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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

30
Nov16

Eu revejo-me mais nestes votos

David Crisóstomo

 

"Beneficiando de uma menor atenção da Comunidade Internacional, determinado pelo impacto da Segunda Guerra do Golfo, o regime ditatorial de Fidel Castro levou a cabo, cerca de 80 prisões, em 72 horas, demonstrando assim todo o seu desrespeito por direitos fundamentais, como sejam a liberdade de expressão e a de imprensa"

 

9 de Abril de 2003 - Voto 50/IX de condenação pela repressão política de opositores ao regime cubano

Autor: CDS-PP 

Aprovado:

  • A Favor: PSD, PS, CDS-PP
  • Contra: PCP, PEV
  • Abstenção: BE

 

 

"Considerando que os direitos humanos e as liberdades de expressão e de associação continuam a ser violados em Cuba;
Considerando que todos os regimes se devem pautar pelo respeito pelos direitos humanos e pelas liberdade cívicas e democráticas;
Considerando que a existência de um bloqueio económico injusto por parte dos Estados Unidos, associada a uma ocupação militar de uma parcela do território cubano e à criação de um permanente clima de instabilidade naquele país, não pode ser considerada como justificativa de qualquer atentado aos direitos democráticos fundamentais;"

 

9 de Abril de 2003 - Voto 51/IX de condenação pela prisão de opositores ao regime cubano

Autor: BE

Aprovado:

  • A Favor: PS, BE, PEV
  • Contra: PSD, CDS-PP
  • Abstenção: PCP

 

 

"Num tempo perpassado pela angústia, há - tem de haver! - algum momento para exprimir a revolta. Ou sustentar o coerente protesto político.

(...)

Nestes termos, a Assembleia da República

a) exprime o seu protesto pelas arbitrárias detenções e condenações de cidadãos cubanos no exercício dos seus elementares direitos de cidadania e apela à sua libertação"

 

10 de Abril de 2003 - Voto 55/IX de condenação pelas condenações de cidadãos cubanos

Autor: PS

Aprovado:

  • A Favor: PSD, PS, CDS-PP, BE
  • Abstenção: PCP, PEV

 

 

"De acordo com a Comissão Cubana dos Direitos Humanos, 25 pessoas foram imediatamente detidas para evitar uma oposição pública presente no seu funeral. Ainda de acordo com este organismo, existem actualmente 200 presos políticos em Cuba

(...)

Assim, a Assembleia da República,

Manifesta o seu profundo pesar pela morte de Orlando Zapata Tamayo e endereça as suas condolências à sua família, amigos e demais defensores da liberdade e da democracia em Cuba."

 

2 de Março de 2010 - Voto 22/XI de Pesar pela morte do dissidente cubano, Orlando Zapata Tamayo

Autor: CDS-PP

Aprovado:

  • A Favor: PS, PSD, CDS-PP
  • Contra: PCP
  • Abstenção: BE, PEV

 

 

"O regime cubano persiste, apesar das tentativas e das resoluções tomadas quer pela União Europeia (entre elas a posição comunitária de 2.12.96), das Nações Unidas e de muitas ONG, na continuação da sistemática violação do direito de liberdade de expressão e de associação dos que se lhes opõem e não corresponder aos esforços da comunidade internacional para uma abertura do regime, baseada no respeito pela liberdade e direitos fundamentais, consignados na Declaração Universal dos Direitos Humanos"

 

12 de Março de 2010 - Voto 33/XI de Pesar pela morte do dissidente cubano Zapata Tamayo

Autor: PS

Votação da alínea a)

  • A Favor: PS, PSD, CDS-PP, BE, PCP, PEV

Votação da alínea  b) e c)

Aprovadas:

  • A Favor: PS, PSD, CDS-PP, BE
  • Contra: PCP, PEV

 

 

"A morte de Zapata veio, de uma forma trágica, mostrar ao Mundo que em Cuba ainda existem graves atropelos às liberdades fundamentais dos cidadãos e que todos os esforços que a Comunidade Internacional tem feito para sensibilizar o regime cubano para a aplicação da Declaração Universal dos Direitos do Homem não têm tido os resultados pretendidos."

