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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

28
Fev15

O Costa bom e o Costa mau

MCF

Para quem, independentemente da sua futura opção de voto, acha que o país precisa absolutamente de discutir alternativas de futuro que não passem pelo repetir do mantra da austeridade – e não é preciso combater essa linha política com os seus desastrosos efeitos sociais e económicos, basta lembrar que não cumpre o objectivo que supostamente teria: sanear as contas públicas – é importante saber onde pára o PS.

Ao contrário do que tem acontecido noutros Países, como Espanha e Grécia, a esquerda tradicional em Portugal não está ameaçada de extinção. As razões para isso são várias, desde logo os nossos brandos costumes. A agitação social foi, em Portugal, uma fracção do que aconteceu na Grécia ou em Espanha. O PS não sofreu as ondas de choque que mataram o PASOK e feriram profundamente o PSOE.

António Costa ganhou a liderança do PS nas costas da ideia de que, com o anterior líder, faltava oposição ao actual Governo e sobrava indefinição quanto a uma ideia para o País e para o futuro. Foi nesse António Costa que as pessoas votaram em primárias primeiro, e no Congresso do PS depois.

Desde a sua eleição António Costa tem sido ora fiel ora infiel a essa promessa implícita entre ele e os seus eleitores.

Pessoalmente, espero que o António Costa das gafes recentes, da decisão de reposição das subvenções vitalícias a meias com a actual maioria, e da conversa mole tenha ido a enterrar definitivamente hoje.

Hoje, em que é conhecida uma sondagem que mostra – objectivamente – que o PS está exactamente onde estava, do ponto de vista eleitoral, com a anterior liderança: à frente da maioria mas muito longe de uma vitória que lhe permita mudar de políticas. E isso, pura e simplesmente, não serve. Pela mesma razão, uma qualquer ideia de bloco central é fundamentalmente incompatível com aquilo que o País precisa.

Ora, com a clareza que deveria ter todos os dias António Costa afirmou que o país “não está à espera nem precisa de um bloco central”. E disse, mais, que “Nós temos propostas, nós temos medidas. E não nos conformamos com a resignação do senhor primeiro-ministro – e estamos aqui para construir e afirmar uma alternativa. (…) Apresentámos a estratégia nacional de combate à pobreza infantil e juvenil, que é o segmento da sociedade onde a pobreza mais aumentou. Apresentámos as políticas activas de emprego, dirigidas aos jovens mais qualificados, de modo a integrá-los nas empresas do sector exportador, de forma a reforçar a produtividade e a competitividade. Apresentámos a proposta de dinamizar sectores com capacidade para absorver a mão-de-obra intensiva, como sejam a reabilitação urbana, na construção; a redução do IVA na restauração”.

Ora não é preciso concordar a 100% com tudo o que ali está – ou com tudo o que está na Agenda da Década ou estará no programa eleitoral do PS – para perceber que é mil vezes mais capaz de dar resposta ao que o País precisa do que a alternativa que a actual maioria oferecerá: mais quatro anos de austeridade misturada com uma estranha (e ilógica) mistura de liberalismo de trazer por casa com uma tendência para brutais aumentos de impostos, corolados com taxas e taxinhas desde sacos de plástico a tudo o que tem armazenamento digital.

Esperemos, então, que este tenha sido o momento em que o Costa bom finalmente ganhou a batalha ao Costa mau. Afinal, para mau Seguro teria servido perfeitamente.

27
Fev15

O Receio

Diogo Moreira

Há uma expressão usada por Paulo Rangel na Prova dos Nove da TVI 24 de ontem que me ficou na cabeça:

“António Costa representa o regresso da ‘velha política’.”

O douto eurodeputado laranja referia-se à questão da possível isenção de taxas municipais em Lisboa, por parte do Benfica — algo que acho que é mais um daqueles erros crassos de Costa, numa semana recheada deles — mas confesso que tal expressão, hoje recordada, me fez pensar nas reacções de muitas pessoas, entre as quais a minha, às declarações do secretário-geral do PS perante a comunidade chinesa.

