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Jorge Miranda junta a sua voz, num artigo no Público de hoje, aos que já se pronunciaram a favor de que os partidos abram o seu processo de escolha de candidatos a cidadão independentes:

 

(...) 4. Ainda outro ponto: tal como já alguns têm preconizado, por que não as candidaturas aos órgãos de poder local, em vez de serem definidas pelas comissões concelhias dos partidos, com maior ou menor interferência dos dirigentes nacionais, não são constituídas a partir de eleições primárias, abertas a cidadãos não inscritos nos partidos? Não seria, aliás, isso, uma forma de os partidos mostrarem que não temem as candidaturas independentes?


A ideia, como Jorge Miranda refere, já tem sido defendida em Portugal. É baseada em alguns bem sucedidos exemplos do estrangeiro. Não sei se foi sugerida em Portugal pela primeira vez por Francisco Assis. Mas é dele a primeira intervenção que recordo a favor de primárias abertas a não militantes. Há uns meses, por ocasião do congresso do PS, um grupo de militantes assumiu a defesa desta proposta, entre outras formas de abertura do partido aos simpatizantes. O primeiro subscritor da proposta, João Tiago Silveira, veio mais recentemente reforçar a defesa da proposta nas páginas do Expresso. Ainda mais recentemente, no discurso de tomada de posse, António Costa aproveitou também para dizer que o crescente sucesso de candidaturas independentes devia fazer pensar os partidos.

 

A ideia de primárias abertas a simpatizantes tem muitas virtudes, considere-se a proposta apenas com âmbito concelhio para os candidatos às eleições autárquicas ou também de âmbito nacional com a escolha do candidato a primeiro-ministro. Tem também alguns riscos que são contudo claramente ultrapassados pelas vantagens.

A principal vantagem advém do facto de, através das primárias abertas a independentes, se permitir escolher tendencialmente um candidato mais representativo do espaço político em causa do que reservando esta escolha apenas a militantes. Sendo o candidato mais representativo, é de acreditar que tenha melhores condições para sair vencedor que um candidato menos representativo. Acresce o facto de o processo ser legitimador e mobilizador. Adicionalmente, a campanha das primárias serviria para aclarar a mensagem e ocupar espaço mediático que reforçaria naturalmente a mobilização em torno da candidatura escolhida.

 

Existem naturalmente receios legítimos que merecem e serão abordados com calma num próximo post.

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