 

12 de Março 2010 - Voto 31/XI de Pesar pelo falecimento do dissidente cubano Zapata Tamayo

Autor: PSD

Aprovado:

  • A Favor: PS, PSD, CDS-PP
  • Contra: PCP, PEV
  • Abstenção: BE

 

 

"Assim, a Assembleia da República:

Saúda a libertação em Cuba dos dois últimos dos 75 presos políticos da chamada "Primavera Negra" de 2003, Félix Navarro e José Daniel Ferrer, encarando-a como sinal de esperança para o futuro democrático de Cuba, ao mesmo tempo que reafirma a solidariedade e amizade com o povo cubano e o desejo de que o acesso de Cuba à democracia pluralista e ao gozo das liberdades fundamentais por todos os cidadãos permita o dinâmico progresso económico, social e político do país e a plena normalização das relações entre Cuba e a União Europeia"

 

25 de Março de 2011 - Voto 113/XI de Saudação pela libertação de presos políticos em Cuba, esperança da democracia

Autor: CDS-PP

  • A Favor: PS, PSD, CDS-PP, BE
  • Contra: PCP
  • Abstenção: PEV

 

 

"Com a libertação de Félix Navarro e José Daniel Ferrer em 23 de Março de 2011 pelas autoridades da República de Cuba foi concluído com sucesso um processo negocial que envolveu a Igreja Católica e o Estado Espanhol visando a libertação de um grupo de cidadãos cubanos que haviam sido detidos nesse país em 2003"

 

6 de Abril de 2011 - Voto 120/XI de Saudação sobre o processo de libertação de um grupo de cidadãos cubanos

Autor: PCP

Aprovado:

  • A Favor: PS, BE, PCP, PEV
  • Contra: PSD
  • Abstenção: CDS-PP

 

 

A propósito da aprovação deste voto e deste voto pelo plenário da Assembleia da República Portuguesa. Além de me rever também muito em isto e isto.

 

23
Nov16

Pós-política

João Gaspar

Pontos prévios:

1. A pós-verdade enquanto fenómeno político merece análise e preocupação. É um cancro que mina a confiança nas instituições (sociais, políticas, mediáticas), agrava o fosso eleitor/eleito, afasta pessoas da discussão pública, da participação cívica e democrática e dos centros decisórios, em suma: abala as fundações do contrato social em que se baseia a relação Estado-Cidadão.

 

2. As notícias falsas, as câmaras de ressonância, no fundo o facto de andarmos aqui todos a pregar aos convertidos em vez de jogar ao rebenta a bolha, agravam as clivagens sociais, destroem o jornalismo, impedem o debate e favorecem os que se aproveitam da pós-verdade (ver 1) para garantir o poder.

 

Não obstante:

1. Quase nada disto é novo. Muitas vezes a pós-verdade é só um nome pomposo para a mais crua das mentiras, com roupagens modernaças. A velocidade de propagação e o alcance das atoardas são o factor novidade aqui. Paradoxalmente, num mundo em que a informação devia mais rapidamente ser contrastada e desmentida, a ascensão do pós-facto ao discurso dominante e ao poder tem acontecido a uma velocidade vertiginosa.

 

2. Mas a falsa informação não é rapidamente contrastada e desmentida? É, claro que é. Diria que quase ao instante. A novidade está no facto de já não importar para nada. E não importa por razões que estão muito a montante dos Brexits e dos Trumps deste mundo. Não importa porque o caldo em que levedaram os Trumpettes é feito de pós-política.

3. O mundo pós-política. Começou de mansinho. O debate político deixou de ser feito com a razão. Gritar mais alto passou a ser um argumento válido. Ser autero, firme, que isto não está para brincadeiras. As ideologias foram diabolizadas (cruzes, canhoto!). O mundo sonhado passou a ser o da realidade-zinha, a vida dura e simples, livre de ideologia. Governar o mundo deixou de ser feito de opções. É o que tem de ser. Aceitemos, então. Aceitámos. Aceitámos tanto que interiorizámos os "isso não interessa nada", os "são todos iguais" os "nem vale a pena votar". As pessoas passaram a valer mais do que as ideias. Vieram os afectos. O carácter. A simpatia. Ideologias é que nunca, que isto da organização das sociedades não está para essas coisas de intelectuais que não sabem o que a vida custa. É preciso é dizer as coisas como elas são. Ou, melhor, como achamos que são. Equivalemos factos a opiniões. Deixou de ser preciso argumentar. E se for preciso amanhã dizemos o contrário. Nasceu a pós-vergonha. O debate político é secundário: um diz A, o outro diz B, já sabemos como é que isto acaba. Argumentos para A e B tornaram-se inúteis. Afastaram-se pessoas, minou-se o debate. E a sensatez impede gente valiosa de correr num campo minado. Perdemos todos. E ganharam os fascistas (que estão sempre à espreita, «com pés de veludo»). Recusou-se a dialética. E sem dialética não há democracia. Mas se calhar isso também não interessa nada, que são todos iguais e nem vale a pena votar.





