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10
Mai

A bomba-relógio

por Pedro Figueiredo

Dias antes de Godinho Lopes ganhar as eleições para a presidência do Sporting, o seu homem-forte para o futebol, Luís Duque, disse numa entrevista que o problema no futebol leonino resolvia-se com um cheque e uma vassoura.


Lembrei-me novamente das palavras de Luís Duque, ontem, quando vi o secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, a explicar o programa de rescisões amigáveis para a Função Pública. São 300 a 500 milhões de euros, que pelas contas do mesmo responsável dará 25 a 30 mil euros para quem tenha cerca de três décadas de serviço público.


Trinta anos, trinta mil euros. É pouco? É muito? Cada um que faça as suas contas. Imagina-se é que haja créditos à habitação superiores a esse valor. Quanto mais concentradas nas áreas urbanas forem as saídas, maiores serão os montantes em dívida.


Este plano de rescisões é para um intervalo entre 10 e 20 mil funcionários, mas o Governo planeia que se chegue até fim da legislatura com menos cem mil funcionários públicos.


É certo que com o bater do punho que é preciso nestes dias, alguns deles podem mesmo vir a ganhar fortunas a vender pipocas. Ou não. A minha dúvida é se não será uma bomba-relógio que está a ser atirada para a frente, só para poder explodir depois. Sem se darem conta que o importante não é a distância a que está a bomba, mas sim o tempo que ela tem para rebentar.

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