos da hierarquia da República ir a missas ou outros eventos religiosos nessa qualidade, representando as instituiçoes que presidem? Não.

 

 

 

E estavam estas figuras presentes nos Jerónimos enquanto altos dignitários do Estado? Parece que sim, pois havia meia dúzia de filas especialmente reservadas para suas excelências, tendo a disposição de lugares respeitado o protocolo de Estado, com a Presidente da Assembleia da República, o Primeiro-Ministro, o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e o Presidente do Tribunal de Contas na 1ª fila e os ministros Paulo Portas e Pedro Mota Soares na 2ª fila. E o Presidente da República? Pois bem, tinha dois cadeirões, dois tronos, especialmente reservados para ele e para a sua mulher...

 

 

Estamos em tempos bizarros, onde parecem ser poucos os princípios republicanos respeitados, onde parece não se compreender a importância de os preservar, de por eles batalhar. O governo (e o subserviente presidente) que abole os feriados da restauração da independência e da implantação da República, que viola repetidamente a Constituição e que aparenta desprezar a legitimidade popular é o mesmo que faz questão de estar representado ao mais alto nível na missa inaugural da principal figura da Igreja Católica em Portugal. E isto diz tanto meus senhores.

 

(*oração proferida durante a missa)


 

Adenda: para desmitificar qualquer dúvida, a Presidência da República já publicou no seu site as fotos da cerimónia

 

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«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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