17
Nov16

Curiosidade (ou talvez não) das eleições americanas: Hillary Clinton na Noite Eleitoral

Diogo Moreira

Já existe alguma justificação pública para o facto de Hillary Clinton não ter aparecido aos seus apoiastes na própria noite eleitoral? É que os canos de esgoto estão em força a passar a sua versão dos factos, e até agora não há maneira de os contrariar.



No conjunto da tragédia pode ser pouco importante, mas o futuro também se faz disto.

14
Nov16

A ópera de um vintém é um vintém

CRG

You gentlemen who think you have a mission
To purge us of the seven deadly sins
Should first sort out the basic food position
Then start your preaching, that's where it begins

You lot, who preach restraint and watch your waist as well
Should learn, for once, the way the world is run
However much you twist, or whatever lies that you tell
Food is the first thing, morals follow on

So first make sure that those who are now starving
get proper helpings, when we all start carving
What keeps mankind alive?

What keeps mankind alive? The fact that millions
are daily tortured, stifled, punished, silenced and oppressed
Mankind can keep alive thanks to its brilliance
in keeping its humanity repressed
And for once you must try not to shirk the facts
Mankind is kept alive
by bestial acts!

 

Bertolt Brecht e Kurt Weill 

11
Nov16

Aviso à navegação - versão TC

Diogo Moreira
Se o Tribunal Constitucional autorizar a que a administração da Caixa Geral de Depósitos possa manter sigilosas as suas declarações de rendimentos, estará aberto um precedente gravíssimo que porá em causa o princípio da transparência no exercício de cargos públicos. A prazo, seria inconcebível que os restantes titulares de cargos públicos não pudessem usufruir das mesmas condições de sigilo nas suas declarações de rendimentos, o que mataria qual hipótese de transparência pública que, sobretudo nos tempos que atravessamos, só pode ser exercida pelos eleitores, e não por elites fechadas sobre si mesmas. Esperemos que o bom-senso impere.
11
Nov16

11º Minuto da 11ª Hora do 11º Dia do 11º Mês

CRG

I will come to a time in my backwards trip when November eleventh, accidentally my birthday, was a sacred day called Armistice Day. When I was a boy, and when Dwayne Hoover was a boy, all the people of all the nations which had fought in the First World War were silent during the eleventh minute of the eleventh hour of Armistice Day, which was the eleventh day of the eleventh month.

It was during that minute in nineteen hundred and eighteen, that millions upon millions of human beings stopped butchering one another. I have talked to old men who were on battlefields during that minute. They have told me in one way or another that the sudden silence was the Voice of God. So we still have among us some men who can remember when God spoke clearly to mankind.

Armistice Day has become Veterans' Day. Armistice Day was sacred. Veterans' Day is not.

So I will throw Veterans' Day over my shoulder. Armistice Day I will keep. I don't want to throw away any sacred things.

What else is sacred? Oh, Romeo and Juliet, for instance.

And all music is.

 

- Kurt Vonnegut

11
Nov16

Bem-vindos ao deserto do real

Sérgio Lavos

66-6-the-matrix.jpg

Choque. Pavor. O horror. O que era antes improvável, impensável, é agora real. Bem-vindos ao deserto do real, como Morpheus diz a Neo em Matrix. Slavoj Žižek tomaria de empréstimo esta frase para título de um seu livro, que por sua vez já vinha de Jean Baudrillard (Simulacros e Simulação). Tudo isto tem a ver com Trump, o Donald, claro, o candidato que, estranhamente, Žižek apoiou. Porque o mundo em que Trump reina é o mesmo pnde existem os Simpsons, que preveram a ascensão do presidente côr-de-laranja há mais de quinze anos. O mesmo mundo que nos oferece reality-shows como Jerry Springer Show. Ou The Aprentice. Vamos ser audazes: o mundo em que vivemos é um palco onde encenamos personagens, e Trump é personagem do seu próprio reality-show, vinte e quatro horas sobre vinte e quatro. Vamos arriscar: não só vivemos na era pós-facto (a verdade deixou de ser um valor positivo e absoluto), como vivemos na era pós-real, simulacro do real, encenação grotesca, ampliada pelos media, na qual o fio que une a crença à descrença e à ilusão se vai tornando cada vez mais ténue. Uma era em que a política - desde sempre também ela pose, retórica e encenação - pouca ligação tem à realidade, mesmo quando as decisões tomadas pelos políticos interferem e incidem sobre a vida dos cidadãos. 

