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365 forte

Sem antídoto conhecido.

Sem antídoto conhecido.

30
Jun13

Sê bem-vinda

David Crisóstomo

 

"Croatia faces important challenges in terms of reviving growth, strengthening public finances and promoting competitiveness," the Commission wrote.

Estás em casa. Desculpa aí pelo Barroso, sim? A partir de amanhã já te habituas.

 

Dito isto, sê bem aparecida cara amiga. Na segunda-feira teremos aqui uma pequena, tímida cerimónia para celebrar a tua entrada no clube. Todavia, tudo indica que não lá estará nenhum representante do governo português. Nenhum evento ou voto especial de saudação se deverá realizar na parlamento cá do burgo. O mesmo que, em 2012, aprovou a tua adesão, ratificada na véspera do dia de Todos-os-Santos. Fomos discretos. E seremos ainda mais discretos amanhã. Mas não leves a mal a falta de sentido de estado daqueles que actualmente representam este nosso estado. Um estado onde, ao contrário de ti, nunca se referendou esta integração plurinacional. No ano passado, 66% dos teus aprovaram a europeísta ideia, num consenso que nos anima por revelar que ainda existe esperança neste pensamento em tempos tão pardacentos. Amanhã celebrarás esta nova fase da tua existência nacional. Amanhã, na celebração que se realizará na Praça Ban Jelačić, no centro de Zagreb, haverá uma bandeira estranha num edifico desse rossio. É sede da representação diplomática duma pátria velha. Nessa pátria velha há um desejo de felicidade para ti neste novo projecto, europeu por excelência. Esperemos que possas no futuro vê-lo com os olhos que nós outrora o vimos: um projecto de desenvolvimento, de solidariedade e de fraternidade entre nações. E és um bom exemplo disso. Tu que participaste na reconstrução da bósnia Stari Most [Ponte Velha] de Mostar destruída em 1993, vitima da guerra na tua vizinha Bósnia-Herzegovina. Reconstrução essa que foi talvez dos melhores exemplos do sentimento europeu, um "símbolo da reconciliação, da cooperação internacional e da coexistência de diferentes comunidades culturais, étnicas e religiosas" nas palavras da UNESCO. Na reabertura da ponte em 2004, o poeta Ivan Lovrenović declarou: “Enquanto voam as andorinhas que brincam com o vento sob os arcos da ponte, brindo dizendo: cá estamos nós”. Agarremos-nos a esse lirismo.

Sê bem-vinda.

 

 

29
Jun13

Futebol não é o ópio do povo

Pedro Figueiredo
Não deixa de ser irónico que um país onde o futebol é amado e adorado, único com cinco títulos mundiais e das equipas que mais costumam encantar o mundo, depois da Argentina, se tenha revoltado por causa do dinheiro gasto para receber a Taça das Confederações, a decorrer, e o Mundial de 2014.
O descontentamento provocado pela construção de um complexo imobiliário numa praça defendida pela população na Turquia virou-se, no Brasil, no aumento das tarifas dos autocarros. A emergência de uma classe média mais instruída pode estar na base da explicação para tais comportamentos. Pode não ter renegado o desporto-rei como forma de distracção e veículo de paixão clubística - autênticas tribos no seu sentido mais antropológico -, mas percebeu que tal como a religião, o futebol não pode ser uma espécie de ópio do povo. Como diz uma amiga com quem discuti a questão, isto tem marximo all over.
Já com a grande parte dos estádios que vão servir de casa ao Mundial do próximo ano construídos e prontos depois de muitas insistências da FIFA devido aos atrasos, as críticas da população viraram-se para as obras sumptuosas que estavam a ser feitas em formas de estádios de futebol.
Quando são as pessoas a gritar na rua que não querem mais corrupção, isso já não é demagogia. O Brasil pode representar três quintos da economia sul-americana, mas este Mundial já está a ser o mais caro da história do futebol e as obras, pelos vistos, ainda não terminaram. As facturas estão a chegar e as pessoas sentiram.
Entretanto, Neymar vai dando um espectáculo nos relvados para o mundo inteiro, com pessoas à porta a incendiar veículos da imprensa, como crítica à forma como têm sido cobertos os acontecimentos no país.
Pelé, o nome brasileiro incontornável do futebol mundial, fez perceber mais uma vez que a sua linguagem era mesmo apenas e só a da bola. Li num tweet brasileiro que depois do comentário de Pelé sobre as manifestações: «Vamos apoiar a seleção nacional. Vamos esquecer a confusão, esquecer os protestos»,  que só não podia faltar o Master Card. Polga, que entrevistei recentemente, disse-me que as pessoas têm todo o direito de se manifestarem, mas que deviam pensar na imagem que estavam a dar do Brasil para o exterior.
Carlos Drummond de Andrade, que deu o prazer ao futebol de dedicar umas prosas, como só ele tinha o dom de escrever, em homenagem ao futebol, disse uma vez: «A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca.» Não creio que estivesse a referir-se aos brasileiros. Não aos que estão na rua a impedir que se propague o caos, mas que o Governo ouça que assim não dá mais. Afinal de contas, por que razão as insígnias do Brasil serão Ordem e Progresso?
27
Jun13

