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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

30
Mar14

Peticionemos

David Crisóstomo

 

Hoje, há um consenso amplo na sociedade que reconhece que Portugal enfrenta uma crise sem precedentes na sua história recente que combina dimensões económicas, sociais e financeiras, tendo também importantes manifestações políticas que podem abalar os alicerces do regime democrático.

 

Nenhuma estratégia de combate à crise pode ter êxito se não conciliar a resposta à questão da divida com a efectivação de um robusto processo de crescimento económico e de emprego num quadro de coesão e de solidariedade nacional. A reestruturação honrada e responsável da divida no âmbito da União Económica e Monetária a que pertencemos é condição sine qua non para o alcance desses objectivos, tendo igualmente em atenção a necessidade de prosseguir as melhores práticas de rigorosa gestão orçamental no respeito das normas constitucionais. Sem crescimento económico sustentável, a dívida actual é insustentável.

 

É subscrever faxavôr, apesar de o doutor Paulo Rangel achar que isto teve pouca adesão.

 

28
Mar14

Do Governo como factor de instabilidade (MXII):

Nuno Oliveira
Podemos desvalorizar dizendo que esta incompetência não é novidade. Mas é esta mesma incompetência, deste governo, desta Ministra das Finanças, deste Secretário de Estado que conduz o país a resultados cada vez mais miseráveis.

É esta mesma incompetência que, não só é o maior factor de risco para a estabilidade governativa que o nosso Presidente da República tanto apregoa, como é também a responsável pelo maior retrocesso social desde o 25 de Abril, como os dados mais recentes dramaticamente ilustram.

Como escreve hoje, e bem, o Pedro Silva Pereira: travar esta governação "deixou de ser apenas uma urgência política: tornou-se um imperativo moral."

27
Mar14

As escolhas de Seguro

Pedro Figueiredo

Não foi à toa que o 365 Forte escolheu a frase de Ortega y Gasset como mote para o blogue. É perante o dilema das circunstâncias que temos de nos decidir. No entanto, é o nosso carácter que decide.

 

As escolhas feitas por António José Seguro para a lista de candidatos às europeias são, certamente, defensáveis. As razões podem prender-se com variadíssimos argumentos, que podem fazer a diferença em quem terá de decidir, nas urnas. Ainda assim, há dois nomes que o secretário geral do Partido Socialista decidiu excluir que merecem um escrutínio maior do que aquele que foi tentado pelos jornalistas no dia em que foram anunciados os nomes no Largo do Rato.

 

Edite Estrela recebeu há cerca de duas semanas o prémio de melhor parlamentar europeia para o emprego e assuntos sociais, curiosamente duas áreas que estão na linha da frente do interesse europeu e nacional por razões sobejamente conhecidas. É eurodeputada desde 2004 e um dos rostos nacionais mais activos que o país tem em Bruxelas. Capoulas Santos também não terá possibilidade de concorrer a um terceiro mandato e despede-se do Parlamento Europeu como coordenador do Comité de Agricultura e Desenvolvimento Rural, áreas nas quais também distingido com o prémio de melhor europeutado em 2012, tendo sido igualmente relator na reforma da PAC, que lhe valeu nova nomeação este ano.

 

Tão importante como justificar as escolhas, é também explicar as ausências. Quando alguém desempenha com distinção as funções que lhes foram atribuídas, a lógica defende apenas dois argumentos válidos: ou foi a vontade do próprio a prevalecer ou haverá planos mais auspiciosos para os protagonistas num futuro próximo. A primeira razão não parece colher qualquer fundamento, pois se assim fosse, Seguro seria o primeiro a vir a público dizê-lo, resguardando-se de eventuais críticas (internas e externas) que pudesse vir a ter. Aliás, pelo comentário de Edite Estrela no Facebook, o mais certo é que tenha tido a notícia de que não integraria as listas pela Imprensa. A segunda razão é difícil de comprovar, já que o que foi conversado entre as partes, por ali ficou.

 

As últimas sondagens continuam a ser desanimadoras para o PS, apesar de ser o partido mais votado. A liderança de Seguro tem andado a escapar-se por entre os intervalos da chuva das sondagens, algumas bem pesadas para o principal partido da oposição e ainda por cima com o panorama do actual do Governo.

 

Seguro pode querer (e tem legitimidade para isso) renovar a equipa europeia, mas ao deixar Edite Estrela e Capoula Santos de fora, depois dos reconhecimentos públicos ao trabalho de ambos, arrisca-se a criar uma nova polémica, a qual, sinceramente, não precisava. E enquanto não explicar as razões dessas ausências (fugiu às perguntas mais directas dos jornalistas nessa matéria), abre a porta da especulação. Que vai contra o discurso de transparência que tanto tem apregoado.

