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11
Nov

Tempestade perfeita

por Pedro Figueiredo

Finalmente o segundo resgate surgiu em força como um dos temas maiores da agenda política nacional. Andou a ser manipuladamente escondida, mas há situações em que não é possível consegui-lo por muito tempo, sobretudo quando a realidade as transforma numa "inevitabilidade". É uma desgraça, mas, e o Governo pede imensa desculpa (ou não), os esforços feitos nestes últimos dois anos e meio não foram suficientes. É preciso continuar com estes níveis de austeridade. Perdão. Tem que se elevar a fasquia em 1,7 milhões de euros. O Governo pede novamente imensa desculpa (ou não), mas o regresso aos mercados não vai correr como era expectável pelo executivo, até porque quem prometeu tal cenário já não é ministro das Finanças e a atual detentora do cargo não lê, infelizmente, o Borda d' Água.

Tem mesmo de ser.

Seguro pede ao PM que coloque juízo na cabeça dos seus ministros, não se referindo especificamente a Machete, que foi quem fez referência a um segundo resgate. O Ministro dos Negócios Estrangeiros. Há um mês, poderia ter dito que seria preferível ser-se resgatado por Angola. Hoje, tinha de pedir desculpa primeiro (ou não).

Em circunstâncias democraticamente normais, o Governo, ao anunciar a necessidade do pedido de um segundo resgate, o primeiro-ministro colocava um ponto final nesta farsa que, no mínimo (para ser simpático), já dura desde a crise política do Verão - gerida, aliás, a partir das ilhas Selvagens, no meio das gargalhadas das cagarras -, marcada pelo novo significado da palavra irrevogável. Aproveitava o PM a comunicação ao país e anunciava eleições antecipadas.

O problema é que não vivemos em circunstâncias democraticamente normais. Sampaio da Nóvoa já o tinha referido no final de Maio, na Aula Magna. Nem de Belém se pode esperar compreensão. Basta falar-se em eleições antecipadas ao Presidente da República para vê-lo benzer-se e atirar água benta ao infame cidadão que lhe ouse falar de tal blasfémia. Os mercados nem querem ouvir falar disso. Assim é que precisamos MESMO de um segundo resgate. Oh wait...

Tempestade perfeita é isto. E o Governo não pede desculpa porque não controla as condições climatéricas que influenciam as decisões. O Borda d' Água não prevê estas situações. O bom caminho é este. Não há razão para preocupações. Stay Calm and in Merkel we trust.

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«As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter.» Ortega y Gasset