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Seguimos confrontados com o governo e respectivo primeiro ministro que não gostam do povo cujo Estado administram. Para eles somos um bando de pançudos e ociosos que caiu numa courela ensolarada da Europa e que nada faz. Pedro Passos Coelho não compreende nada do que é Portugal. Ele não gosta dos portugueses. A verdade é esta, confirmada em cada vómito que lhe jorra da consciência pela boca fora. E nunca é demais lembrá-lo, até à náusea, se necessário for.

 

Andámos demasiado tempo a ouvir dizer que não podemos ter agricultura, que não temos petróleo nem aço, que não temos meios de produção. Tínhamos floresta, mas já se foi. Tínhamos pesca, mas já não dá, temos só serviços. Temos sol e praias para oferecer, uma imensa Mantarrota. Nada temos, nada somos, nada sabemos fazer, nada podemos fazer.

 

Não chegará desta conversa? Os portugueses continuarão a engolir estas tretas? Mas afinal de contas andamos aqui há séculos a viver de esmolas? A baixar a cabeça? Quem defende isso é parvo e só merece o degredo, até porque os que ouço referirem-se nestes termos ao Portugal recente nada mais fizeram do que abotoar-se sem dó à conta do Estado, e não foi com rendimentos sociais ou pensões de sobrevivência.

 

 

Acreditámos nesta gente que enriqueceu a cantar-nos a novel virtude da velha pobreza, fiámo-nos nestes bandidos que vieram dizer que a nossa saúde e a nossa educação eram boas de mais, e que os nossos edifícios escolares eram megalómanos e as nossas estradas eram caras; que pagamos poucos impostos. Insistem que se queremos continuar a usufruir do serviço de luxo pois então temos que pagar mais. O desplante.

 

Felizmente algumas almas inteligentes vão, agora, pondo a verdade às claras, mas pergunto-me mesmo assim onde terão andado estas luminárias nas campanhas últimas em que o pais se escavacou. Não quero ser ingrato, mas onde andariam?

 

Também me desagrada neste governo a sua pequenez. Os senhores ministros não abdicam da dignidade das grandes berlinas escuras mas parecem criados assustados quando saem delas. Pedro Passos Coelho usa uma curvatura de coluna que considero inadmissível num primeiro ministro de Portugal e quando lhe abrem a porta do carro e pisa a passadeira vermelha de uma cimeira em Bruxelas sai com ar de quem não tem o direito de ir à sala apresentar-se aos patrões sem que eles o mandem chamar.

 

O risinho amarelo e sabujo, quando fala com os adultos da Europa, também me causa urticária. Mas isto sou eu que considero que a dignidade vem da pessoa e da identificação que tem com o que representa, com a causa que defende. Portugal não é digno de inequívoca defesa e orgulho por parte do seu primeiro ministro? 

 

Se ele se sente agastado, e não acredita no país, que foi fazer para aquele posto a não ser vender isto a retalho e transformar os portugueses em servos? Se ele não dá valor à dignidade do lugar que ocupa, porque desconhece a importância de servir, então chegou a hora de sair. Porque o Estado somos todos nós e ele já provou que não nos serve. 

 

A harmonia entre os países é uma conquista da União Europeia, a Paz nos nossos dias é uma benesse de que nem sempre nos apercebemos. Acharei sempre que o mais importante é que os portugueses vivam em Liberdade e em Paz e tenham uma vida digna. No entanto, estamos organizados num país independente com algo mais do que uns anitos, temos uma identidade própria, uma história de muitos erros cometidos e de oportunidades falhadas, é verdade. Mas progredimos e somos uma nação que se compara com as melhores, e só isso é uma vitória da sociedade portuguesa, mérito de alguns políticos, mas principalmente de um povo que apesar da intencional má publicidade não veste a farda de calaceiro ou de cigarra.

 

Agora um bando de capangas vem dar a entender que o Estado português não faz sentido. Vender e desmantelar. Já não bastava a austeridade e ainda têm o despautério de dizer que se queremos alguma coisinha temos que pagar mais, muito mais. Tudo até ao último cêntimo.

Eu de contas não percebo nada, mas se é pelas contas que vamos sair da crise estamos mal. Quem, pelos vistos, chegou ao governo por perceber de contas não tem dignidade para administrar este país. As contas, por si só, nunca vão dar a lado nenhum.

 

Nunca gostei desta gente, nunca votaria nesta gente, mas não pensei que para além do delírio ainda tivessem a lata de apoucar o povo e o país. Não são dignos de governar Portugal e Pedro Passos Coelho, certamente, não é digno do lugar que ocupa, repito.

Já não bastavam as bocas foleiras do emigrar e dos piegas, o troçar do melhor povo do mundo, ainda se dizem salvadores de um país que desprezam.

 

É bem certo que o patriotismo não abunda e a auto comiseração nos prejudica, mas sejamos realistas e encaremos o facto de que temos um país que é nosso e que merece mais, muito mais, do que tem como governo. A culpa é nossa, mas de erros se faz o caminho que permite avançar. E havemos de remediar isto. E quanto mais depressa melhor!

 

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1 comentário

De Teofilo M. a 30.10.2012 às 19:56

Excelente naco de prosa.

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