Falta de respeito

David Crisóstomo

Para este governo, há cidadãos e cidadãos.

Uns o governo respeita mais.

Outros o governo respeita menos. Quiçá nada.

 

Seria esta distinção para ti, caro cidadão que exerce hoje o direito à greve, abdicando assim de um dia de salário para manifestares a teu repúdio perante o empobrecimento radical a que te querem condenar? Ou será que a mensagem era para ti, prezado cidadão que não trabalha devido a vários trimestres seguidos de contracção económica sem fim à vista, com a maior taxa de desemprego da história da democracia portuguesa? Poderá ser para ambos este novo segundo escalão de respeitabilidade criado pelo respeitoso Marques Guedes? O ministro não esclareceu. Deixou ao nosso pouco respeitável critério, portanto. Fica um mistério, um enigma. Mas um enigma esclarecedor: há cidadãos da República que merecem, para o governo, menos respeito que outros. Menos estima, reduzido apreço, pouca consideração. Não merecem o inteiro respeito das entidades governamentais. Que, como é certo e sabido, dão-se muito ao respeito. E exigem respeitinho. 

 

Para este governo, há cidadãos e cidadãos. Este cidadão tem cada vez menos respeito. Muito menos.

 

27
Jun13

“As grandes reformas do Estado não se podem fazer contra as pessoas e contra o próprio Estado"

David Crisóstomo

A propósito da greve geral de hoje, comparemos:

 

Pedro Passos Coelho afirmou ontem que, se "ao PSD não cabe tomar posição sobre a greve geral de 24 de Novembro, não deixa de compreender as pessoas que a ela aderem". "Mas quero dizer que, se não desfilaremos em greve geral com manifestantes, ninguém nos verá a atirar pedras às pessoas que, cheias de razão, pedirão para que no futuro as coisas sejam mais bem lidadas do que foram nestes anos", disse Passos Coelho.

Passos Coelho: «País precisa de menos de greves e mais de trabalho»

  

(ah, e o titulo desta posta veio desta prestigiada publicação)

 

27
Jun13

A minha greve é igual à tua

Estou em greve.

 

Porque prefiro o meu nome desprezado pelos carrascos deste tempo, antes quero que os pulhas me cuspam do que me doa a consciência.

Trabalho para o Estado, num hospital público. Sempre achei que tenho o dever de não deixar um doente esperar, muito embora nunca os veja, muito embora apenas me passem à frente num ecrã de computador. Sequências de números que sofrem.

Aprendi assim, fui formado a comportar-me assim. Nunca fiz greve enlevado por este sentido do dever, acima do dinheiro, acima das convicções ideológicas, acima dos direitos que outros adquiriram para mim. Trabalhar para o estado representa ser funcionário dos doentes, não do ministro A ou do secretário de estado B.

Nos últimos dias o meu director tem pregado sobre a inutilidade da greve, que outrora fez, mas presencialmente, num gesto abnegado e heróico que não vê em mais ninguém. Debitou horas seguidas de discurso anti-greve, sem no entanto pisar a linha da ameaça, mas quase. Ouvi-o calado.

Falei com colegas que gostariam muito, mas o dinheiro faz falta. A mim também.

 

26
Jun13

Mitologia

André Fernandes Nobre

«País precisa de menos de greves e mais de trabalho»


Enquanto estive emigrado, tive que explicar a um cidadão Sueco que, contrariamente aos mitos propalados por essa Europa de que os povos do Sul são calaceiros trabalham menos horas, na verdade, os Portugueses trabalham tanto ou mais que quaisquer outros cidadãos Europeus.


Aparentemente, esta semana temos que explicar isso ao nosso Primeiro-Ministro.

