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21
Fev

Camilo Lourenço, um dos génios económicos da nossa praça. Morceaux choisis desde 2011, bolds meus:

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Até porque as suas declarações podem ter o efeito pernicioso de convencer o português comum de que temos alternativas: menos sacrifícios e mais tempo. Não temos. E se não percebermos isso agora, daqui a uns meses estaremos a receber os mesmos (humilhantes) ultimatos da Grécia.
27 de Novembro de 2011

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O relativo sucesso do nosso programa de ajustamento deve-se a um único ponto: pressão. Da Troika, traduzida em avaliações trimestrais em função das quais é desbloqueado o financiamento. Se assim é, é razoável pensar que no dia em que deixarmos de ter pressão está tudo estragado. Não é por acaso que Vítor Gaspar tem dito evitado falar em revisão do programa, insistindo que Portugal não vai pedir mais tempo nem dinheiro.
É por isso que o episódio de 5ª feira, em que Vítor Gaspar foi surpreendido a sondar Wolfgang Schäuble sobre a abertura da Alemanha a uma revisão do programa português é uma péssima notícia

13 de Fevereiro de 2012


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Ora este é o momento crítico do programa de ajustamento: quando os sinais de melhoria se transformarem em certezas, teremos um coro de vozes a gritar "Já podemos abrandar". Nada mais falso: ainda não ganhámos nada.
O que fazer então? Arranjar uma desculpa para manter a Troika para lá de 2014. Só isso nos permitirá resistir aos cantos de sereia

23 de Abril de 2012

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Os momentos de viragem de uma economia não se medem por um facto isolado, mas por um conjunto de sinais que apontam em determinado sentido. E esses sinais podem ser de dois tipos: quantitativos e qualitativos.
No caso português, entre os quantitativos avultam: o crescimento das exportações acima do previsto (embora seja de admitir um abrandamento nos próximos meses), os números da execução orçamental, que apesar de algumas zonas cinzentas vão no bom sentido; a queda das taxas de juro, em claro retrocesso desde Fevereiro (em contra-ciclo com Espanha e Itália) e os números do PIB, que confirmam que a economia está a cair menos do que o previsto (números de 2011 e 1º trimestre de 2012).
28 de Maio de 2012

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É difícil encontrar explicação para tanto pessimismo. É um problema genético (oscilamos entre o "oito e o oitenta")? Ou a análise económica dominante cede a questões ideológicas? Não sei. O que sei é que, apesar da tragédia do desemprego, os indicadores começam a mostrar que, se não houver débacles em Espanha e Grécia, a economia vai recuperar mais cedo do que se pensava. Cortesia da espectacular capacidade de ajustamento de famílias e empresas, sem par na zona Euro.
3 de Junho de 2012

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Mas voltemos ao burgo onde Cavaco, para não perder o comboio, se juntou a Seguro dando a entender que condições mais favoráveis para outros têm de ser estendidas a Portugal. Como se o problema do país fosse esse... Nem Seguro, nem Cavaco parecem perceber que o programa de ajustamento tem de ser encarado com seriedade (até porque o dinheiro não é nosso!) e que, por isso, não podemos andar à caça de pretextos para agir como o cábula da turma: "Oh Sr. professor, se deu àquele eu também quero".
11 de Junho de 2012

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cada vez menos entendo o que vai sendo defendido por aí: a ideia de que devemos deixar "deslizar" o défice de 4,5% para 2013. Como défice significa mais despesa do que receita, não o reduzir implica aumentar o endividamento do Estado: em 2 mil milhões (valor aproximado da derrapagem já detectada) se não se fizer mais nada em 2012. Ou seja, uma parcela maior da receita do Estado terá de ser canalizada para pagar o que estamos, agora, a pedir emprestado. Por outras palavras, se não tivermos cuidado, daqui a dois anos a dívida pública estará acima dos 120% do PIB. E quando esse valor for atingido, os defensores do abrandamento da austeridade vão gritar "Culpa do Governo, que não corta despesa". E o pior é que não ficarão por aí. Porque a seguir vão pedir a reestruturação da dívida. Com o argumento de que a despesa do Estado com juros é tão elevada que tolhe o crescimento económico (impostos elevados).
Dir-me-ão que a reestruturação é uma solução tão irresponsável que só os extremistas a proporão. Não. Basta que umas quantas cabeças respeitáveis (com ar de "pais da pátria") a defendam
2 de Julho de 2012