Neo escolhe o comprimido vermelho; e mergulha na realidade suja, recusa a ilusão. O salto (de fé) de Neo é semelhante ao que milhões de americanos deram ao votar em Trump. Por (poucas) boas e (muitas) más razões, mas decidiram dar. O comprimido azul, Hillary Clinton, foi recusado. A repetição do mesmo, o establishment, o sistema, foi a luz fria que milhões não quiseram, optando antes por votar em Trump ou por ficar em casa (a abstenção é a arma dos alienados do sistema). O maior poder dos demagogos é o de conseguirem captar o ar dos tempos, capturarem os corações e as almas de quem, ou tem pouco a perder, ou perdeu muito, e quer recuperar. As tais más razões - o medo do outro, o ódio de classe - são os nutrientes de que o demagogo se alimenta. Trump e a sua equipa apanharam tudo o que pairava, e disseram o que tinham de dizer para ganhar. Hillary, por seu lado, foi a cara do sistema - e a mensagem de Trump foi eficaz ao martelar e martelar esta ideia, porque apenas o sistema se consegue iludir a si mesmo, achando que se pode perpetuar, intocável. Claro que o sensato dirá que Trump é uma encarnação do sistema que diz combater - o demagogo nada na era pós-facto como girino na água -, mas, como muitos estudos indiciam, o eleitor decide mais com o coração do que com a cabeça. E quando os simulacros (cópias que carecem de original, cópias desligadas do original que imitam) preenchem os dias, soturnamente, entram pelas casas e tomam conta das nossas almas, a razão ancora ao largo, num barco, e quando tenta reentrar no porto, é rechaçada pelas balas de canhão disparadas pelos demagogos que vivem do medo, e do ódio ao outro.

O mapa desenhado pelos cartógrafos, tão perfeito que substituiu o mundo que imita, é agora a nossa casa. Vivemos no deserto do real, e o melhor que podemos esperar é que o demagogo Trump faça o que todos os demagogos fazem: volte ao seio do sistema, recusando a ruptura em que o ódio votou. É a aposta mais segura, mas eu arrisco que o caminho de Trump será uma feia mistura entre retrocessos de vária ordem, pedidos pela facção mais reaccionária do GOP - o fim do Obamacare, da lei Row vs Wade, etc. - e a redistribuição de privilégios na direcção dos mais abastados: a descida de impostos para os maiores rendimentos será certamente concretizada. Transformar-se-á numa perfeita peça do sistema, e por isso não surpreende que, depois da surpresa inicial, os mercados tenham disparado. Donald Trump é o homem de Wall Street - tanto quanto seria Hillary Clinton, é certo, mas a sua actuação não deixa de ser mais moralmente repugnante (vamos ser exactos aqui, sem cinismos), porque irá beneficiar exactamente o sistema contra o qual jurou lutar.

Poderá haver outro caminho, o mais perigoso para o mundo. Trump pode escolher a via extremista, a via do ódio, e tornar-se de facto o primeiro fascista eleito nos EUA, ecoando o romance de Philip Roth, A Conspiração Contra a América. Aí, o mundo dos simulacros que permitiu que ele chegasse à presidência irá estilhaçar-se, e a realidade mostrará a sua feia carantonha. O mapa do cartógrafo voltará a ser própria realidade, mas será talvez demasiado tarde - chegaremos a um ponto em que a violência será inevitável.

Chegados aqui, só podemos recordar com um sorriso nos lábios os optimistas da década de 90, os que sonhavam com o fim da História anunciado pelo fim do bloco comunista e o domínio conceptual (e real) de uma ideia liberal de democracia. Como estamos longe desse optimismo antropológico... O conforto da certeza de que pelo menos numa coisa - a História tem avanços e retrocessos, nada permanece, tudo o que é sólido se dissolve no ar - Marx estaria certo não dissipa a angústia que rói cá dentro, a angústia do tempo que aí vem. Deveríamos todos ter a oportunidade de tomar o comprimido azul, continuando a viver no doce enlevo da floresta da ilusão. Demasiado tarde.

