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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

20
Fev13

Revolta dos sem futuro

Pedro Figueiredo


@TVI


Muito me admiraram algumas reacções de surpresa e contida reprovação à forma como terminou a passagem de Miguel Relvas pelo ISCTE. Menos de 24 horas depois de ter acontecido, basicamente, a mesma cena no Clube dos Pensadores em Gaia. Relvas conseguiu relegar a EMEL e congéneres quase ao anonimato como bode expiatório dos males da vida dos portugueses, que se limitavam a esconjurar as multas que, na verdade, a maioria ignorava. Só que há situações que não dá para ignorar.


Desde o célebre episódio envolvendo a editora de política do Público que o país, de novidade em novidade sobre o ministro da presidência, anda a perguntar quais são as razões (políticas e, acima de tudo, de interesse nacional) para Miguel Relvas continuar no exercício das suas funções, com toda a responsabilidade que tal acarreta.


A oposição pode estar 'amarrada' aos incansáveis pedidos de demissão em sessões de plenário e referências na Imprensa. No entanto, há o direito à manifestação. Contra. Sobretudo àqueles que mais sentem os efeitos das opções do Governo. "Bolsas sim, propinas não" pode parecer fora de moda, mas essa é apenas a antecâmara do que já foi aqui referido neste blog, em relação ao futuro daqueles que estão para terminar a universidade. Foi a revolta dos sem futuro.


Miguel Relvas não discursou no encerramento da conferência promovida pela TVI no seu 20.º aniversário e isso terá incomodado alguns. A liberdade de expressão do ministro nunca esteve em causa. Nem estará. O que não lhe faltam são palcos para teatros. Mas é preciso recordar o que havia respondido na noite anterior, quando lhe foi perguntado porque não se demitia o Governo? «A questão do Governo se ir embora é uma opção que os portugueses vão ter em 2015. Nessa altura, essa questão vai estar na mesa e vão poder optar.»


A questão não está na mesa apenas em 2015. Está sempre. Basta lembrar o Artigo 117.º da Constituição, sobre o estatuto dos titulares dos cargos políticos. O mandato emanado das eleições tinha um prazo de quatro anos, mas tal não significa que o mesmo tenha de ser cumprido escrupulosamente na íntegra. A resposta foi a possível, o que não a torna numa inevitabilidade. Outra.


Para terminar, e porque a Grândola Vila Morena parece estar a tornar-se viral, na sequência da interrupção de Passos Coelho no debate quinzenal na AR por um grupo de pessoas a cantá-la, Ângelo Correia disse na SIC Notícias que não tinha ficado preocupado com o episódio. Estaria mais se fossem um milhão de pessoas a fazê-lo na rua. Pode ser que tenha uma surpresa no dia 2 de Março.

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«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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