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Portugal passa a vida à procura de oportunidades para pedir "batatinhas". Ainda ontem se viu isso: quando se soube que o Ecofin decidiu dar mais tempo a Espanha para fazer o ajustamento orçamental, a pergunta mais ouvida foi "E nós, não vamos ter mais um ano?" Como se o problema fosse esse...
10 de Julho de 2012

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O receituário para corrigir este desastre (tal como o de 83-85 e o de 78-79) está a funcionar. Acima das expectativas (tal como em 83-85 e 78-79): o défice da nossa conta corrente caiu, no 1.º semestre do ano, para 2% do PIB, quando o valor acordado com a Troika era de 2,5% para... todo o ano de 2012!!!
Na minha cartilha isto tem nome: Sucesso. Porque significa que passamos a viver de acordo com as nossas posses, mais cedo do que se previa.
30 de Agosto de 2012

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António Borges diz que a economia pode voltar a crescer já em 2013. É verdade: a correcção de alguns desequilíbrios macroeconómicos está a ser rápida e isso facilita o regresso ao crescimento em moldes mais sustentáveis do que nos últimos dez anos (onde a procura interna fez de motor, à custa de défices da conta corrente). A questão é saber quanto vai crescer o PIB: 1%? 2%? 4%?
30 de Agosto de 2012

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O que vale é que, apesar da dimensão da tragédia (a troca de mimos), ainda vamos tendo quem nos faça descer à terra. Como Angela Merkel, que ontem fez o favor de nos recordar que o programa de ajustamento é para cumprir.

"Dá-lhes Angela, dá-lhes. Com força!". Se não aprendem a bem, aprendem a mal.
17 de Setembro de 2012

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É aqui que vale a pena perguntar se mais tempo faz mesmo sentido. É que mais tempo é igual a mais défice; e mais défice significa mais dívida (dívida são défices acumulados). E dada a evolução do PIB (baixas taxas de crescimento), qualquer descuido no ritmo de endividamento atira-nos para o grupo de países onde a reestruturação da dívida se tornou inevitável.
22 de Outubro de 2012

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A mensagem de Ano Novo de Cavaco Silva dá que pensar. Porque se juntou ao grupo de gente que passa a vida a debitar "estórias" aos portugueses.
- O problema central da economia é o crescimento (Cavaco Dixit). Não é. O problema é a competitividade. Uma economia pequena não pode viver só do consumo interno. E só pode beneficiar da procura externa se for competitiva. Cavaco esqueceu-se disso…

- Não precisamos de ajustar tão rápido – precisamos sim. Para reduzir o défice em mais anos precisamos de mais dinheiro. Ninguém no-lo empresta porque mais dívida faz perigar a capacidade de devolvermos o dinheiro que já nos emprestaram.
6 de Janeiro de 2013

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Vítor Gaspar não devia voltar aos mercados enquanto o país não iniciar a reforma do Estado. Porque se os investidores, entretanto, nos voltarem a emprestar dinheiro, acaba-se a pressão para fazer as reformas. A do Estado e as estruturais. Mais: é preciso mesmo manter a Troika para lá de 2014.
09 de Janeiro de 2013

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Só há uma palavra para definir o que se passou no regresso da República ao financiamento externo: sucesso!
Apesar do inegável sucesso da operação, temos de pôr os pés na terra e perceber que apenas ganhámos uma batalha e que pela frente temos ainda um longo caminho. Porque se nos desviarmos das reformas o sucesso de ontem rapidamente se transformará em fracasso.
23 de Janeiro de 2013

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Elisa Ferreira, deputada ao Parlamento Europeu, perguntou a Mario Draghi se não se pode aligeirar o programa de ajustamento português. Porque o país "seguiu à risca as recomendações da 'troika'" e a recessão e o desemprego ficaram acima do previsto.
Alimentar este discurso só serve para agravar as condições de financiamento do país. Do Estado, das empresas e das famílias. Porque mostra aos investidores que não aprendemos nada com os erros que colocaram o país nas mãos da Troika.
19 de Fevereiro de 2013

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a perspectiva de mais tempo sempre esteve subjacente ao programa de ajustamento. E, provavelmente, estava nas cogitações do ministro das Finanças (lembram-se da conversinha de pé-de-orelha entre Gaspar e Schäuble?). Porque não o admitiu antes? Porque se o dissesse, duas coisas aconteceriam: os nossos parceiros iriam perguntar "Então pedem flexibilização mesmo antes de começar o trabalho? Querem ser como os gregos?" E porque tendo em conta o DNA do português comum, a palavra de ordem passaria a ser "deixa andar".
21 de Fevereiro de 2013

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Muito bem treinado, Gaspar. Também dá a pata?

 

 


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