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Não vou tecer grandes considerações sobre o quão ridículo é chamar-se "recompensa" a uma alteração da perspetiva ("outlook") de Portugal, por parte da Standard & Poors ("S&P"), de "Negativa" para "Estável" nos pagamentos a longo prazo. Depois de tudo o que as famílias e empresas portuguesas passaram, estão a passar e vão continuar a passar, é quase insultuoso chamar-se "recompensa" a isto. Mas, não sendo os dislates argumentativos de Passos Coelho propriamente uma novidade, gostaria de chamar a atenção para um outro aspeto.

 

É de todos conhecido que o atual Governo não quis, sempre afirmou que não queria, o alargamento do prazo do empréstimo a Portugal. "Nem mais tempo, nem mais dinheiro" parecia ser o slogan do Governo, a que se somou uma trágica estratégia de front-loading de medidas de austeridade, cujos danos estamos a sentir - e iremos continuar a sentir por tempo indeterminado.

 

Enquanto isso, todos se recordam dos alertas da oposição, designadamente do PS, no sentido de ser pedido mais tempo. E todos se recordam que o Governo rejeitou-os sempre.

 

Mas a vida tem destas coisas e a verdade é que a alteração de outlook da S&P ocorreu não pelos méritos da sacrossanta austeridade, não pela maravilha que se tem revelado a experiência de front-loading de Vítor Gaspar, mas sim "na sequência do acordo dos ministros europeus para prolongar o prazo do empréstimo para assistência financeira", precisamente o mesmo alargamento que a oposição vinha a pedir há muito e o atual governo de Portugal rejeitou ao longo de vários meses.

 

Se dúvidas houver, basta ler as primeiras linhas do overview da nota da S&P: "We expect Portugal's official European lenders to lengthen the maturity profiles of their loans to Portugal. In our view, this should reduce Portugal's public sector refinancing risks."

 

Em síntese, os "mercados", aqui representados pela S&P, chumbaram, de forma clara, a estratégia deste Governo. E a única "recompensa" que os Portugueses tiveram foi a garantia de que os sacrifícios que fizeram e estão a fazer, teimosamente impostos por este Governo, não interessam a ninguém.

 

Em março de 2011, um Eng.º Moedas mais preocupado em lançar uma crise política em Portugal do que em ajudar a resolver os problemas do seu país, lançou a seguinte profecia: "Com as reformas que o PSD vai implementar, eu digo-lhe que ainda vão subir o rating, não sei se nos próximos 6 meses, se nos próximos 12 meses - ainda não se sabe quando haverá um novo Governo".

 

Mal sabia Moedas - mas já desconfiavam alguns - que afinal as alterações a ratings ou outlooks só surgiriam quando alguém começasse a colocar um travão à austeridade destrutiva desta rapaziada.

 

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