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365 forte

Sem antídoto conhecido.

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06
Dez12

Bufos e censura no Banco Espírito Santo

Pedro Figueiredo

A última edição do Contacto, boletim oficial da Comissão Nacional de Trabalhadores (CNT) do Banco Espírito Santo (BES) é uma pérola que saiu da ostra. Aliás, tem várias pérolas. De tal forma que os autores não tiveram pruridos em escrever em rodapé na primeira página: «Este boletim vai ficar na história, guarde-o para mais tarde recordar».


Logo na primeira página há um comunicado, que não será preciso transcrevê-lo. Lê-se bem pela imagem. Curiosos são os tais artigos assinalados com um # e que levaram a CNT a falar em censura.


No primeiro artigo com # percebe-se logo que, e usando linguagem futebolística, o balneário da CNT já conheceu melhor ambiente. Fica aqui a transcrição do referido texto:


Redução no valor do Subsídio de Falhas: # (verbas atribuídas aos caixas para eventuais falhas na contabilidade)


A CNT mais uma vez relembrou que não concorda de forma alguma com a redução deste subsídio a 400 trabalhadores.
Lembramos que foi uma intervenção intempestiva de um elemento da Comissão de Trabalhadores, Carlos Gonçalves, numa reunião o ano passado com o Dr. Ricardo Salgado, que prejudicou estes 400 colegas. Terá sido a contrapartida da promoção por mérito que lhe foi atribuída em Janeiro de 2011?
Após 189 trabalhadores terem feito cartas dirigidas ao Banco a expor as suas dificuldades financeiras, conforme tinha sido solicitado pelo Dr. Ricardo Salgado, os resultados obtidos até à data foram nulos.
A CNT informou que com um investimento de cerca de 10.900€/mês, cerca de 120.000€/ano, o Banco poderia repor a verdade a todos aqueles que responderam à solicitação do CA e fazer com que 189 trabalhadores vejam reposta a justiça.
A resposta foi: NÃO. A explicação foi que o subsídio de falhas pago aos trabalhadores é o que consta no ACT. No entanto, se algum colega estiver com dificuldades financeiras, deverá fazer carta ao DRH para que a sua situação seja analisada.

Mais à frente, na página 5 de 10 que o boletim tem, pode ler-se outra pérola:
Querem censurar o Contacto, porquê?
O Contacto é o boletim oficial da CNT.
As notícias e as informações que são publicadas no Contacto são sempre aprovadas pela maioria da CNT.
As notícias e as informações que são publicadas no Contacto são aquelas que a maioria da CNT acha que devem ser dadas aos trabalhadores do BES, independentemente de algum elemento poder ou não concordar com o seu teor.
Estranhamos que ultimamente um elemento da CNT (Carlos Gonçalves - eleito pela lista "F" apoiada pelo Sindicato dos Quadros) tenha tentado que o Banco censurasse o Contacto, mesmo antes do mesmo ser aprovado.
O que será que pretende?
Im+pedir os trabalhadores do BES de serem informados do que se passa no Banco?
Impedir os trabalhadores do BES de saberem o que os eleitos da lista "F" têm feito na CNT e no Banco?
Não é pelo facto de tentarem "censurar" o Contacto que esta CNT deixa de publicar tudo o que entende ser útil para informação de todos os trabalhadores.
Carlos Gonçalves, militante do PSD, parece ter arranjado bons amigos. No CA e na CNT do BES. O problema é que não se poder agradar a Deus e ao diabo ao mesmo tempo.
A página 7 tem outro artigo interessante, mas que por ser extenso vou só colocar as frases mais interessantes. Também este texto tem um #, o que quer dizer que, no seguimento do comunicado da primeira página, o BES queria que fosse alterado e a CNT não aceitou.

No Banco Espírito Santo ser mãe é sinónimo de retrocesso na carreira.
Quando o Sr. Dr. Ricardo Salgado afirma que para o BES as pessoas são o mais importante, apetece-nos perguntar:
Porque será que muitas mulheres trabalhadoras do BES que são mães, um direito que lhes assiste, quando regressam do gozo de licença de maternidade, não são colocadas nas funções que desempenhavam antes de serem mães?
Porque será que quando pedem para regressar às suas anteriores funções são ameaças de tudo, inclusivamente de despedimento?
Porque será que são aconselhadas a não recorrerem aos serviços de aconselhamento dos sindicatos ou à Comissão de Trabalhadores?
(...)
Lamentamos que haja trabalhadores no BES que queiram obrigar as suas colegas a escolher entre a carreira profissional e serem mães.
Temos a certeza que não é isto que o Sr. Dr. Ricardo Salgado quer para as mulheres no nosso BES.
Os tempos parecem ser de denúncia. Curiosamente, desde que a banca foi reprivatizada que os sindicatos bancários deixaram de parar o país com as suas greves, um pouco à semelhança do que acontece agora com os estivadores. É certo que o salto tecnológico desde essa louca década entre 1975 e 1985 colocam o sector numa outra realidade. Mas a força dos bancários, como sector chave na economia nacional, não se perdeu. Adormeceu, simplesmente.
Não me parece que tenha sido à toa que tenham mandado guardar o exemplar de Dezembro de 2012 do Contacto, da CNT do BES. O tempo o dirá.

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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