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30
Out

Caminhamos para a conclusão que, de facto, Rui Machete teria mais informação do que seria suposto. Corrijamos: mais informação do que seria suposto ele admitir publicamente. O arquivamento do processo hoje noticiado pelo Público vem fortalecer essa hipótese, que já era inicialmente a mais plausível. Paulo Gorjão, tendencialmente receptivo a teses favoráveis ao Governo, também o diz

 

Podemos até partir de uma perspectiva relativamente benigna. Podemos assumir que teria havido contacto entre o Ministério dos Negócios Estrangeiros e a Procuradoria-Geral da República de forma discreta e de forma a preservar a independência entre poderes bem como o segredo de justiça. Não seria difícil imaginar um diálogo entre pessoas experientes baseado em afirmações subtis, entrelinhas e não-ditos.

 

Partindo desta perspectiva, a articulação entre MNE e  PGR depende da capacidade dos envolvidos mas também da confiança mútua. Após este caso, é difícil acreditar existir ainda alguma réstia de confiança da Procuradora-Geral Joana Marques Vidal na capacidade e na discrição de Rui Machete. (E face à indiscrição de Machete é pertinente considerar até uma perda de confiança em Machete por parte de outros actores políticos e diplomáticos.)

 

Assim, se notarmos que processos com melindre diplomático não serão propriamente frequentes mas estarão longe de ser raros - considerem-se não apenas os dignitários estrangeiros mas também as comitivas diplomáticas sediadas em Portugal e até outras figuras de elevada relevância, vemos que num qualquer episódio futuro estará vedado a Rui Machete, com alta probabilidade, qualquer indicação da PGR, por mais discreta e subtil que fosse a indicação.

 

Vê-se assim como a inevitável demissão de Rui Machete, mesmo partindo da mais benévola perspectiva, é absolutamente imperiosa para o que costuma designar-se interesse nacional.

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1 comentário

De Pandil a 31.10.2013 às 16:08

Nem mais.
Eu fiquei logo com impressão que, de facto, tinha havido uma conversa entre a PGR e o ministro.
Não que o tenha por pessoa incapaz de mentir, já conhecia carta a Luís Fazenda, a do famoso "erro involuntário" mas porque uma coisa é mentir para safar a pele outra é, em declarações a um jornal estrangeiro, dizer que a PGR lhe tinha dito o que não disse. Era preciso que tivesse pirado de vez.

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