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Portugal
  1. O próximo governo deste país vai ter de saber governar melhor com menos dinheiro.
  2. O próximo governo deste país terá de assumir claramente e de preferência com concretização inequívoca à priori - sem expiar na troika todas as opções e maldades políticas - quais os princípios ideológicos sob os quais guiará a sua ação política.

 

Quando me parece evidente que o anterior governo do PS (ou uma parte determinante dele) percebeu tarde demais a real magnitude do problema nacional e quando, apenas agora, o atual governo se decidiu a estudar a organização do Estado, retenho que se estão a repetir erros inaceitáveis e extremamente onerosos na governação do país, governo após governo. Sendo certo que o atual governo me parece o mais impreparado de sempre, não é de todo característica exclusiva deste,  o cometimento de erros políticos fulcrais, patrocinados por um completo desfasamento com a realidade ao momento e futura do país.

Nos próximos dias, semanas e meses – na sequência aliás de artigos anteriores neste mesmo novíssimo blogue - haverá imensas oportunidades para separar as águas, identificar as alternativas nesta era onde por maiores que sejam as restrições, não deixará de haver interesses distintos, conceções ideológicas distintas e, como tal, formas distintas de aplicar e conceber o Estado e chegar à meta que os eleitores venham a sufragar.


Mas também por isso, porque o pretexto para diferenciação ideológica e para afirmar, por essa via, uma alternativa de governação inteiramente credível se tornará cada vez mais sustentável, credível e desejável, temo que se desvalorize a premissa inicial com que inaugurei este artigo e, para o cumprimento da qual, há competência por certificar.

O PS, anterior governo, não fez (ainda) como justa e pertinentemente lhe é apontado pelos seus rivais políticos, o escrutínio completo da sua última governação. Trata-se de um exercício que não se intui da alteração da cúpula diretiva do partido dado que a campanha eleitoral interna fugiu empenhadamente desse exercício (interessa-me pouco avaliar as razões internas que o terão justificado). Por outro lado, o discurso extremado da direita, que imputa todos os males do país, passados, presentes e futuros, à governação anterior, tem contribuído para o entrincheiramento, para a legítima defesa e para cercear qualquer possibilidade de reflexão interna e consequente exposição pública. Como consequência, do lado do PS, tudo parece ter sido feito de forma imaculada na sua recente governação, oferecendo assim ao país, o devido oposto em 8 aos 80 que lhe são imputados pelos seus rivais.

Perde-se para já (e talvez já seja tarde demais), a possibilidade de construir em cima dos erros, de os  colocar na sua devida dimensão enquanto contribuintes para o atual problema nacional e, fundamentalmente, perde-se a oportunidade para se desenharem mecanismos de governação futura que os tornem irrepetíveis conferindo assim, uma esperança de maior competência. A tal competência indispensável para enfrentar o binómio inevitável com que comecei:  terá de governar melhor e com menos dinheiro.

No final das contas, decidir sem analisar o impacto, sem escrutinar de formas multidisciplinar e transparente tem sido um hábito demasiado recorrente em sucessivos governos nacionais e, inquestionavelmente, dessa forma, temos perdido margem de manobra para cumprir com muitos dos princípios ideológicos que nos são caros. Temo que, mais uma vez, se despreze o tempo certo para se fazer esta reflexão, o tempo que permite integrar os seus resultados na proposta política que se apresentará, em breve, como alternativa ao país. O tempo que avisará quem se quiser juntar à solução política dos exatos termos de exigência e competência que serão considerados.

Uma última palavra para sublinhar este primeiro artigo. É com imenso prazer que escrevo no 365 Forte em tão boa companhia. Um agradecimento especial ao Nuno Pires e ao Pedro Figueiredo pelo convite que me fizeram para integrar a composição química deste veneno.

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3 comentários

De vascodcm a 29.10.2012 às 16:36

O próximo governo deste país terá que fazer orçamentos em Escudos

De Rui Cerdeira Branco a 30.10.2012 às 00:27

Cada vez mais provável...

De MIGUEL A. E. CORGOSINHO a 03.12.2012 às 13:58

Os países soberanos serem obrigados a pagar suas soberanias aos bancos é um grande desafio para a reestruturação mundial. Basta uma simples mudança de posição programática: O dinheiro é informação e não o contrário.

Digamos que os agentes bancários que recebem depósitos em dinheiro, e se transformam em investidores, foram ordenados a reestruturar as dívidas retroativas. Lembro-os das reservas fracionárias digitais que não lhe custam nada. Podem abrir mão dessa versão do futuro, que ganharam do governo, não é inovadores? Então, dividam a dívida, no minimo por sete, e acrescentem somente o juro atrasado para o tomador do serviço.

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