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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

06
Dez17

Havia mesmo alternativa. Uma alternativa socialmente mais justa

Nuno Oliveira

Todos nos recordamos que nos diziam não haver alternativa. Diziam até que nenhum governante é sádico, nenhum governante tira rendimentos por tirar. Transformaram a sua convicção ideológica na austeridade numa certeza que é agora desmentida pela realidade.

 

Sabemos hoje que era mesmo possível devolver rendimentos, não cortar as pensões, aliviar os impostos para a classe média e repôr os apoios sociais. Tal como era possível recuperar os serviços públicos no seu acesso e na sua qualidade.

 

Mas sabemos mais. Sabemos não apenas que era possível. Sabemos também que as políticas da maioria permitiram um maior desenvolvimento económico. Ninguém acredita que sem a reposição de rendimentos a economia teria crescido três trimestres acima do crescimento da Zona Euro e o emprego teria sido criado a um ritmo sem paralelo histórico. Boas políticas produzem mesmo bons resultados. A devolução de rendimentos permitiu um alívio na procura interna e foi essencial para a recuperação da confiança. A direita, após quatro de instabilidade, prometia continuar com a instabilidade nos rendimentos com o corte de 600 M€ na pensões e a tentativa de tornar permanentes os cortes na função pública.

 

Mas sabemos ainda mais. Sabemos desde a semana passada que a alternativa da maioria é também socialmente mais justa. Diziam-nos que as alterações nos impostos especiais sobre consumo ou sobre a reposição dos vencimentos na função pública seriam regressivos. Os dados do INE denunciam a falácia da direita: não é possível isolar uma medida do seu conjunto para afirmar que a política é regressiva.

 

Os dados revelados na semana passada pelo INE mostram-nos um recuo em todos os indicadores de desigualdade. Mas mostram também uma redução bastante significativa dos indicadores de pobreza. Mais revelador das políticas do governo são os indicadores de privação material para os quais já contam 2 anos da governação: 2016 e 2017. A taxa de privação material severa caiu de 9,6% em 2015 para 6,9% em 2017, aproximando-se da média da Zona Euro de 6,6%.

 

Contra tudo o que nos disseram sobre o que era necessário à sustentabilidade das contas públicas. Contra todos os que nos queriam fazer acreditar numa austeridade perpétua. Esta maioria demonstrou que havia mesmo uma alternativa. E mais importante que isso: que a alternativa era socialmente mais justa.

01
Dez17

E Portugal, que ganha com isso?

David Crisóstomo

É bom para o país? Que ganhamos com essa decisão? É do interesse nacional? No fundo, um célebre what's in it for us

 

 

Aqui entre nós, deixem-me desabafar, que isto hoje tem sido um cínico fartote de visão nacional-centrica em tudo quanto é sitio. Tudo a avaliar a ida do Centeno para o Eurogrupo pelo prisma "isso é bom para o país porquê?" e já está, que é a única pergunta que importa.

 

 

Epa, isto para quem vai pela esquerda devia ser simples, olhem, ganhamos não ter um liberal (Pierre Gramegna do Luxemburgo), uma conservadora (Dana Reizniece-Ozola da Letónia) ou um imbecil "socialista" (Peter Kazimir da Eslováquia) à frente dum barco cuja influência nas nossas vidas andamos fartos de reconhecer nos últimos sete anos - pois (isto também devia ser óbvio) os outros candidatos são estes e o Eurogrupo não desaparecerá caso Mário Centeno não esteja para ali virado. Mas depois ainda é o aviso estarrecedor de que esta eleição "vai-nos amarrar à ortodoxia liberal, à austeridade", pois imaginem, "e se houver um novo resgate aos gregos ou uma nova crise?" - enfim, que canseira, olhem, se Centeno nos amarrar é porque se calhar até concorda com isso e então, más noticias camaradas, temos um problema no Ministério das Finanças agora; e caso haja um novo resgate ou coisa parecida, mais vale não estar um idiota ou um sem noção inconsequente (ou um esperto com as prioridades erradas) à frente do Eurogrupo, como aconteceu até hoje, não? Até parece que não sentimos isso na pele. Vão perguntar aos gregos se não preferiam ter tido um Centeno em vez de um Dijsselbloem. Muitos estão, até os normalmente sensatos, hipnotizados pelo modo "Portugal não ganha nada com..." - desculpem-me, vejo os jogos da seleção e até sei o hino de cor, juro, mas que limitada mania esta de que estas eleições são só sobre nós & nada mais, como se não houvesse outros princípios, decisões, outros fatores em jogo par'além de Vilar Formoso.

 

Até sou capaz de perceber aqueles que acham que um ministro das finanças de um governo nacional devia focar-se somente nas finanças nacionais -  mas, caramba, dado que os estados-membros não estão hoje ainda dispostos a considerar a opção de que o cargo de Presidente do Eurogrupo deveria passar para as mãos de um Comissário Europeu responsável pelas finanças europeias, que é eleito e escrutinado pelo Parlamento Europeu, então deixemos de fingir que o tabuleiro do jogo não é este. Quer dizer, temos finalmente um ministro das finanças de jeito, reconhecido pelo seu mérito e por até estar do lado certo do debate ideológico, e o que dizemos a outros europeus é "este é da terra, não quero que ele esteja sequer atento aos problemas dos outros, não partilhamos, arranjem outro, este é nosso e só nosso"? 

 

E depois, claro, há as comparações com o Barroso - que bolas, além de serem insultuosas para o Centeno, parece que é preciso grafittar que Barroso foi uma nomeação que por cá foi, lá está, sempre somente vista pelo ângulo do "interesse nacional", onde só se pensou no alegado "prestígio da nação" e nunca noutros elementos, que por duas vezes foi nomeado por 2 governos de duas cores políticas diferentes, que dois parlamentos com maiorias distintas não contestaram, que reuniu uma espécie de consenso nacional que era bom ter um português aos comandos. Isto, até ele nos ter relembrado que, choque, ele podia ser português, mas não deixava de ser Durão Barroso. E bem que outros europeus desejaram que tivessemos tido isso em conta em devida altura. O problema do Barroso foi exatamente só termos pensado com as quinas e não com racionalidade política e ideológica.

 

 

Tenham lá paciência. Este hipsterismo "ai, Eurogrupo, tô néi aí" já enjoa. O mundo lá fora continua. E a pátria cansa.

 

 

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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