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"Caros Amigos,

 

1. Estamos hoje aqui por razões patrióticas e para salvar a Pátria e a Democracia, que estão em grande risco. Estamos, por muito que me custe dizer isso, a caminho de uma nova ditadura. Vide o que se passou há poucos dias com as Universidades e os Institutos Politécnicos. Bem como com os juízes, os militares, os guardas republicanos e os polícias. E também com os funcionários públicos e mesmo com alguns privados.

 

2. É preciso respeitar a Constituição. Não há democracia sem respeito pela Constituição. Não é eterna, obviamente, mas para a mudar são precisos dois terços do Parlamento, o que não é o caso.

 

3. O Senhor Presidente da República, que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição, não a está a respeitar. O que é inaceitável. Porquê? Porque só protege um único partido, que é o seu próprio, e o seu actual aliado CDS-PP. Não é o Presidente de todos os portugueses. Longe disso. É odiado e vaiado pela grande maioria dos portugueses, que estão a viver terrivelmente mal. Por isso tem medo de sair à rua.

 

4. Os portugueses, com este Governo, estão a emigrar, desesperados, revoltados e a suicidar-se. E outros, para subsistir, entram na criminalidade. É gravíssimo.

 

5. É preciso ter a consciência de que a violência está à porta. Ora é isso que é necessário evitar.

 

6. É para evitar a violência que estamos aqui, patrioticamente, a defender a Constituição, a Democracia, o Estado Social e o Estado de Direito, que estão a ser sistematicamente destruídos.

 

7. Com um Governo completamente paralisado e sem rumo, que não dialoga com o Povo, e um Presidente da República que só pensa em mantê-lo, estamos, todos os dias, a criar o desespero e a violência. É verdade que há muita gente com medo. Mas outros estão tão desesperados que já não têm nada a perder.

 

8. É por isso que digo que o Presidente e o Governo devem demitir-se, enquanto podem ir ainda para as suas casas. Caso contrário, serão os responsáveis pela onda de violência que aí virá e os vai atingir.

 

9. Acresce que não é só Portugal que está mal. É certo. Mas a Espanha e a Itália, felizmente para elas, não têm troikas. E a Irlanda vai deixar de tê-la. A crise é europeia. Mas está em mudança, para evitar um desastre mundial. Ninguém aceita hoje a austeridade, que está na origem de todos os males. Portugal é a excepção. E parece gostar de ter a troika, que é quem manda em Portugal. Que vergonha para um Estado que descobriu o Mundo e tem as suas velhas fronteiras de há mais de nove séculos.

 

10. Por isso ouso dizer, patrioticamente: Senhor Presidente, demita-se, uma vez que não cumpre a Constituição e por partidarismo não é capaz de demitir este Governo incompetente e que nos está a empobrecer e destruir todos os dias. Não nos digam que não há mais alternativas. Há, muitos o sabem. Não desgrace mais Portugal!"

 

Mário Soares, 21 de novembro de 2013, Aula Magna (Lisboa)

 

Mensagens dos convidados que não estiveram presentes

 

 

 

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1 comentário

De nunosantamaria a 22.11.2013 às 17:04

Assistimos ontem a uma reunião do Diretório, uma verdadeira Reação Termidoriana. A alta burguesia, encabeçada pelo vetusto grão-mestre, reuniu as hostes em demonstração da sua grande preocupação com o rumo que a 'jacobinagem' vigente tem vindo a imprimir. Não lhe faltou mesmo nada: Nem dignos representantes dos Exércitos, que convém manter por perto, nem sequer entidades virginais para, em ritual quasi aventaleiro, desflorar no momento mais propício. Só falta mesmo um ponta de lança credível para o plano externo, uma espécie de Bonaparte que travasse 'lutas' em sedes ora mais remuneratórias.

A pobreza nunca é democratizável!e é precisamente a eminência da sua democratização que faz com que ilustres cabeças do Diretório se arrisquem a extravasar as fronteiras dos seus coios privados. Levaram mais de 2 anos para o fazer e só o fazem agora porque as 'reses' de cuja carnuça se têm vindo a alimentar se encontram já subnutridas.

Interessante como hoje todos os arautos que propalam habitualmente a voz termidoriana se apressaram a apresentar a prova da desfloração da virgem arregimentada, até agora tão criticada nos mais conhecidos covis excretores da palavra do Diretório. Cheira-me que vem aí redenção.

Saudações Cordiais

Nuno de Santa Maria

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