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Na fase inicial dos empréstimos generosamente concedidos aos países mais endividados da União Europeia, e no auge do período “PIIGS must learn”, surgiu uma série de notícias que apontavam uma suposta diferença nas horas de trabalho entre os países do Norte e do Sul da Europa. No fundo, levava a crer que a malta do Club Med era sorna e pouco amiga de trabalhar.

As condições meteorológicas assim o demonstravam. Quem tem praia à porta de casa, não faz outra coisa na vida se não passar o tempo entre o surf e o bronze e a fazer corridas de motas de água. Todas de categoria F1, já que jetsky é para remediados.

Se foi com essa ideia (ou não) que os grandes obreiros do sucesso da actual Europa ficaram dos povos mediterrânicos, não sei. Na verdade, seria até interessante saber o que pensam os alemães dos seus companheiros europeus de caminhada e se acham que o projecto comum está a seguir na melhor direcção.

No entanto, surgiu um novo estudo, desta vez do próprio Bundesbank, que deve ter deixado o povo germânico a pensar que há contas que não devem estar a bater certo. Como é possível as famílias alemãs ainda serem mais pobres que as italianas e espanholas? O estudo, segundo o Spiegel Online, tem falhas e isso deve-se aos cálculos feitos que incluem o imobiliário. Apenas 44,2% dos alemães são donos das suas próprias casas, contra 82,7% dos espanhóis.

É a segunda vez que tentam plantar uma ideia na opinião pública alemã. O mais curioso é que o estudo sai três dias depois do ministro das finanças alemão ter acusado os críticos países europeus de inveja da Alemanha. Sim, senhor Schauble: os mais ricos têm sempre inveja dos mais pobres. São até os primeiros a dizer que o dinheiro não traz felicidade.

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