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25
Abr

24 de Março de 2022

por David Crisóstomo

 

A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista.

Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa.

A Revolução restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais. No exercício destes direitos e liberdades, os legítimos representantes do povo reúnem-se para elaborar uma Constituição que corresponde às aspirações do país.

 

Constituição da República Portuguesa

 

É ridículo para alguém que quando nasceu já o 25 de Abril tinha atingido a maioridade pôr-se a descrever o significado da data. É ridículo no sentido em que, tendo noção de como era o país há 40 anos atrás, não faço a mínima ideia de como era viver no Portugal de há 40 atrás. Nem os meus país nem avós me conseguem descrever adequadamente, já que também eles não viveram nesse Portugal sombrio. É ridículo porque sou um sortudo, um sortudo que já nasceu numa democracia consolidada, que já nasceu num país pacificado, que já nasceu num Estado de Direito onde o povo é soberano, que já nasceu cidadão europeu, que já nasceu numa república com um ensino público e um serviço nacional de saúde, que já nasceu numa época em que o sufrágio eleitoral universal se tinha tornado na mais bela banalidade fundamental. Um monumental sortudo.

 

Hoje, eu e todos celebramos essa sorte. A sorte tremenda que temos de viver no regime há 40 anos instaurado. No estado de direito democrático que habitamos e que construímos. Celebramos a sorte tremenda que foi aquela madrugada onde morreu um regime medievo. Celebramos a sorte abismal que foram estes 40 anos de desenvolvimento, de democracia, de liberdade. 40 anos numa nação onde a Declaração Universal dos Direitos Humanos não é letra morta. Celebramos a sorte de já terem passado quatro décadas. Celebramos a sorte de podermos vir a festejar outras tantas. Celebramos a sorte que foi Abril.

 

O Estado Novo durou 48 anos. Mais precisamente, 47 anos, 10 meses e 28 dias. Foram 17499 dias de ditadura. O desafio máximo que todos temos hoje é o de ultrapassar este número, de festejarmos o dia em que já teremos vivido mais dias em democracia do que em ditadura. Esse dia, o 17500º dia de democracia, será a quinta-feira 24 de Março de 2022. Nesse dia celebraremos. Celebraremos o espírito que vingou na outra quinta-feira de Abril de 1974. É nosso dever ter a sorte de lá chegar para celebrar.

 

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