26
Jun13

E vivam os consensos

Nuno Pires

 

Trabalhadores, empregadores, sindicatos, associações patronais, deputados da esquerda e também da direita (em particular de um CDS que parece andar confuso), sociólogos, antigos líderes partidários, comentadores de diferentes tons partidários... todos concordam que este não é o caminho a seguir e que os sacrifícios que estão a ser pedidos aos portugueses estão a resultar numa situação bem pior do que aquela que o atual Governo encontrou quando, há dois anos, tomou posse.

 

No Le Monde escreve-se precisamente sobre esse amplo consenso: o consenso de que a estratégia (se é que ela existe) seguida por este Governo está errada e que urge parar com a austeridade que tem vindo a destruir a nossa economia ao longo dos últimos anos.

 

A tão propagandeada credibilidade externa granjeada por este Governo não passa disso mesmo - de propaganda - e o ministro Maduro, que tanto tem repetido a expressão, já deveria ter percebido que o único consenso generalizado que existe na sociedade portuguesa se baseia na rejeição das opções políticas do Governo que integra.

 

Après deux ans de crise et de sacrifices sans résultat visible, la fatigue et l'exaspération grandissent chez les Portugais. Chez les travailleurs, les retraités et, désormais, au sein du patronat : "Il est temps de sauver le pays de la récession et de l'abîme !", ont interpellé, lundi 24 juin, les quatre organisations professionnelles représentant les agriculteurs (CAP), le commerce et les services (CCP), l'industrie (CIP) et le tourisme (CTP). Cette alliance vise à faire réagir le gouvernement de centre droit jugé aux ordres de l'Europe.

 

 

24
Jun13

Maniqueísmos que me incomodam

mariana pessoa

Equiparar Snowden a Assange tem mais de estratégia touro na loja de porcelanas (tão cara aos Estados Unidos...) do que beatificação dos Wikicoisos e de vassalagem dos Anonymo-cenas.

 

O mensageiro, não é, de todo, o mais importante. Diabolizá-lo ou santificá-lo em nada contribui para o incontornável facto: os Estados Unidos da América, self proclaimed leaders of the free world, usam táticas tão questionáveis quanto todos aqueles que considera estarem do outro lado da barricada. No fundo, mesmo sem GW Bush, continuamos na narrativa do eixo do mal. Mesmo com Obama. Ah, the smell of irony in the morning...

Assange estava acusado de violação, é um narcísico e colocou em risco milhares de vidas. E Snowden, vai ter que problema no currículo para que efectivamente se passe ao lado do acessório e se vá até ao essencial? 

 

Era sobre isto que devíamos estar a falar: não é preciso ser-se suspeito de um qualquer crime para ter chamadas monitorizadas. Qualquer um de nós pode ter as suas comunicações controladas, sem qualquer indício que o justifique.

 

E quem é que está a discutir este assunto? E a quem é que não interessa discutir o essencial? E que moral têm os Estados Unidos para falar sobre tratamento dos Aliados, mesmo? E até que ponto é que o argumentário do 'salvar vidas é mais importante que o direito à privacidade' não está a ser manipulado? 

 

 

21
Jun13

A greve dos professores e o novo líder espiritual da direita

Cláudio Carvalho

Nos últimos dias, a mesma direita que em legislaturas não muito distantes teve partidários fanfarrões travestidos de diretores de jornais - dedicados a criar inventonas atrás de inventonas - como seus doutrinários, é a mesma direita que reencontra em Henrique Raposo o seu novo "líder espiritual" para malhar nos professores, nos sindicatos e, particularmente, em Mário Nogueira.

Como se pode ver na crónica publicada no Expresso, que podia muito bem ter sido publicada no "Povo Livre", do passado dia 18, Henrique Raposo disserta sobre a vida profissional e sindical de Mário Nogueira, como resposta aos acontecimentos gerados pelos erros - de opção política e de gestão política - do Governo e, em particular, do Ministro da Educação e Ciência. O nível de aplausos e de louvores a este "Nigel Farage português" tem sido tão assinalável quanto surpreendente, o que comprova duas matérias: a primeira é que, indubitavelmente, é preciso reforçar o ensino de introdução à filosofia no ensino secundário, tal é a incapacidade de reconhecer uma falácia; a segunda é que, efetivamente, ainda, existe um número substancial de cúmplices deste governo e das suas políticas.

A resposta, num futuro próximo, é para dar nas urnas.

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«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.»
- Ortega y Gasset

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