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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

12
Fev13

O Presidente com que fomos abençoados

David Crisóstomo

 

 

Sua Eminência, Dom Aníbal da Silva, Presidente pela vontade de Deus todo-poderoso, no ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 2013, ao tomar conhecimento pelo Espírito Santo da vontade do sucessor de São Pedro em viver uma franciscana vida, enviou uma pia mensagem para a sede da Santa Madre Igreja.

 

Dizem-me que se trata duma mensagem de chefe de Estado para chefe de Estado (aquele que não é membro da ONU, 'tão a ver? Mas pronto, já estou em pulgas pela mensagem da Presidência da República quando a Capitã-Regente de São Marino cessar mandato ou quando o presidente do Cazaquistão não for reeleito). Se essa mensagem é tão protocolar, estatal e formal como se advoga que deva ser, então analisemo-la:

 

“Santo Padre, [Santo Padre deve ser latim para Caro Chefe de Estado, ou Exmo. Papa Bento XVI, sei lá, língua morta & tal]

 

Foi com sentida emoção [ai isto agora é com emoções? o Presidente da República Portuguesa tem 'emoções' sobre as demissões de outros chefes de Estado?] que tomei hoje conhecimento do anúncio feito por Vossa Santidade [again, 'Vossa Santidade' deve ser algum código de boas-práticas entre Chefes de Estado que desconheço; corre o boato que é assim que o nosso Primeiro-Ministro se dirige à chanceler da República Federal da Alemanha, mas não sei, pensei que talvez fosse só uma excentricidade de Massamá] de renunciar ao Pontificado. [porque não dizer Império de Deus na Terra já agora?] Quero, nesta ocasião, sublinhar a admiração profunda do Povo Português por Vossa Santidade [ahn? desculpe? mas ele travou alguma guerra que me tenha escapado? ganhou o Nobel da Paz enquanto eu estava distraído? temos profunda admiração? ai temos? deve ser a do mesmo tipo que temos pelo senhor 'a minha reforma não me chega para as despesas'...] e por um magistério que constitui exemplo de fé [mas que raio?] e de esperança, na defesa dos valores universais da tolerância e da paz. [o da 'igualdade' não deve ser universal, é coisa da minha terra somente] 

Recordo [isto começa a soar como um daqueles prefácios cavaquianos], muito especialmente, a Visita ['a Visita' - nem o anjo Gabriel teve direito a tal 'v' magistral aquando da Anunciação] que efetuou a Portugal em Maio de 2010, e os sinais de afeto e carinho de Vossa Santidade para com o Povo Português [não sabia que os chefes de Estado vinham distribuir 'afecto e carinho' nas suas visitas estatais. olhem, eu não recebi os meus. malditos CTT] que então pudemos testemunhar. 

Reitero o profundo apreço dos Portugueses pela personalidade ímpar e pela sabedoria inspiradora de Vossa Santidade. [isto é uma mensagem estatal ou dedicatória?]

 

Aníbal Cavaco Silva”



E nisto se resume o Presidente da República Portuguesa. A mesma república na qual se completam este ano 102 anos da separação do Estado da Igreja. Aquela cuja Lei da Liberdade Religiosa afirma no nº2 do artigo 4º que 'nos actos oficiais e no protocolo de Estado será respeitado o princípio da não confessionalidade' do Estado Português. E o Supremo Magistrado da nação ignora tudo isto. Se queria manifestar as suas 'emoções' e 'apreços' pelo chefe da Igreja Católica Apostólica Romana, que o fizesse numa mensagem particular, a titulo particular, representando a sua vontade particular - não numa mensagem oficial em representação do Estado Português. 

Perdoem-me, mas já não há pachorra para esta (literal) falta de sentido de Estado.

 

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«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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