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Não obstante concordar com alguns poucos pontos do texto do Francisco Assis há outros tantos que me causam urticária. Não faço a apologia da redução do debate. Acho que há espaço para todos os debates. E todos é mesmo todos. 

 

Mas não sejamos ingénuos. Vir insistir, como Assis o faz, nesta tónica de esquerda "radical" versus esquerda "moderada" é desviar o foco que devia estar concentrado na direita essa sim radical que encaminha o país para um desastre económico e social.

 

Depois, o que critiquei em Alegre, critico também em Assis. Mais do que desviar o foco da direita, a abstracção. Se tem uma crítica a fazer à "denúncia quixotesca" e "projectos inexequíveis" a bem de uma discussão intelectualmente séria devia Francisco Assis assumir a que se refere. À renegociação da dívida? Ao questionar desta arquitectura do euro? Ao cepticismo face à orientação da União Europeia? À recusa de austeridade acrescida? Se assim é, porque prefere Assis proclamar abstracções adjectivadas de forma hiperbólica em vez de assumir a sua posição de forma sustentada em cada um destes tópicos?

 

Era bom que a discussão fosse um pouco mais que socialistas "moderados" versus socialistas "bons".

 

Nenhum debate no PS deve ser tabu. Mas, de novo, que o seja em base sustentada e com argumentos sólidos. Repito neste caso para o texto de Assis o que já havia dito para o de Alegre: uma sustentação sólida sobre tópicos concretos seria bem mais útil ao país e ao ideário socialista.

 

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