Outro ingrediente da minha reflexão foi a interjeição de Jorge Coelho na Quadratura de ontem, que, na minha opinião, fez a melhor defesa do discurso de Costa, por contraponto a Francisco Assis que na mesma hora e num canal concorrente continuava a fazer valer os seus galões de idiota útil mais inteligente da política portuguesa, ao entregar o ouro ao bandido. E o que disse o grande ‘Coelhone’? Respondendo à diatribe de Pacheco Pereira — que está a regressar às suas raízes revolucionárias, ao travar a sua luta sem quartel com o actual governo — Jorge Coelho perguntou simplesmente se Pacheco acreditava que as várias interpretações de apoio à política do PSD/CDS, que se faziam das declarações de António Costa, correspondiam à realidade. Pacheco Pereira naturalmente respondeu que não.

E aí percebi o factor que pode ter estado na origem das reacções ao discurso em pessoas próximas do PS: receio.

Receio que António Costa os possa estar a enganar quando diz que tem alternativas substanciais às políticas do governo. Receio que um voto no PS seja um voto para que tudo fique mais ou menos na mesma, seja via Bloco Central ou outras aberrações, como sejam alianças com o CDS, o que seria a continuação da política de austeridade com outros protagonistas.

Em suma, que António Costa seja um político da ‘velha política’. Que nos esteja a dizer o que queremos mais ou menos ouvir, para depois fazer uma política semelhante, mas com cariz humanista. Que estruturalmente pouco mude, porque não pensa que existe grandes alternativas, ou que não tenha a coragem de as implementar. Que não perceba que o PS está apenas a um desastre governativo de poder tomar o caminho do PASOK. Para aqueles que se podem estar a rir com esta frase, lembrem-se que eu também ria do SYRIZA no poder, na Grécia, há uns anos atrás.

Este receio, em grande medida irracional, existe e está dentro de muitos de nós. O medo de que quem se prepara para nos governar não tem ideia de como sair deste buraco em que o país se encontra, como o comum dos cidadãos. Ou que chegue a Bruxelas, ou Berlim, para mudar os termos de funcionamento da UE, e bata com o nariz na porta, porque leva um nein de Merkel, e volte com o rabo entre as pernas. Em suma, que não saiba sair desta crise, mantendo os paradigmas actuais, e não perceba que o mundo mudou, e os portugueses também.

É preciso uma nova política. Uma ruptura de paradigmas, que enquacione todos os actuais constrangimentos da economia nacional, sejam eles a nossa estrutura produtiva, a nossa elite económica imbecil, a presença no Euro, ou a própria União Europeia, entre muitos outros, e que nos dê soluções concretas para os nossos problemas.

No ardor do idealismo dizemos que a política é feita de princípios e ideais. Esse tempo já passou. Pertence a uma realidade em que já não estamos. Regressou a era dos fins que justificam os meios, fruto da situação desesperada em que vivemos. É necessário que a situação mude. E que António Costa consiga essa mudança. Custe o que custar.

É necessário que António Costa seja o homem que tantos acreditam que seja. Que nos venha salvar da crise, e que leve o país para um futuro melhor.

Sob pena de darmos lugar a quem ainda não falhou as suas promessas, porque nunca ainda chegou ao poder.

Mesmo que isso nos custe a alma.

27
Fev15

A apologia da Política

Nuno Pires

Em 2009 inaugurou-se em Portugal uma lamentável e vergonhosa maneira de estar na política. Achincalhar, apenas porque sim. Falar mal de todo um país, apenas porque isso daria uns votos. Transformar a política numa espécie de "jogo de claques", numa "luta na lama", uns contra os outros, em que se procura única e exclusivamente menorizar o adversário mesmo que à custa da reputação de um país, quando no fundo aquilo que se está a menorizar verdadeiramente é a inteligência coletiva, a capacidade de olhar e pensar a cidade.

