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31
Out
Nas redes sociais apela-se às mais altruistas das emoções em cada um de nós: Ele há videos espalhados de ajudas no limite, de aleitamento inter-específico, ele há a valorização do sorriso, do abraço, do beijo, do sexo, dos velhinhos; do sexo dos velhinhos.

Ele há contos brasileiros sobre crianças que pedem nas ruas e nos dão lições de vida e nos envergonham porque temos um iphone. Ele há coros de jovens louríssimas a revisitar velhos hit's e deixando-nos a espinal medula capaz de hastear a bandeira, ao contrário que seja. Ele há cãezinhos e gatinhos, power points de templos e ravinas em países maravilhosos, onde a população não come uma malga de arroz sequer por dia mas que é óptima para lá ir passear. E ele há bater no Sócrates, claro, e apesar de tudo.

Cá fora, no entanto, a vida é outra. Há mensalidades e há o dinheirinho. O dinheirinho irredutivel e inclemente. Nada se faz sem ele, nada se pode sem ele. 

A criança pobrezinha que nos pediu comida? É que nem a ouvi.

O abracinho grátis na rua? Xô daqui ! Antes que eu chame a policia. 

O cãozinho abandonado? Coitadinho...Mas e o preço das vacinas? E quando eu quiser sair para férias?

O nosso hedonismo e a joie de vivre pagam-se com dinheirinho.

Sem ele nada temos, com ele ao nada chegaremos, ao imenso nada em que estamos a transformar a sociedade humana.

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