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09
Abr

Os candidatos do abstencionismo

por Pedro Figueiredo

A credibilidade da política e dos políticos sempre dependeu da percepção que a população tem das pessoas que, de acordo com o calendário, elegem para os mais altos cargos públicos e dos respectivos desempenhos das funções.

As taxas de abstenção não muito pouco variáveis e com tendência para aumentar à medida que novas gerações chegam à idade de, eles próprios, contribuírem para essa escolha, só pode estar relacionada com a credibilidade da política e dos políticos bem como com o desinteresse manifestado pelos mais novos.
Os discursos falaciosos (que muitos consideram ser puras mentiras) que os candidatos vão debitando em períodos de campanha eleitoral só são validados depois da eleição e de (não) ter sido mostrado o trabalho mais meritório para o qual foram eleitos. Basicamente, representar o país nas decisões mais estruturais e nas escolhas feitas que definem o posicionamento de uma nação no Mundo.
Atingiu-se o ground zero das promessas (não) cumpridas por parte de quem foi eleito com a certeza que havia uma solução. Que não passava pela barbaridade que depois acabou por se verificar e que colocam Portugal à beira de uma situação explosiva. Afinal, os portugueses aguentam. Resta saber até quando.
É até lamentável ter que escrever que o ideal era que mentissem. Para serem eleitos. A realidade às vezes custa, mas se houver consciência e conhecimento do cenário completo, provavelmente custará menos pois permite uma preparação para as exigências que é preciso suportar.
Vivemos, então, tempos em que os últimos candidatos eleitos são claramente do abstencionismo. Que contribuem, em larga escala, com que cresça a descrença das pessoas naqueles que devem reger os destino do país. São até os principais responsáveis pelo generalizado desprezo aos partidos, encarando-os como fonte de todo o mal, quando são precisamente os partidos (à falta de movimentos cívicos mais intervencionistas) o ponto de passagem entre as exigências das pessoas e as políticas adequadas e justas.
Este corte de confiança leva a uma espiral. Também recessiva. Mas de democracia. Ao ponto de fazer com que as pessoas assumam publicamente que não acreditam que o seu voto faça a diferença. Um país assim é que não tem futuro nenhum.

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