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20
Mai

Vão-me desculpar, mas ...

por David Crisóstomo

... Carlos César tem toda a razão. Custa a crer que foi este mesmo Cavaco Silva que outrora parou o país devido ao Estatuto Político-Administrativo dos Açores.

Um Presidente da República não pode dar-se ao luxo de desconhecer os feriados regionais do seu país (são só 2, porra). Não pode dar-se ao luxo de ignorar as festividades oficiais realizadas por um outro órgão de soberania da nação a que preside. E estou a deduzir que foi apenas isso: ignorância. Que foi somente uma manifesta incompetência protocolar da Casa Civil da Presidência da República e mais um acto de incultura a que o senhor presidente nos tem habituado. Estou a deduzir que não estamos perante um acto de desprezo por uma região, pelo Governo Regional dos Açores, pela sua importância e relevância no todo nacional. Estou a deduzir que ao convocar o Conselho de Estado para a data do Dia da Autonomia dos Açores, estando o Presidente do Governo Regional nas cerimónias oficiais na Assembleia Legislativa Regional, que o mais alto magistrado da nação não escolheu desdenhar tal data, tal cargo e tal órgão legislativo. Que não se marimbou no artigo 142º da Constituição da República Portuguesa, que explicita que os presidentes dos governos regionais dos Açores e da Madeira são membros permanentes do Conselho de Estado. Estou a deduzir que isto foi simplesmente uma falha, uma imperícia, um deslize, um momento em que a Nossa Senhora de Fátima estaria distraída e, olha, passou. Um momento menos feliz, só isso. Pois, caso contrário, poderíamos estar perante um 'precedente muito grave' que poderia 'abalar o equilíbrio de poderes e afectar o normal funcionamento das instituições da República'. Em que estaria em causa 'o princípio de confiança e lealdade política e institucional que deve reger as relações entre os órgãos de soberania'. Seria preocupante, no mínimo. Espero honestamente não estar enganado.

 

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2 comentários

De António a 20.05.2013 às 21:50

Assino por baixo. Com franqueza, devo dizer que esta atual "uma maioria, um governo, um presidente" já ultrapassou, em muito, as minhas piores perspetivas. É que não há um limite visível ao disparate.

António, mais um magrebino

De Zé da Póvoa a 21.05.2013 às 13:53

Está a deduzir mal. Cavaco já deu suficientes provas do seu carácter velhaco e vingativo. É evidente que o Dia dos Açores foi, para ele, um rebuçado, pois deu-lhe oportunidade de afastar
um conselheiro que não é propriamente, como aqueles de que tanto gosta, tipo Dias Loureiro, que não passam de uns yes-men sempre dispostos a reverenciar sua excelência e mais a sua santinha!

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