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06
Dez

O grande hipócrita

por Nuno Oliveira
aqui se tinha recuperado a história. Há menos de um mês, Alfredo Barroso recordou o dia em que Portugal se isolou do resto do Mundo para ficar lado a lado com Estados Unidos e Grã-Bretanha, Reagan e Thatcher, votando contra a libertação incondicional de Nelson Mandela. Apesar de, como o David recorda, ter também votado favoravelmente e no mesmo dia uma outra resolução com uma redacção diferente e que defendia a libertação incondicional de Mandela.

Terá encontrado porventura na redacção da referida proposta um pretexto para votar contra. Mas note-se que foi um pretexto que Portugal encontrou apenas a par de Grã-Bretenha e Estado Unidos. 22 países optaram pela abstenção.

Percebe-se assim que, na ocasião da sua morte, Cavaco elogie em Mandela a coragem política que nunca teve. Pode dizer-se que agora como na altura, Cavaco se encostou à posição que no seu mau juízo julgava mais cómoda para os "interesses nacionais".

É também essa a razão pela qual a história será certamente pouco generosa com Cavaco. Porque ao contrário de tantas figuras históricas, algumas das quais portuguesas, Cavaco nunca arriscou a vida, a liberdade ou sequer o seu conforto, fosse ele material ou político, por algo em que profundamente acreditasse. E já será porventura generosidade excessiva presumir que acredita em algo, politicamente falando.

Não sei que epíteto a história lhe reservará. Mas o grande hipócrita é uma forte hipótese.

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4 comentários

De ana borges a 06.12.2013 às 11:19

Eu não me canso de repetir que os líderes em Portugal não saem numa rifa. São eleitos! Este senhor foi eleito 5 (cinco!) vezes pelos portugueses. É desses que tenho mais vergonha, porque o Cavaco, esse, sempre foi e sempre será um invertebrado.

De Knome a 07.12.2013 às 15:06

O revisionismo histórico que a esquerda faz ou tenta SEMPRE fazer, aos factos ocorridos, é demente.
A resolução que foi regeitada era a que aceitava a luta armada como legítima, para além da libertação imediata de Mandela.
A resolução que foi aprovada, rejeitava a luta armada e exigia a libertação imediata de Mandela. Parece que esta foi a que veio a verificar. Parece que deu certo. Temos pena de não ter havido mais mortes.

De Nuno Oliveira a 07.12.2013 às 18:22

Curiosamente, e apesar de lhe chamar revisionismo, é curioso que o pudor na legitimação da luta armada como refere só tenha vindo de três países. Muitos países optarem pela abstenção numa resolução como noutra.

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