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Não são muitas as notícias sobre o processo negocial entre o SPD e a CDU/CSU. Talvez por isso vão sendo escassas, para não dizer inexistentes, as referências ao processo na imprensa portuguesa. Vale a pena, no entanto, tentar acompanhar as negociações ainda que o que se vai sabendo esteja repleto de rumores, meias histórias e sinais subtis. A Teresa de Sousa faz hoje no Público um ponto de situação:

 

(...) Os sociais-democratas já conseguiram o salário mínimo, abdicando de grandes aumentos nos impostos dos mais ricos. Preparam-se para abdicar do Ministério das Finanças, que deverá manter-se nas mãos de Wolfgang Schäuble, mas ainda não se sabe ao certo com que pastas ficarão. Provavelmente e como da praxe Frank-Walter Steinmeire voltará aos Negócios Estrangeiros, onde já esteve na primeira grande coligação com a CDU, em 2005.

 

O problema é que hoje as grandes decisões passaram para o controlo dos chefes de Governo e dos ministros das Finanças, relegando os chefes da diplomacia para um papel mais recuado. Sigmar Gabriel, o líder do SPD, quererá ficar com a Economia. O problema maior é o da discussão do programa de governo e as informações que vêm de Bruxelas e de Berlim são poucas e pouco animadoras. As negociações estão divididas por 20 grupos de trabalho e a Europa está a ser discutida no grupo que trata das finanças.

 

Não é propriamente um bom indício para que a política europeia de Berlim possa mudar nem que seja alguma coisa, no curto e no médio prazo. Wolfgang Schäuble continua a ser a figura central desta negociação. Nas duas questões fundamentais que estão à espera do novo governo alemão, União Bancária e a União Orçamental, a chanceler e o seu ministro das Finanças continuam irredutíveis. (...)

 

A segunda questão a que os sociais-democratas deram alguma importância passa por medidas que vão no sentido da mutualização mais ou menos parcial da dívida dos países do euro. Os países do Sul em maiores dificuldades estão asfixiados pelo peso da dívida. O SPD já foi a favor de um "fundo de redenção" para a dívida superior aos 60 por cento fixados no Tratado, que foi uma sugestão dos economistas que aconselham o Governo alemão. Mas o que vai chegando de Berlim e de Bruxelas é que, também aqui, os sociais-democratas se preparam para recuar.

 

O único cenário que resta e que a Alemanha poderia aceitar, é o chamado "reprofiling" (uma coisa parecida com reescalonamento) que garanta mais tempo e menos juros aos países com programas de ajustamento. Alguma coisa terá de ser feita. Paul de Grauwe, o conhecido economista belga que é um dos grande teóricos da união monetária, disse recentemente em Lisboa sobre a situação portuguesa que mais um ano de dura austeridade como aquele que está previsto para 2014 mataria qualquer hipótese de crescimento e levaria, de uma ou outra maneira, à reestruturação da divida portuguesa. A ideia de que é preciso compensar os países que sejam afectados por choques assimétricos aos quais não podem responder porque perderam os instrumentos de desvalorização da moeda e de aumentar o Orçamento está a fazer o seu curso. Pode ser uma espécie de orçamento da zona euro (que já veio referido nas conclusões da penúltima cimeira europeia). Mas é apenas uma hipótese. (...)

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