10
Nov16

Presidente Donald

CRG

Por altura das primárias republicanas escrevi este post:

"Na comparação entre "1984" e o "Admirável Mundo Novo" Neil Postman refere que enquanto Orwell temia a censura, Huxley temia que nos fosse dada tanta informação que seriamos reduzidos à passividade e egoísmo, que a verdade fosse afogada num mar de irrelevância.

 

Passados 75 anos da publicação da obra de Huxley, David Foster Wallace, com a sua habitual genialidade, cunhou o termo "Ruído Total" (Total Noise) para descrever o tsunami de informação, spin, retórica e contexto que nos invade diariamente - que não só dispersa a nossa atenção, mas também torna impossível distinguir o que é relevante e de valor.

 

No meio desta avalanche as únicas noticias/opiniões capazes de se elevar do mar de irrelevância são as mais chocantes e esdrúxulas."

 

Trump parece ser o culminar deste fenómeno descrito por DFW. Com efeito, ele é o candidato que através da sua capacidade de chocar, de criar polémica e de entreter domina a atenção dos media sedentos de audiências.

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Esta atenção desproporcional face aos restantes candidatos reforça o poder da candidatura de Trump, que por sua vez lhe confere mais cobertura noticiosa - um ciclo vicioso. Este poder da imagem assente em discursos simples reduzidos à formula "eu sou o melhor" nas suas mais diversas variantes apela a eleitores cansados de tanto ruído, de tantos anos de falsas promessas (...).

 

Acrescido a estas simples mensagens veio um apelo emocional à nostalgia (ou o que passa por nostalgia num tempo de distúrbio do déficit de atenção generalizado, como diria Pynchon). Não foi uma campanha virada para o futuro, mas para o passado - make america great again. Ora, como escreveu DeLillo: "Nostalgia is a product of dissatisfaction and rage. It´s a settling of grievances between the present and the past. The more powerful the nostalgia, the closer you come to violence." 

 

A campanha da Clinton não conseguiu dar resposta a esta dessatisfação e raiva, a uma parte do eleitorado perdido entre o passado e o presente. Julgavam, com alguma razão, que o comportamento desastrado de Trump e a manutenção da política do Presidente com uma taxa de aprovação superior a 50% seria suficiente. Falharam por 2%. 

 

NB: Still, it is clear that the places that voted for Trump are under greater economic stress, and the places that swung most toward Trump are those where jobs are most under threat. Importantly, Trump’s appeal was strongest in places where people are most concerned about what the future will mean for their jobs, even if those aren’t the places where economic conditions are worst today.

04
Nov16

A Berta Discussão

CRG

"Depois de o ouvir, não tenho dúvida nenhum de que a geração a que o senhor pertence está de cabeça perdida"

– Berta Cabral, 4 de novembro de 2016

 

“The young people of today think of nothing but themselves. They have no reverence for their parents or old age. They are impatient of all restraint; They talk as if they alone know everything and what passes for wisdom in us foolishness in them. As for the girls, they are foolish and immodest and unwomanly in speech, behaviour and dress”.

– Peter the Hermit, Eleventh century AD.

 

“Our young men have grown slothful. There is not a single honourable occupation for which they will toil night and day. They sing and dance and grow effeminate and curl their hair and learn womanish tricks of speech; They are as languid as women and deck themselves out with unbecoming ornaments. Without strength, without energy, they add nothing during life to the gifts with which they were born – then they complain of their lot”.

– Seneca, First century AD

 

“The children now love luxury; they show disrespect for elders and love chatter in places of exercise. Children are tyrants, not the servants of their households. They no longer rise when their elders enter the room. They contradict their parents, chatter before company, gobble up dainties at the table, cross their legs and tyrannise their teachers”.

– Socrates, Fourth century BC

 

“What is happening to our young people? They disrespect their elders, they disobey their parents. They ignore the law. They riot in the streets inflamed with wild notions. Their morals are decaying. What is to become of them?”

– Plato, 4th Century BC

 

“I see no hope for the future of our people if they are dependent on frivolous youth of today, for certainly all youth are reckless beyond words… When I was young, we were taught to be discreet and respectful of elders, but the present youth are exceedingly wise [disrespectful] and impatient of restraint”.

– Hesiod, Eighth century BC

 

“We live in a decaying age. Young people no longer respect their parents. They are rude and impatient. They frequently inhabit taverns and have no self control.”

– Inscription, 6000 year-old Egyptian tomb

 

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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