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05
Jul



O embaraçoso episódio diplomático que teve Evo Morales como protagonista, no seu regresso de Moscovo a La Paz, deveria constituir uma lição para a Europa, que infelizmente não se vai verificar. O presidente da Bolívia estava obrigado a fazer escala num país europeu, cujas permissões de aterragem foram-lhe sendo recusadas em catadupa.


Os argumentos apresentados pelos diversos Estados falavam de impossibilidades técnicas, com Portugal a não fugir à regra. A verdade é que a suspeita que o presidente da Bolívia podia levar Edward Snowden a bordo fez com que os Estados Unidos movessem as suas influências para que tal fosse verificado.


Para não ficarem com o ónus de uma revista a um avião presidencial, o que certamente violará as leis internacionais válidas para a imunidade diplomática, ainda para mais quando se tratava de um chefe de Estado, a batata quente acabou por cair em Viena, curiosamente onde as Nações Unidas têm um edifício majestoso e onde se assinou a convenção das nações unidas que codificou o direito internacional referente a tratados.


Mais curioso ainda é que a Europa estava a ceder ao pedido dos Estados Unidos precisamente ao mesmo tempo em que as denúncias de Snowden faziam os aliados norte-amercianos na Europa perceberem que estavam a ser escutados na sua própria casa pelo parceiro do outro lado do Atlântico.


A reacção que a quase totalidade dos chefe de Estado sul-americanos tiveram é que constitui a lição que a Europa devia aprender e não aprende. Kirchner, da Argentina, desabafou nessa mesma noite que tinha falado com Morales e que o presidente da Bolívia estava calmo e tranquilo. Numa sala do aeroporto de Viena, enquanto esperava que o seu avião fosse revistado.


Kirchner tinha falado com Correa, do Equador, e começaram logo por perguntar aos ministro da justiça e dos Negócios Estrangeiros, se aquele tipo de acções eram legais. Maduro não perdeu tempo e, com discurso chavista, tratou logo de falar em agressão imperialista. Laura Chinchilla, mais diplomática, disse que a Costa Rica sempre defendeu o direito internacional. Até as FARC(!) chamaram infâmia ao que se passou com Morales. Sem haver uma união com tratado, os chefes de Estado sul-americanos mostraram como se comportar quando realmente há união.


Tendo Portugal sido um dos países que negou a Morales aterrar em Lisboa, tenho a certeza absoluta que se o presidente boliviano soubesse o que vai aqui dentro, perdoaria no mesmo minuto a decisão ao nosso país.

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1 comentário

De cristof a 07.07.2013 às 18:38

o trabalho feito em descobrir aliados negócios )favoráveis para as nossas industrias deitadas fora por garotos a governar (pena que os eleitores que os colocaram lá não o sintam directamente)
uma desgraça que esperemos não alastre ao Brasil.

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