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06
Jun

Dois anos de embuste

por Nuno Pires

 

Completaram-se ontem 2 anos desde as eleições legislativas que conduziram à posse do XIX Governo Constitucional.

 

Um Governo que foi eleito com base num programa eleitoral onde se lia, sobre o mesmo, que "resiste a qualquer teste de avaliação ou credibilidade". Um programa cujo conteúdo era infalível, pois, alegadamente, "tudo o [que] nele se propõe foi estudado, testado e ponderado".

 

A este bonito programa eleitoral juntaram-se várias promessas de facilidades e prosperidade, proferidas ao longo da campanha por Pedro Passos Coelho. Bastava afastar Sócrates, davam a entender várias vozes do PSD (e do PP) na altura, e tudo se resolveria como num passe de magia. Não era preciso despedir, não haveria aumentos de impostos, não haveria cortes em subsídios. Nada disto era necessário e até eram classificados como "disparates" os avisos que alguns já estavam a fazer de que aquele delirante cenário não tinha nada a ver com aquilo que estava a ser preparado.

 

Pelo caminho, também não faltaram insultos ao primeiro-ministro de então: Hitler, Saddam, Drácula, apenas para mencionar alguns. Política de alto nível, a desta rapaziada.

 

Mas a verdade é que esta deplorável estratégia foi premiada nas urnas. E eis-nos chegados a 2013, o ano em que, garantia Passos Coelho se fosse eleito, já estaríamos com as contas públicas "saneadas" (o que quer que isso quisesse dizer), o "exército de desempregados" já teria desaparecido, a dívida e o défice já estariam controlados e a descer a olhos vistos.

 

Nada disto aconteceu, mas, pior do que aquilo que não aconteceu... foi o que aconteceu: o exato oposto do que foi "propagandeado" em campanha eleitoral, a que se juntaram novas "ideias" que não foram sufragadas por ninguém. Dois anos depois, o país vê-se confrontado com o embuste colossal em que este Governo se transformou. A função pública está a ser atacada como se de um inimigo público se tratasse. Os pensionistas parecem ter adquirido o estatuto de cobaias privilegiadas de uma bizarra e indigna experiência de empobrecimento coercivo. Há desemprego a níveis nunca vistos, há aumentos de impostos, há cortes nas funções essenciais de um Estado que se quer Social, há cada vez mais casos preocupantes de carências, há cada vez mais emigração.

 

"Assumimos um compromisso de honra para com Portugal. E não faltaremos, em circunstância alguma, a esse compromisso", lia-se no programa eleitoral do PSD. Pois claro que não, Pedro. Claro que não.

 

 

(Gráficos)

 

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2 comentários

De QualquerUm a 06.06.2013 às 01:17

Aparentemente o gráfico não está correcto.

De Caçador Simão a 06.06.2013 às 20:10

Ó Passos, lê-me os lábios: M-E-N-T-I-R-O-S-O!

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