Estar na política, saber o que é a política, fazer política, não tem absolutamente nada a ver com este lamentável e embaraçoso espetáculo. Tal postura, em rigor, é precisamente o oposto: é a negação da política, é a sua rejeição.
É perfeitamente possível (e até provável e louvável) reconhecer os progressos de um país, o contributo de um povo (ou povos), em particular num contexto em que a absoluta incompetência governativa de uns obrigou outros a darem o melhor de si.

Mas eu compreendo que aqueles que acabaram por ver esta sua "estratégia" de achincalho premiada nas urnas possam ter, erradamente, interiorizado que aquilo é política. E percebo que agora estranhem muito que haja alguém com uma postura mais construtiva, mais aberta, mais honesta.

O que se passou com as declarações de António Costa (e que, temo, voltar-se-á a repetir dada a absoluta falta de argumentos dos seus detratores), é muito mais revelador do grau de inaptidão política de quem se apressou a tentar converter em escândalo uma declaração razoável (porque verdadeira) do que daquele que se recusa a recorrer ao mero achincalho, ao "isto está péssimo, estamos todos condenados e a culpa é toda ali daqueles senhores".

Mas as estratégias para enganar tolinhos, frequentemente orquestradas por tolinhos, têm quase sempre o condão de serem de fácil desmontagem.

Aos que tomaram as declarações de Costa como escandalosas, alinhando na referida estratégia, e ainda não descortinaram o que lhes sucedeu, eu ajudo: esta sessão, onde Costa fez as referidas declarações, decorreu no dia 19; foi divulgada apenas anteontem, dia 25.

Uma alminha mais... crente (chamemos-lhe assim) poderá ainda não ter percebido e continuará a assumir que este hiato foi preenchido com as complexas e prolongadas tarefas de editar uma reportagem ou fazer um ficheiro áudio para telemóveis.

Obviamente, não foi o caso. No dia em que alguns se entretiveram a procurar um escândalo nas declarações de Costa, a Comissão Europeia anunciou que Portugal passou a integrar os países sob vigilância orçamental, em virtude de "riscos importantes", certamente fruto da governação de excelência de Passos Coelho, Paulo "irrevogável" Portas e seus amigos.

Para além disso, foram divulgados os números da execução orçamental. Parece que a despesa subiu.

Ouviram falar muito disso? Não? Pois...

 

27
Fev15

Notas corridas

MCF

 

O INE confirma hoje uma boa notícia: o PIB subiu finalmente em 2014, o que não acontecia desde 2010. Ou seja, desde antes de a Europa ter decidido que ia inverter a estratégia de combate à crise financeira de 2008 e embarcado no monumental embuste da "austeridade expansionista". Sendo um crescimento anémico e que mal começa a compensar o acumulado de perda de PIB dos três últimos anos, é melhor ter este que nenhum.

 

PIB.jpg

 E de onde veio este crescimento? Das exportações? Não. Do consumo interno. Depois do brutal aumento de impostos em 2013 o ano de 2014 trouxe, por vezes a contragosto do Governo, algum alívio do ritmo da austeridade (parou de aumentar). São boas notícias? Mais ou menos. Significa que nada mudou quanto à falta de equílibrio externo da economia portuguesa, o que se verifica pelo saldo negativo das exportações.

Ao contrário do que se possa imaginar com a propaganda que aí vai, as exportações estão a crescer mais devagar e, acima de tudo, estão a crescer abaixo do nível de crescimento das importações, invertendo o saldo com o exterior que tinhamos tido em anos anteriores.

 

exportsimports.jpg

Tudo visto e baralhado: nada de euforias, até porque o desemprego continua em níveis intoleráveis, a dívida pública e privada pesa nas contas do Estado e do País e se nada fizermos para mudar de vida, o actual ritmo de crescimento da Economia significa que só lá para os anos 2020 voltaremos a ter um PIB comparável com 2007. Mais de uma década perdida.

26
Fev15

O contexto é tramado

Diogo Moreira

Pág. 1/6

«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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