24
Mar14

O tiro pela culatra

Sérgio Lavos

A RTP tem de decidir-se. Ou mantém o formato de comentário semanal com Sócrates e Morais Sarmento, e então aquilo a que ontem assistimos foi uma deturpação desse formato, ou transforma os espaços semanais em entrevistas aos comentadores, o que é um absurdo formal que seria completamente inaudito.

Ainda assim, Sócrates saiu-se bem, melhor ainda do que na entrevista inicial quando regressou à RTP. Apesar da mal disfarçada agressividade de Rodrigues dos Santos - que contrasta vivamente com as várias entrevistas feitas a Passos Coelho desde que este é primeiro-ministro - o antigo primeiro-ministro soube estar à altura, esclarecendo as contradições entre o que disse antes e o que diz agora. 

E por falar em entrevistas esclarecedoras a políticos: onde pára o programa de perguntas feitas por telespectadores que, estranhamente, apenas teve uma emissão, dedicada a Passos Coelho? Aquilo que não passou de uma vergonhosa sessão de propaganda governamental na televisão pública não teve continuidade, ficando por entrevistar os outros líderes partidários. Não quero acreditar que o canal público, ameno nas conversas que tem mantido com o primeiro-ministro e feroz nos programas de comentário de José Sócrates, queira ser, no fundo, não mais do que um veículo de propaganda governamental. E a independência prometida por Maduro (não o venezuelano, mas o Poiares da propaganda)? Veremos o que o futuro nos trará. Mas não esperemos demasiado. 

 

21
Mar14

O nó górdio

Sérgio Lavos

Não há armadilha colocada pelo Governo ou por Cavaco em que António José Seguro não caia. Os frequentes apelos ao consenso, repetidos até ao enjoo, já deviam ter inoculado o líder do PS, mas ele parece não aprender, caindo nos braços do primeiro-ministro a um ritmo regular. Se até podemos entender a formalidade do gesto, menos se compreende a encenação que essa formalidade comporta. O discurso do Seguro, a sua estratégia, passa por um afastamento do Governo. Mas a verdade é que poucos acreditam que existam diferenças substanciais entre as propostas do PS e as medidas do executivo. Com estes pressupostos, o que temos vindo a assistir nos últimos dois anos é a uma farsa em que Seguro aparece nas televisões criticando o Governo por medidas que o próprio Seguro irá com certeza manter quando (e se) chegar a primeiro-ministro.

A reunião desta semana, antes do beija-mão a Merkel, é um dos momentos em que a farsa se tornou mais evidente. Depois de três horas à volta de chá e bolinhos, o primeiro-ministro saiu da reunião mudo e calado - e até agora não conhecemos uma declaração do Governo sobre o acontecimento -, enquanto Seguro fez questão logo de dizer que não tinha chegado a entendimento com o Governo, afirmando existirem diferenças insanáveis. Mas não existem, claro, como fez questão de esclarecer, logo no dia a seguir à reunião, Óscar Gaspar, conselheiro económico do PS. O que ele disse, aliás, é uma confirmação daquilo que toda a gente já sabia há algum tempo: o grosso dos cortes em salários e pensões é para manter, não sendo possível uma reversão porque, e cito: "As contas públicas portuguesas não o permitem." 

Este momento, definidor, corresponde àquele gesto em que o mágico revela o seu truque. É verdade que foram raras as medidas que Seguro prometeu reverter (e Pacheco Pereira tantas vezes denunciou esta estratégia), mas ver a confirmação de que o essencial é para continuar, preto no branco, decidirá muitas coisas. A começar pelo sentido de voto dos portugueses. Se Seguro irá manter os cortes no rendimento de uma grande parte dos portugueses, para que é que eles se incomodarão a votar no PS? Há, aliás, sondagens que indiciam que, se estiverem em causa políticas de austeridade, os portugueses confiam mais na direita e em Passos Coelho para as aplicar. Desse modo, não se vê como poderá o PS conquistar o voto da minoria de portugueses que defende ou aceita a austeridade - esse voto irá para o PSD (ou para o CDS). E ao reafirmar, de forma consecutiva, que de facto não tem um discurso alternativo a esta austeridade, o PS abdica do voto de protesto e do voto de esquerda contra a actual política de empobrecimento. 

A assinatura do Tratado Orçamental e o discurso dúbio de Seguro em relação aos cortes prenunciavam o que agora foi confirmado. Não haverá diferenças substanciais na política de austeridade se o PS chegar ao poder. A armadilha em que Seguro caiu foi esta: o apelo ao consenso que levou à realização da reunião desta semana prendeu-o a um colete de forças do qual ele não quer (ou não pode) livrar-se. Foi uma espécie de rendição voluntária ou de confirmação de uma inevitabilidade. E significa também que, caso o PS não chegue à maioria nas próximas eleições (o mais provável), a coligação será feita com a direita. Estamos esclarecidos. Caberá ao resto da esquerda ser clara nas suas propostas até 2015. O nó górdio não pode continuar a apertar e a destruir a vida dos portugueses.

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«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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