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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

09
Mai13

9 de Maio

David Crisóstomo

 

“O abade de Saint-Pierre sugeriu uma associação de todos os estados da Europa para manter a paz perpétua entre eles. É esta associação possível, e supondo que fosse estabelecida, seria provável que durasse?"

Jean-Jacques Rousseau, Emílio, ou Da Educação



 

Na elíptica praça que se abre em frente ao edifico Altiero Spinelli do Parlamento Europeu foi recentemente colocado um friso fotográfico da história da União Europeia. Esta série temporal começa em 1945, com uma foto da entrada de Auschwitz, e acaba em 2012, com a atribuição do Prémio Nobel da Paz ao projecto europeu. Neste conjunto de imagens estão representados vários momentos do passado recente, como a queda do muro de Berlim, a assinatura do Tratado de Roma ou a independência de Chipre. E no meio de todas está um retrato dum jovem homem, cujo rosto radia uma libertadora alegria - uma fotografia dum marinheiro português no 25 de Abril de 1974, segurando um cravo.


O dia da Europa passa ao lado da esmagadora maioria dos portugueses. Na agenda da Presidência da República ou da Assembleia da República não é feita qualquer referência à efeméride. O dia que se convencionou ser de celebração dos ideais e valores que unem todo um continente é aqui tratado com alguma indiferença. Como se o projecto europeu não nos dissesse respeito, como se dele não tivéssemos beneficiado enormemente, como se a nossa a adesão ao mesmo não tivesse sido o impulso duma das maiores transformações que a sociedade portuguesa alguma vez sofreu num tão curto espaço de tempo. Como se esse projecto actualmente não estivesse em causa. Como se não fôssemos Europa.

 

A Europa não é a União Europeia. Muitos dos ilustres da nossa praça têm a mania de nomear sempre a primeira para se referirem à segunda, misturando-as numa só entidade híbrida. Não são a mesma coisa. A União Europeia é uma organização, de 27 países, que tem regras, leis, burocracias e objectivos. É terrena, é física, é institucional. E é limitada. A Europa é mais que isso. É um passado, uma emoção conjunta continental, uma forma comum de racionar. É utópica, mas é das mais fundamentais e belas utopias que possuímos para sonhar alcançar. É uma cultura, no mais puro sentido da palavra. A nossa cultura. Mas transcende-nos. A União Europeia é apenas o organismo que criámos para celebrar e amplificar este sentimento comum. E este organismo está hoje, mais do que nunca, em risco.

 

"A paz mundial não poderá ser salvaguardada sem esforços criadores à medida dos perigos que a ameaçam. A contribuição que uma Europa organizada e viva pode dar à civilização é indispensável para a manutenção de relações pacíficas. (…) A Europa não foi construída, tivemos a guerra. (…) A Europa não se fará de um golpe, nem numa construção de conjunto: far-se-á por meio de realizações concretas que criem em primeiro lugar uma solidariedade de facto."

Declaração Schuman, 9 de Maio de 1950


Feliz Dia da Europa.

 


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«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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